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domingo, julho 14, 2024

 

“BELEZA É FUNDAMENTAL”

Quem não se lembra dessa frase do Vinícius de Moraes? Será verdade? De qualquer modo, vamos ver algumas das mulheres e homens considerados muito bonitos. Durante a juventude. Esqueçamos o passar do tempo. Sem maiores comentários.

 

CYLL FARNEY


 ÍRIS LETTIERI

 

JOHN HERBERT


NÚBIA LAFAYETTE


 TARCÍSIO MEIRA

 

ILKA SOARES

 

ADRIANO REIS


 

ÍRIS BRUZZI


 

CLÁUDIO MARZO


 

EVA WILMA


 

MÁRIO GOMES


 

MARIA TEREZA GOULART



 

 

 

 

 

terça-feira, julho 02, 2024

 LOCUTORES E APRESENTADORES (Segunda parte)

Esta postagem é continuação de sua homônima, recém-postada aqui no SDR.

 

FLÁVIO CAVALCANTI (15/01/1923 – 26/05/1986)

Flávio Antônio Barbosa Nogueira Cavalcanti era carioca e um dos mais famosos e polêmicos comunicadores brasileiros. Poucos sabem, mas também foi compositor.

Seu primeiro programa na rádio foi Discos Impossíveis, na Rádio Tupi, em 1952, e que depois passou a ser transmitido pela Mayrink Veiga. Em 1955 apresentava nessa mesma emissora, junto com Jacinto de Thormes, o programa Nós, os Gatos.

Sua carreira televisiva começou em 1957, com o programa Um Instante, Maestro!, na TV Tupi. Pouco tempo depois passou para a TV Rio, apresentando o Noite de Gala.

Em 1965 foi para a TV Excelsior, reeditando seu programa Um Instante, Maestro!, no ano seguinte voltando à TV Tupi, onde lançou também A Grande Chance e Sua Majestade é a Lei.

Em 1970 estreou o Programa Flávio Cavalcanti pela Rede Tupi, transmitido aos domingos, às 18h. Foi um dos primeiros programas transmitidos para todo o Brasil usando a rede fornecida pela Embratel.

Estando a TV Tupi com problemas financeiros, em 1976 Flávio foi para a TVS, reeditando seu famoso Um Instante, Maestro!.

Em 1978 retornou à TV Tupi com seu Programa Flávio Cavalcantii, agora transmitido aos sábados. Ali permaneceu até o fechamento da emissora, em 1980.

Em 1982 foi para a Rede Bandeirantes, apresentar Boa Noite, Brasil.

De 1983 a 1986 foi para o SBT, novamente com Programa Flávio Cavancanti.

Conservador assumido, Flávio apoiou o golpe militar de 1964. Era francamente contra o homossexualismo e o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Apesar disso, ao defender uma entrevista dada por Leila Diniz em O Pasquim passou a ser alvo da Censura Federal. Em 1973 seu programa foi suspenso pela censura por 60 dias em virtude da apresentação da história de um homem inválido que havia “emprestado” a mulher ao vizinho.

Sofreu um grande drama pessoal: brincando de jogar o neto para o alto e ampará-lo na queda, falhou nisso e a criança caiu ao chão, morrendo.

No dia 22 de maio de 1986 Flávio fez uma rápida entrevista no seu programa, jogou o dedo para cima dizendo sua célebre frase Nossos comerciais, por favor!, mas após estes quem voltou foi Wagner Montes, anunciando que Flávio voltaria no próximo programa. Não voltou. Nos bastidores, sofreu uma isquemia miocárdica e morreu quatro dias depois.

 

GONTIJO TEODORO (20/03/1924 – 05/09/2003)

Gontijo Soares Theodoro era mineiro de Araxá. Seu pai era um caixeiro-viajante espanhol e sua mãe era costureira. Gontijo desde criança brincava de locutor falando numa latinha de massa de tomate, à guisa de microfone.

Mudando com a família para o Rio de Janeiro, Gontijo imitava os locutores famosos da época, como César Ladeira e Urbano Lóes.

Sua carreira começou na Rádio Bandeirantes de São Paulo, mudando pouco depois para a Rádio Nacional, sempre como locutor. Sendo o rádio o grande meio de comunicação da época, Gontijo passou a apresentador de programas.

Nessa época surgiu a televisão no Brasil e Gontijo foi convidado a apresentar Retratos da Semana, na TV Tupi. Jornalista registrado, passou a apresentar o Repórter Esso, que já existia no rádio e que ia ser inaugurado na TV. Ficou à frente desse programa por quase 19 anos. Com sua voz possante e dicção perfeita, o Brasil inteiro o escutava quando às 8 horas da noite o programa entrava no ar. Durante todos esses anos nunca foi desmentida uma notícia ali veiculada. A credibilidade do programa era tanta que se dizia ”Se o Repórter Esso não deu, não aconteceu”.

Quando o Repórter Esso acabou, Gontijo não conseguiu ser aceito em outra emissora por estar marcada demais sua imagem junto à TV Tupi. Escreveu dois livros, teve um programa estilo talk show na Rádio Guanabara e editou um jornal religioso, de circulação nacional.

Morreu em 5 de setembro de 2003, por infarto do miocárdio.

 

AÉRTON PERLINGEIRO (28/12/1921 – 31/10/1992)

Nascido no Estado do Rio de Janeiro, começou sua carreira artística em 1943 na Rádio Transmissora, no Rio. Sempre como apresentador e locutor, transferiu-se sucessivamente para as rádios Tupi, Fluminense e Rádio Clube.

Em 1956 foi para a televisão. Em São Paulo Ayrton Rodrigues criou o programa Almoço com as Estrelas. Aérton fez o mesmo no Rio. Ambos foram estrondoso sucesso. A fórmula era simples: uma mesa grande, na qual cantores, atores e personalidades famosas eram convidadas a degustar um rápido almoço. No Rio, Aérton era ao mesmo tempo produtor e mestre de cerimônia, o que lhe era bastante trabalhoso. Idem com Ayrton, em São Paulo. A recompensa era a fama e o carinho que granjearam com a classe artística, já que todos queriam ser convidados para o programa. A transmissão iniciava na hora do almoço aos sábados e durava várias horas. No Rio o programa se chamava Aérton Perlingeiro Show. Foi ao ar de 1956 até julho de 1980, quando a TV Tupi faliu.

Aérton foi o criador do troféu O Velho Capitão, busto de bronze representando Assis Chateaubriand, que o recebeu três meses antes de morrer. O troféu foi entregue a mais de 300 personalidades, entre as quais Maysa, Elizeth Cardoso e Elis Regina.

Sofrendo sempre de forte bronquite, veio a falecer em 1992.

 

CARLOS IMPERIAL (24/11/1935 – 04/11/1992)

Carlos Eduardo da Corte Imperial nasceu em Cachoeiro do Itapemirim, mesma cidade de Roberto Carlos, com quem teria grandes ligações no futuro.

Sua vida e sua carreira dariam um bom livro. Foi produtor musical, apresentador de programas, compositor, diretor de cinema, ator de pornochanchada, colunista, agitador cultural, narrador de resultados de Carnaval, político e rei da pilantragem, como ele mesmo se autodenominava. Aqui daremos mais destaque à sua vida como apresentador de programas de TV.

Carreira de apresentador

Em 1958 passou a apresentar o programa Clube do Rock, na TV Tupi. No ano seguinte lançou seu conterrâneo Roberto Carlos, que na época era um admirador de Elvis Presley e de João Gilberto. Imperial tentou ingressá-lo na Bossa Nova, com os sambas “João e Maria” e “Fora do Tom”. No ano seguinte, Roberto Carlos lançou mais dois sambas. Considerado um imitador de João Gilberto, seus discos não fizeram sucesso.

Em 1959 apresentava os programas Os Brotos Comandam, na TV Continental e na Rádio Copacabana, e Festa de Brotos.

Em 1964 comandava na TV Record o programa Brotos no 13, alusão ao número do canal da emissora.

Em 1965 apresentou na TV Excelsior o programa O Bom, como concorrente do programa Jovem Guarda, da TV Record, ocasião em que compôs música com esse mesmo nome, sucesso estrondoso na voz de Eduardo Araújo.

Cantores lançados ou incentivados por Imperial

Nos seus programas e como compositor e produtor musical lançou muitos cantores que vieram a se tornar famosos, como Elis Regina, Wilson Simonal, Erasmo Carlos, Eduardo Araújo, Tim Maia, Tony Tornado, Ronnie Von. Foi de sua autoria o primeiro sucesso de Clara Nunes.

Músicas de sucesso

Ao longo de sua carreira Carlos Imperial compôs muitas músicas de sucesso. Segue uma relação resumida delas:

  • O Bom
  • Vem quente que estou fervendo
  • Pra nunca mais chorar
  • Você passa e eu acho graça
  • A praça
  • Mamãe passou açúcar ni mim
  • Nem vem que não tem

 

Polêmicas e pilantragens

Entre as várias pilantragens feitas por Carlos Imperial, podemos destacar:

1)      Se disse autor de Meu limão, meu limoeiro, música tradicional de domínio público.

2)      Quando sua composição A Praça, cantada por Ronnie Von, não conseguia deslanchar, ele contratou o músico Edson Silva para dizer nos jornais que a música era um plágio. A acusação ganhou as manchetes, Imperial deu entrevistas negando o fato, e a música deslanchou, sendo lembrada até hoje.

3)      Disse a repórteres que os Beatles iriam gravar uma versão de Asa Branca, o que era rematada mentira. Mas até hoje há pessoas que dizem ter ouvido essa gravação raríssima nas rádios londrinas da época.

4)      Preso pelos militares por causa de um cartão de Natal que eles julgaram ofensivo, alegou ter sido torturado e levado um tiro no joelho e até chorava ao narrar isso. Mas o problema era um mero caso de varizes.

Morte

Carlos Imperial faleceu em 04 de novembro de 1992, em decorrência de miastenia grave, resultado de uma dose de Diazepan que tomou no pós-operatório de uma lipoaspiração

 

BOLINHA (16/07/1936 – 01/07/1998)

Edson Cabariti nasceu em Bauru. De ascendência turca e síria, mudou-se para Araçatuba, oeste de São Paulo, onde foi mascate, feirante, engraxate, cobrador de ônibus, vendedor de velas para cemitérios e balconista.

Em 1961 mudou-se para São Paulo e tornou-se repórter de campo em jogos de futebol. Iniciou sua carreira como locutor esportivo. Posteriormente, na TV Excelsior, passou a ser o responsável pelos flashes esportivos no programa Últimas Notícias.

Em janeiro de 1967 Chacrinha saiu repentinamente da emissora, por desentendimento com a diretoria, e Bolinha foi convidado a substituí-lo. A audiência do programa aumentou e ele ficou efetivo no programa.

Em 1974, na TV Bandeirantes, passou a apresentar o programa Clube do Bolinha, que ficou no ar durante 20 anos e era um dos lideres de audiência da emissora. Uma das atrações do programa era o quadro Eles e Elas, em que se apresentavam travestis e transformistas.

Tal como no programa do Chacrinha, havia as bailarinas de palco, carinhosamente apelidadas de boletes, sendo que algumas tinham sido ex-chacretes.

Morreu de câncer no aparelho digestivo, detectado três anos antes mas que se agravara nos seis meses anteriores.

-------------  FIM  DA  POSTAGEM  -----------

 

 LOCUTORES E APRESENTADORES (Primeira parte)

A postagem de 13/05/2023 versou sobre programas de auditório e naturalmente citou seus apresentadores, de passagem. A postagem de hoje é dedicada a alguns deles.

 

CÉSAR LADEIRA (11/12/1910 – 08/09/1969)

César Rocha Brito Ladeira nasceu em Campinas e iniciou a carreira em 1931. Ainda estudante de Direito, foi convidado pela Rádio Record para fazer um teste e, em vez de ler anúncios, proferiu um discurso contra Getúlio Vargas, ditador da época. Foi contratado não só por isso como por sua bela voz.

Durante a Revolução Constitucionalista de 1932, a Record juntou-se à Mayrink Veiga para realizar programas políticos, e César Ladeira era o locutor encarregado de fazer veemente discursos contra o governo e exortar a população à revolta. Vencido o levante, César Ladeira acabou preso, ocasião que aproveitou para escrever o primeiro livro sobre rádio.

Em 1933 foi contratado pela Mayrink Veiga como locutor e diretor artístico, mudando-se então para o Rio de Janeiro.

Em 1948, já na Rádio Nacional, estreou o programa “Seu criado, obrigado”, levado ao ar durante 10 anos, ao lado de Daysi Lúcidi.

Em 1956 foi fundador e diretor da Rádio Relógio do Rio de Janeiro.

Morreu de hemorragia cerebral em 1969.

 

CÉSAR DE ALENCAR (06/06/1917 – 14/01/1990)

Hermelindo César de Alencar Mattos nasceu em Fortaleza e começou sua carreira em 1939, na emissora carioca Rádio Clube do Brasil, tendo passado para a Rádio Nacional em 1945, onde atuou em comerciais e narrações, com pequenas participações em radionovelas.

Com a saída de Paulo Gracindo, passou a ter seu próprio programa aos sábados, tornando-se este a maior atração da emissora, onde contava com a participação de Emilinha Borba.

A música de entrada do programa fez história: "Essa canção nasceu pra quem quiser cantar / Canta você, cantamos nós até cansar. / É só bater, e decorar / Pra recordar vou repetir o seu refrão / Prepara a mão / Bate outra vez / Este programa pertence a vocês".

O auditório lotava durante a apresentação do programa.

A partir de 1948 gravou vários discos e compôs algumas músicas. Em 1954 inaugurou em Copacabana a casa noturna “A Cantina do César”, onde se apresentaram grandes nomes da Rádio Nacional.

Na TV Excelsior, foi o apresentador do Programa César de Alencar.

Com a instalação do regime militar em 1964, César de Alencar foi acusado de delatar vários colegas da Rádio Nacional. Embora sempre tivesse negado isso, em depoimento prestado por ele em 25 de maio de 1964 junto à Diretoria de Costa e Artilharia Antiaérea ele reclamou de colegas esquerdizantes na emissora, citando vários deles. E na Revista do Rádio de 16 de maio de 1964 ele deu uma entrevista comprometedora, colocando-se ao lado da “defesa de democracia”.

Após esses fatos, sua carreira declinou, seu programa da Rádio Nacional foi extinto e mesmo suas tentativas posteriores de retornar à carreira artística deram em nada.

Morreu no ostracismo.

 

CHACRINHA (30/09/1917 – 30/06/1988)

José Abelardo Barbosa de Medeiros, pernambucano de Surubim, teve uma vida merecedora de várias laudas. Aqui se encontra um resumo dela.

Carreira

Em 1936, aos 19 anos, ingressou na Faculdade de Medicina de Pernambuco e no ano seguinte teve seu primeiro contato com rádio, ao dar uma palestra sobre alcoolismo na Rádio Clube de Pernambuco.

Após vários eventos, em 1939 resolveu embarcar para a Alemanha a bordo de um navio. Porém o início da II Guerra o fez desembarcar na capital federal, onde se tornou locutor da Rádio Tupi.

Em 1943 lançou na Rádio Clube Fluminense o programa de marchinhas carnavalescas Rei Momo na chacrinha, que fez muito sucesso e a partir daí ele passou a ser conhecido como Abelardo “Chacrinha” Barbosa.

Nos anos 1950 lançou o programa Cassino do Chacrinha, onde se apresentavam músicas de sucesso na época.

Em 1956 estreou na televisão com o programa Rancho de Mister Chacrinha na TV Tupi, uma série de faroeste infanto-juvenil, na qual interpretava o papel do xerife. Naquela mesma emissora começou a fazer também a Discoteca do Chacrinha. Na década de 1960 seu programa foi exibido nas TV's Paulista, Rio e Excelsior e em 1967 foi contratado pela TV Globo. Chegou a fazer dois programas semanais: Buzina do Chacrinha, no qual apresentava calouros, distribuía abacaxis e perguntava "Vai para o trono, ou não vai?", e Discoteca do Chacrinha. Cinco anos depois voltou para a Tupi. Em 1974, teve uma breve passagem pela  TV Record, retornando em seguida para a Tupi. Em 1978 transferiu-se para a TV Bandeirantes e em 1982 retornou à Globo, onde ocorreu a fusão de seus dois programas num só, o Cassino do Chacrinha, que fez grande sucesso nas tardes de sábado.

Ganhou o apelido de “Velho Guerreiro” em virtude de uma música de Gilberto Gil que o citava assim.

Frases e bordões

Criou frases e bordões que se tornaram famosos, como “Vocês querem bacalhau?”, “Quem não se comunica se trumbica”, “Terezinha!” e “Eu vim para confundir, não para explicar”.

Origem do “Vocês querem bacalhau?”

As Casas da Banha eram seu patrocinador na TV Tupi e as vendas de bacalhau haviam encalhado. Ele então teve ideia de criar a frase “Vocês querem bacalhau?”, após o que atirava peças do peixe para o auditório, que as disputavam a tapa. As vendas explodiram.

Morte

Chacrinha tinha câncer de pulmão e morreu de infarto do miocárdio e insuficiência respiratória no dia 30 de junho de 1988.

 

JAIR DE TAUMATURGO (28/02/1918 – 04/09/1970)

OBS: Quase não há informações sobre ele na Internet. Inclusive a data de nascimento apresenta contradições: alguns sites citam o ano de 1918 e outros 1920.

Como radialista na Mayrink Veiga, apresentava o programa Alô, Brotos, destinado a cantores de rock. Por isso é considerado muito importante para a Jovem Guarda, assim como Carlos Imperial, que tinha um programa concorrente, chamado Brotos no 7.

Posteriormente, já na TV Rio, apresentou os programas Festa do Bolinha e Hoje é Dia de Rock, ambos famosos na época, e neles possibilitou a fama de cantores como Roberto Carlos, Wilson Simonal, Erasmo Carlos, Cely Campelo, Ronnie Cord e muitos outros.

Curiosidade: um dia foi apresentado a Jair um conjunto chamado “Bacaninhas do Rock da Piedade”. Ele não gostou desse nome e rebatizou o conjunto como “Renato e Seus Blue Caps”. E com esse nome o grupo fez muito sucesso.

Em agosto de 1970 sofreu um infarto agudo do miocárdio e faleceu em 4 de setembro.

 

LUIZ JATOBÁ (05/01/1915 – 09/12/1982)

Alagoano de Maceió, Jatobá se formou em Medicina. Tinha uma voz privilegiada, grave e cavernosa. Em 1940 foi convidado para ser locutor da CBS (Columbia Broadcasting System) em Nova Iorque, onde era o brasileiro que transmitia notícias sobre a II Guerra Mundial e apresentava trailers para a Metro Goldwyn Mayer.

De volta ao Brasil, foi para a TV Globo, onde era o locutor do Jornal da Globo, junto com Hilton Gomes e Nathalia Timberg. Comandou a primeira edição do Jornal Hoje, ao lado de Léo Batista. Durante o governo militar sofreu perseguição, retornando aos EUA e retomando a narração de trailers cinematográficos.

Era sua a voz cavernosa que se ouvia durante a exibição de trailers nos cinemas brasileiros. Também narrava parte do noticioso Hora do Brasil.

Durante 45 anos atuou no rádio brasileiro, época em que esse era o meio de comunicação mais usado no país. Influenciou na geração de muitos locutores não apenas de rádio mas também de TV, cinema e vídeo. Sua voz era considerada uma das mais célebres no continente americano e certamente era o timbre masculino mais famoso no Brasil.

-------------  FIM  DA  POSTAGEM  -----------

quinta-feira, junho 27, 2024

 GALÃS, ESTRELAS E PALHAÇOS

Esta postagem remete aos tempos do cinema nacional das décadas de 1950 e 1960, com seus atores e atrizes mais famosos. Tempos das saudosas produtoras cinematográficas Vera Cruz e Atlântida.

 

OSCARITO (16/08/1906 – 04/08/1970)

Oscar Lorenzo Jacinto de la Inmaculada Concepción Tereza Diaz nasceu em Málaga, na Espanha, numa família circense. Com um ano de idade sua família emigrou para o Brasil. Em 1949 ele se naturalizou brasileiro.

Estreou no circo aos cinco anos de idade, fazendo o papel de índio numa adaptação de O Guarani, de Carlos Gomes. Ali aprendeu violino e foi trapezista, palhaço e acrobata.

Em 1932 estreou no teatro de revista, na peça Calma, Gegê, que satirizava o presidente Getúlio Vargas, de quem se tornou amigo.

No cinema estreou em 1935, no filme Noites Cariocas. Foi nessa arte que ganhou popularidade e fama, trabalhando em dupla com Grande Otelo em numerosos filmes estilo chanchada.

No Brasil, era comparado a Chaplin e Cantinflas.

Na manhã de 15 de julho de 1970 machucou-se ao realizar um salto durante uma apresentação. Foi internado, porém sofreu um AVC. Ficou em coma até 04 de agosto, quando faleceu.

Trabalhou em 47 filmes, entre os quais podemos citar Carnaval Atlântida, Matar ou Correr, Vamos Com Calma, Colégio de Brotos, De Vento em Popa, O Homem do Sputnik, Crônica da Cidade Amada, A Espiã que Entrou em Fria.

 

GRANDE OTELO (18/10/1915 – 26/11/1993)

Sebastião Bernardes de Souza Prata era filho de um boiadeiro, do qual ficou órfão aos dois anos de idade. Sua vida artística começou em 1923 ou 1924, num picadeiro de circo na cidade de Uberlândia, onde nascera. Disse ele que já era conhecido como um palhacinho na cidade, com apelido Bastiãozinho.

Aos oito anos foi levado para São Paulo pela dona de uma companhia de teatro. Lá fugiu várias vezes, acabando sempre no Juizado de Menores.

Em 1927 participou da Companhia Negra de Revistas, fundada por Jayme Silva e pelo artista negro De Chocolat e de onde Pixinguinha era o maestro. Suas apresentações chamaram atenção e um comentarista do Jornal do Commercio chamou-o de “grande Othelo”. O apelido pegou.

Ao longo das décadas de 1930 a 1950 participou de várias peças do teatro de revista. Em 1942, fazendo um papel no filme inacabado “It’s All True”, de Orson Welles, este o considerou o maior ator brasileiro. Em 1950 estava no auge da carreira.

No cinema, fez várias parcerias famosas, entre as quais com Oscarito e depois com Ankito. Também formou dupla em muitos espetáculos musicais e no cinema com Vera Regina, uma negra alta que lembrava Josephine Baker. O fim dessa parceria com Vera Regina gerou uma crise em Grande Otelo, da qual só se recuperou em 1969, na filmagem de Macunaíma.

Participou de várias novelas da TV Globo e do humorístico Escolinha do Professor Raimundo. Seu último trabalho foi na novela Renascer¸ pouco antes de sua morte.

Tragicamente, essa morte ocorreu devido a um infarto fulminante logo depois de desembarcar em Paris no aeroporto Charles de Gaulle, quando seguia para o Festival dos Três Continentes, em Nantes, onde seria homenageado num painel sobre negritude no cinema.

Sua vida teve várias tragédias: seu pai morreu esfaqueado e sua mãe era alcoólatra. Em 1948 casou-se com Lucia Maria Pinheiro, tendo o filho Elmar. No ano seguinte Lucia matou a tiros a criança, então com seis anos de idade, e depois suicidou-se.

 

ANKITO (26/02 ou 26/11/1924 – 30/03/2009)

Anchizes Pinto é considerado um dos cinco maiores nomes das chanchadas brasileiras. Nasceu no Brás, em família circense. Seu pai era o palhaço Faísca, sua mãe era atriz circense e seu tio era o famoso palhaço Piolim.

Passou a atuar no circo aos quatro anos de idade como acrobata, e posteriormente no Globo da Morte. Onze anos depois atuou em shows no Cassino da Urca como acrobata, na época considerado um esporte, o que lhe valeu cinco vezes o título de Campeão Sul-Americano da especialidade.

Em 1952 estreia no cinema com o filme É Fogo na Roupa, onde faz um tipo ingênuo e divertido com o qual atuaria em mais de 30 filmes posteriores. O sucesso foi enorme.

Entre esse ano e 1961 protagonizou dezenas de filmes, entre os quais Marujo por Acaso, Pé na Tábua, Um Candango na Belacap, Pistoleiro Bossa Nova, Vai que é Mole e Metido a Bacana, onde pela primeira vez fez dupla com Grande Otelo, no ano de 1957. Sua carreira estava no apogeu.

Em 1960 caiu de um prédio durante a filmagem de Um Candango na Belacap, sofrendo lesões que o impediram de continuar fazendo acrobacias e abreviaram sua carreira cinematográfica.

Dali em diante participou de poucos filmes, porém na TV fez presença em vários programas humorísticos na Tupi, Record e Bandeirantes. Já na TV Globo participou de várias telenovelas, como Gina, Marina, Alma Gêmea, A Sucessora. Também participou de várias minisséries e fez parte do elenco da primeira versão de O Sítio do Pica-pau Amarelo, fazendo o papel do Curupira e do Soldadinho de Chumbo.

Morreu em 30 de março de 2009 em decorrência de câncer de pulmão.

 

MAZZAROPI (09/04/1912 – 13/06/1981)

Amácio Mazzaropi foi nome marcante no cinema brasileiro, fazendo sempre o papel de jeca ou de matuto, tendo produzido, escrito, dirigido ou estrelado trinta e dois filmes entre 1952 e 1980.

Mazzaropi nasceu no bairro de Santa Cecília, em São Paulo, mas aos dois anos sua família se mudou para Taubaté. Seu conhecimento do modo de vida caipira se deveu ao avô materno, que o levava a festas no bairro onde moravam.

Depois de algumas atuações em circo, no início da década de 1930 ele estreou em sua primeira peça teatral, A Herança do Padre João. Ao longo do final dessa década e da seguinte formou uma trupe e percorreu o interior do Estado de São Paulo.

Sua estreia no cinema ocorreu em 1952, no filme Sai da Frente, a cargo da Companhia Cinematográfica Vera Cruz, com a qual fez mais dois filmes. Com o fim da Vera Cruz, fez cinco filmes com outras produtoras.

Em 1958 fundou em sua fazenda de Taubaté a PAM Filmes (Produções Amâncio Mazzaropi), responsável pela maioria dos seus filmes. Após sua morte o local virou o Museu Mazzaropi, contendo todo o acervo de sua vida e carreira.

A primeira obra da sua produtora foi Chofer de Praça. Em 1962 lançou seu filme mais famoso, o Jeca Tatu. Seu primeiro filme a cores foi Tristeza do Jeca, também o primeiro a ser exibido pela televisão, na TV Excelsior.

Seu próximo sucesso foi O Corintiano, recorde nacional de bilheteria.

Em 1974 construiu um grande estúdio de gravação, com oficina de cenografia e hotel para atores e técnicos. Ali produziu mais cinco filmes, até 1979.

Em três décadas ele produziu ou participou de 32 filmes. Seu 33º filme, Maria Tomba Homem, ficou incompleto.

Mazzaropi morreu de câncer na medula óssea, após 26 dias internado.

 

CYLL FARNEY (14/09/1925 – 14/03/2003)

Cilênio Dutra e Silva era irmão do cantor Dick Farney e foi o maior galã da companhia cinematográfica Atlântida.

Seu primeiro filme foi A Escrava Isaura, em 1949, e daí em diante destacou-se nas chanchadas da Atlântida ao longo da década de 1950. Sua presença atraía multidões de fãs femininas aos cinemas. Foram 41 filmes, entre 1949 e 1976. Entre eles encontram-se Carnaval Atlântida, Colégio de Brotos, De Vento em Popa, O Homem do Sputnik, As Sete Evas, A Infidelidade ao Alcance de Todos.

Na TV trabalhou durante pouco tempo. Entre 1956 e 1958 era o ator principal na série O Jovem Dr. Ricardo, a primeira com temática médica na TV. Contracenava com Tereza Rachel, no papel da enfermeira Patrícia, e com Ribeiro Fortes, no papel do experiente Dr. Martim

Em 1978 deixou a carreira de ator e fundou a produtora Tycoon, pela qual lançou 14 filmes. A TV Globo, antes de inaugurar seus próprios estudos de gravação, em 1995, muitas vezes alugava as instalações da Tycoon.

Também produziu muitos documentários sobre grandes nomes da música brasileira, como Francisco Alves, Orlando Silva e outros, resgatando a memória de artistas de sua geração.

Morreu aos 77 anos, no Rio de Janeiro, de causa não divulgada a pedido da família.

 

ELIANA MACEDO (21/09/1926 – 18/07/1990)

Ely Macedo de Azevedo foi uma das grandes estrelas do cinema nacional, no qual estreou em 1948, com o filme E o Mundo se Diverte, dirigido por seu tio Watson Macedo, ao lado de Carlos Manga, responsável pela época de ouro da Atlântida. Watson Macedo dirigiu Eliana durante quase toda a sua vida artística.

Seu grande momento foi no filme Carnaval no Fogo, de 1949, quando interpretou dois papéis. Watson Macedo preferia Maria Della Costa e Cacilda Becker, mas os diretores da Atlântida impuseram Eliana. E foi um sucesso.

Em 1954, por sua participação no filme A Outra Face do Homem, foi vencedora do Prêmio Saci, a maior premiação cinematográfica da época.

Era a principal atriz da Atlântida Cinematográfica, maior produtora de filmes naqueles tempos.

Estrela das chanchadas lançadas no período, trabalhou em 26 filmes e atuou ao lado de artistas como Oscarito, Anselmo Duarte, Grande Otelo, José Lewgoy e Cyll Farney.

Em 1950 casou-se com Renato Murce, muito mais velho, causando comentários.

Faleceu em 1990, vítima de infarto.

 

ANSELMO DUARTE (21/04/1920 – 07/11/2009)

Anselmo Duarte Bento é considerado um dos grandes nomes do cinema brasileiro. Começou como figurante no inacabado filme de Orson Welles “It’s All True”, de 1942, em que também trabalhava Grande Otelo. Logo após fez Querida Susana, com Tônia Carrero e Nicete Bruno. Com Carnaval no Fogo, em 1949, dirigido por Watson Macedo e no qual também trabalhou a supracitada atriz Eliana, tornou-se um dos maiores galãs que o cinema nacional já teve.

Em 1951 foi contratado pela Companhia Cinematográfica Vera Cruz com o maior salário da produtora, e no ano seguinte foi lançado Tico-Tico no Fubá, um grande sucesso. Fez mais três filmes na Vera Cruz.

Em 1957 estreou como diretor em Absolutamente Certo.

Em 1962 ganhou a Palma de Ouro e o Prêmio Especial do Júri no Festival de Cannes com o filme O Pagador de Promessas. François Truffaut foi o maior defensor do prêmio especial para Anselmo.

Sua carreira entrou em declínio em virtude de divergências ideológicas com os adeptos do Cinema Novo.

Em 22 de junho de 2009 foi feito Cavaleiro da Ordem do Ipiranga pelo governo do Estado de São Paulo.

Morreu em 07 de novembro de 2009 em decorrência de complicações originadas pelo terceiro AVC que o acometeu.

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REVISITANDO O SDR

O "Saudades do Rio" fechou as portas para novas postagens no final de outubro, mas surgiu uma nova ideia dos comentaristas: O obje...