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terça-feira, maio 16, 2023

 

ELAS

(Segunda parte)

Essa é a segunda parte da postagem envolvendo mulheres que tiveram destaque no mundo televisivo de antanho. Refira-se à primeira parte para maiores informações.

 

1) NEIDE APARECIDA

Neide Aparecida da Silva exerceu várias atividades, mas ficou conhecida como garota-propaganda desde que estreou na TV Tupi, em 1951, aos 14 anos de idade. Durante anos ficou sendo a garota-propaganda das lojas Tonelux, e terminava sua locução sempre estalando os dedos enquanto falava pausadamente TO-NE-LUX. Anos depois, foi garota-propaganda das Perucas Lady, e terminava sua fala com "Perucas Lady, tá?". Na minha memória, foi apresentadora do Teatrinho Trol, mas a Internet não registra isso. Não sei se falha da rede ou se minha memória está me enganando.


 

2) CÉLIA BIAR

Célia Rafaela Martins Biar iniciou na vida artística em 1947 e dois anos depois participou de várias comédias sofisticadas, pelo Teatro Brasileiro de Comédia. Estreou na TV na década de 1960, apresentando vários programas: Sempre Mulher, Oh! Que Delícia de Show, Quem é Quem? e Sessão das Dez, um programa de filmes da TV Globo, no qual Célia sempre aparecia com uma longa piteira na mão e acariciando no colo um gato angorá, o Zé Roberto. Participou de várias novelas.

Célia adorava fumar e acabou morrendo de câncer no pulmão.


 

3) MÁRCIA DE WINDSOR

Márcia Couto Barreto iniciou a carreira como vedete no show de reabertura do Hotel Copacabana Palace, em 1958, ao lado de Elizeth Cardoso e Consuelo Leandro. O "Windsor" do seu nome artístico foi sugestão do Stanislaw Ponte Preta, que disse lembrar ela a Duquesa de Windsor.

Ficou nacionalmente conhecida como jurada nos programas de Flávio Cavalcanti e Sílvio Santos, mas trabalhou também em 15 novelas.

Era uma belíssima mulher.


 

4) TIA GLADYS

Gladys Mesquita Ribeiro era decoradora e programadora visual, mas decidiu ir para a TV, onde acabou fazendo o programa Gladys e Seus Bichinhos, na TV Tupi do Rio de Janeiro, em 1955. No programa ela contava uma história e concomitantemente ia desenhando bichinhos num quadro, dando uma aula de desenho artístico. Criou assim vários personagens: a formiguinha Gida, a gatinha Clarinha, a peixinha Marci, a abelhinha Domi, a cachorrinha Lelete e o sapo Godô, o mais conhecido de todos. Tia Gladys, como era chamada, era um ídolo para a garotada de então. Mesmo após o fim do programa, escreveu 38 livros e gravou 20 discos de histórias.


 

5) HEBE CAMARGO

Hebe Maria Monteiro de Carvalho Ravagnani é considerada a Rainha da Televisão Brasileira. Iniciou sua carreira de cantora na década de 1940, na Rádio Tupi. Foi convidada por Assis Chateaubriand para participar da primeira transmissão ao vivo da TV brasileira a cargo da TV Tupi. Em 1964 afastou-se para ter filho, retornando em abril de 1966 com o programa Hebe, que ficou no ar por mais de 40 anos, passando por várias emissoras.

Seu currículo é extensíssimo. Impossivel até mesmo resumi-lo aqui.


 

6) ÍRIS LETTIERI

Íris Lettieri Costa começou a carreira no fim dos anos 1950, como locutora de telejornais, na TV Tupi do Rio e posteriormente na TV Manchete. Na década de 1970 os anúncios em vários aeroportos no Brasil passaram a ser feitos por ela, com sua voz aveludada e sensual. Segundo ela, esse tom e timbre foram criados adrede, para transmitir tranquilidade aos passageiros que tinham medo de voar.


 

7) CONSUELO LEANDRO

Maria Consuelo da Costa Ortiz Nogueira tinha como sonho ser atriz. Seu avô era frontalmente contra e a expulsou de casa. De pirraça, ela adotou artisticamente o sobrenome Leandro, que era o nome do avô. A princípio, tornou-se atriz do teatro de revista, profissão mal vista na época. Depois partiu para o rádio e sua voz ficou conhecida num papel do famosíssimo programa Balança mas não cai, da Rádio Nacional. Fez filmes, mas tornou-se conhecida como humorista, tendo trabalhado em vários programas, como Noites Cariocas, Praça da Alegria, A Praça é Nossa, Escolinha do Golias e Veja o Gordo.

A pintinha escura acima dos lábios era sua marca registrada.


 

8) ZÉLIA HOFFMAN

Zélia Hoffman iniciou a vida artística na TV, tendo trabalhado na Tupi, Excelsior e Globo. Fazendo par com Chico Anysio, tornou-se conhecida como Maria Tereza, mulher do Coronel Limoeiro. No quadro, este dizia: "Maria Tereza! Essa mulher me ama!".

Era relações públicas no famoso restaurante La Fiorentina, no Leme, onde sua presença sedutora e atraente garantia a freguesia da classe artística. Foi uma das Certinhas do Lalau. Era muito bem relacionada na alta sociedade carioca.

Desfilava fantasias de luxo nos bailes de Carnaval do Teatro Municipal, ao lado de Clóvis Bornay, Wilza Carla, Evando de Castro Lima, Mauro Rosas e Marlene Paiva. Em 1958 venceu o concurso, com a fantasia A Bela Otero.


 

 =====  FIM  DA  POSTAGEM  =====

 

 

 

 

ELAS

(Primeira parte)

Essa é a primeira parte de uma postagem envolvendo mulheres que tiveram destaque no mundo televisivo de antanho. Muitas possuem extenso currículo, e até fico constrangido em não poder citá-los aqui, para não fugir do objetivo da postagem. Concentrei-me na atividade ou papel em que a retratada mais chamou a atenção do público. A postagem não inclui cantoras nem atrizes famosas, embora algumas das retratadas tenham trabalhado em teatro ou em novelas na TV.

Talvez algumas delas sejam ilustres desconhecidas para os adolescentes e pré-idosos que lerem esta postagem.   rsrsrs

 

1) ILKA SOARES

Ilka Hack Soares foi considerada uma das mais belas mulheres nas décadas de 1950 e 60. Trabalhou em alguns filmes e na TV apresentou programas jornalísticos e de variedades. Foi assistente do famoso J. Silvestre no programa O Céu é o Limite. Se não me engano, era assistente de um mágico, que se intitulava Professor Bei, papel em que ela falava o bordão "Pensar, Professor, pensar!", para que ele se concentrasse e desse a resposta esperada pelo público.


 

2) NORMA BLUM

Norma de Lacerda Blum iniciou carreira aos 12 anos na TV Tupi e em 1954 passou a integrar o quadro fixo de atores da emissora. Para a garotada da época, era conhecida pela sua participação no Teatrinho Trol, de Fábio Sabag. Participou como atriz nas TV's Tupi, Excelsior, Rio, Continental e Globo.


 

3) ZILKA SALABERRY

Nasceu Zilka Nazareth de Carvalho, numa família de artistas. Formada em Economia, ingressou no mundo teatral por influência do marido, Mario Salaberry. Estreou em 1956 na TV Tupi, onde trabalhou no Teatrinho Trol, já citado acima, cabendo-lhe sempre o papel de bruxa. Anos depois, foi a Dona Benta no Sítio do Pica-Pau Amarelo, papel mais marcante de sua carreira.


 

4) DERCY GONÇALVES

Dolores Gonçalves Costa originou-se dos espetáculos circenses e tornou-se uma das maiores estrelas do teatro de revista nos anos 1930 e da produção cinematográfica a partir dos anos 1940. Seu currículo é tão extenso e bonito que seria até ofensivo tentar reduzi-lo aqui. Por isso, não o farei.

Dercy foi reconhecida pelo Guinness Book of Records como a atriz com maior tempo de carreira na história mundial, num total de 86 anos.


 

5) NAIR BELLO

Nair Bello Sousa Francisco se notabilizou como humorista, mas iniciou a carreira como atriz de radionovelas. Trabalhou em teatro e fez alguns filmes. Foi garota-propaganda e participou de novelas e minisséries. Estreou no humorismo em 1961, na TV Record, com o quadro Epitáfio e Santinha, passando depois para a TV Rio.


 

6) MARINA MIRANDA

Marina Miranda era uma dos oito filhos dos seus pais, mas foi criada por outra pessoa. Em 1955 cantou músicas líricas no programa Papel Carbono, citado na postagem do dia 13 deste mês. Era fã de óperas e um jornaleiro italiano amigo a ajudava na pronúncia das palavras. Ganhou uma bolsa na Escola Nacional de Música, mas teve de abandonar os estudos para trabalhar.

Iniciou a carreira humorística em 1956, na TV Rio, notabilizando-se no programa Noites Cariocas. Em 1968 passou para a TV Globo, atuando no programa Balança Mas Não Cai, onde fez dupla com Tião Macalé e deu origem ao bordão Oh! Crioula difícil!.  Era conhecida como A Grande Otelo de saias. Fez papéis cômicos como Dona Mandala e Dona Charanga (em programas do Chico Anysio). Foi agraciada com o Troféu Raça Negra 2010 pela sua contribuição à cultura do país. 


 

7) KATE LYRA

Katherine Lee Riddell Caughey começou como modelo nos EUA, aos 17 anos, tendo se casado aos 19 com Carlos Lyra e vindo para o Brasil, onde continuou sua carreira. Aqui participou de vários filmes, alguns deles do gênero pornochanchada. Nos anos 1970 teve papeis em programas humorísticos, como Planeta dos Homens e Praça da Alegria, onde fazia as vezes de americana ingênua, sempre enganada por brasileiros, quando então dizia o bordão Brasileiro é tão bonzinho!.

No mundo cinematográfico, teve algum destaque como diretora e roteirista. Possui uma carreira acadêmica como pesquisadora de alguns ritmos musicais, especialmente Hip-Hop, Rap e Funk.



=====  FIM  DA  POSTAGEM  =====


terça-feira, maio 09, 2023

 

PROGRAMAS DE AUDITÓRIO

Na época áurea do rádio, houve vários programas de auditório que atraíam multidões, fossem meros espectadores ou fãs dos artistas que se iriam apresentar. Vários desses programas migraram posteriormente para a TV. Vamos listar alguns. Não vou citar os mais óbvios de todos, os programas do Chacrinha, de farto conhecimento público.

 

1) PROGRAMA CÉSAR DE ALENCAR

Era um dos mais famosos. Hermelindo César de Alencar Mattos começou a carreira em 1939, na emissora carioca Rádio Clube do Brasil. Mudou-se para a Rádio Nacional em 1945, atuando em narrações e comerciais e pequenas participações em novelas. Mas a fama veio quando em 1948 Paulo Gracindo saiu da rádio e César de Alencar passou a ter seu próprio programa, aos sábados.

A música de entrada do programa fez história: "Essa canção nasceu pra quem quiser cantar / Canta você, cantamos nós até cansar. / É só bater, e decorar / Pra recordar vou repetir o seu refrão / Prepara a mão / Bate outra vez / Este programa pertence a vocês".

O auditório lotava durante a apresentação do programa. Vide abaixo.



A foto abaixo mostra Cauby Peixoto cantando no programa.



Com o regime militar, César de Alencar foi injustamente acusado por adversários artísticos de dedurar dezenas de funcionários da Rádio Nacional. A partir daí sua carreira declinou.

 

2) PROGRAMA PAPEL CARBONO

Conduzido por Renato Floriano Murce, era um programa de calouros que revelou muitos cantores, como: Os Cariocas, Dóris Monteiro, Ângela Maria, Ivon Curi, Agnaldo Rayol, Roberto Carlos, Luiz Vieira, etc. Renato chamava os calouros de ilustres desconhecidos, tratava-os com muito respeito e procurava encaminhá-los na carreira artística.

Renato teve uma vida artística muito movimentada, passando por diversas emissoras de rádio. O programa foi inspirado num filme antigo assistido por Murce, que o adaptou para o rádio. Começou na Rádio Clube e depois migrou para a Rádio Nacional.



 

3) UM INSTANTE, MAESTRO

Lançado por Flávio Cavalcanti em 1952 na Rádio Nacional do RJ, foi levado para a TV Tupi em 1957. Com a ida de Flávio para a TV Rio em 1959, o programa saiu do ar, voltando em 1965 pela TV Excelsior e logo a seguir, em 1967, retornando para a TV Tupi.

Flávio selecionava lançamentos musicais da semana e dava sua opinião sobre eles. Os que não passavam pelo seu crivo tinham o disco quebrado ao vivo.



Posteriormente foi criado um grupo de jurados para julgar as músicas.


Com o tempo, o programa evoluiu para A Grande Chance (programa de calouros) e posteriormente para Programa Flávio Cavalcanti.

 

4) O CÉU É O LIMITE

Estreou em 1955 na TV Tupi de São Paulo, em seguida sendo repetido no Rio de Janeiro, onde o apresentador era João Silvestre, mais conhecido como J. Silvestre. Era um programa de perguntas. O candidato escolhia um tema e as perguntas se sucediam, cada vez mais difíceis. A cada pergunta, o candidato podia desistir ou continuar. A cada resposta correta, J. Silvestre imortalizou a frase "Resposta absolutamente certa".  



Patrocinado pela VARIG, J. Silvestre tinha como assistente a bela Ilka Soares.

A candidata mais famosa foi Leni Orcida Varela, na época com 23 anos e que respondia sobre Guerra Junqueiro visando angariar dinheiro para o casamento. Ela ficou com o apelido de Noivinha da Pavuna e conseguiu um bom prêmio, sendo sua união selada diante das câmeras, em 1969, com J. Silveste como padrinho.



 

5) CALOUROS EM DESFILE

Inicialmente transmitido pelo Ary Barroso. O calouro era submetido a uma série de perguntas que já o deixavam nervoso. Aí ele começava sua performance, que não necessariamente era música, podendo ser imitações, por exemplo. Se a performance não fosse boa, um imenso gongo era acionado. Os trajes do tocador do gongo variaram ao longo do tempo, mas costumavam ser de orientais ou africanos. Ele era apelidado de Macalé. Algumas vezes o candidato saía chorando do palco.





 =====  FIM  DA  POSTAGEM  =====

 

 

 

 

 

quinta-feira, maio 04, 2023

 

CONCURSO MISS BRASIL

Nesta postagem, vamos nos deter sobre os concursos desde 1900 até 1969. Dados e fotos obtidos da Internet.

1) INTRODUÇÃO

Entre os anos de 1900 e 1953 (inclusive ambos) não havia oficialmente um concurso de Miss Brasil. Além de não haver periodicidade definida, o próprio nome do concurso variava de uma edição para outra. Por simplicidade usaremos o termo Miss Brasil no texto referente a essa fase, embora não reflita a realidade. Essa fase é chamada de fase jurássica do concurso Miss Brasil.

Só no ano de 1954 foi criado oficialmente o concurso Miss Brasil.   

 

2) A FASE JURÁSSICA DO CONCURSO

 

PRIMEIRA MISS BRASIL

Violeta Lima Castro é considerada a primeira de todas as misses, eleita no ano de 1900. Como o certame foi patrocinado pelo jornal Rua do Ouvidor, só moças da alta sociedade do Rio de Janeiro podiam se inscrever.


SEGUNDA MISS BRASIL

Eleita em 1912, Noêmia Nabuco de Castro foi a vencedora do concurso patrocinado pelo jornal Gazeta de Notícias. Foi uma estratégia de marketing do jornal, que publicava um cupom a ser recortado, preenchido com o nome de qualquer jovem carioca, e a que recebesse mais indicações seria a vencedora.


 

A MAIS FAMOSA MISS DA FASE JURÁSSICA

A paulista Maria José Leone (mais conhecida como Zezé Leone) é considerada a primeira miss eleita em concurso organizado pela Revista da Semana e pelo jornal A Noite. O nome do concurso não era Miss Brasil e sim A Mulher Mais Bela do Brasil. Foram aceitas inscrições de moças de todo o país, independente da classe social. Zezé Leone, por exemplo, era filha de um alfaiate radicado em Santos. A seleção via fotos começou em 1921 e terminou em 1923.

Zezé Leone ficou tão famosa que teve busto esculpido em praça pública, virou nome de música, de doce e de locomotiva da Estrada de Ferro Central do Brasil.


A locomotiva fazia a linha Rio - São Paulo. Foi desativada em 1968, abandonada durante décadas, mas em 2008 a MRS Logística ficou de restaurá-la, o que foi feito. Atualmente está fixa na cidade de Santos Dumont (MG), ao lado do Centro Cultural. (vide foto da locomotiva abaixo).


Se alguém se interessar pelo doce Zezé Leone, a receita está em https://tinyurl.com/29vm6trv. Abaixo, foto do doce.

 

OUTRAS MISSES DESSA FASE

Abaixo, as fotos de algumas das misses desse período de concurso não-consecutivo.

A carioca Olga Bergamini de Sá venceu o certame em 1929. Em 1930 concorreu ao não-oficial Miss Universo, em Galveston, Texas.


Em 1930 o Brasil, revoltado com a derrota de Olga no Miss Universo do ano anterior, resolveu criar um Miss Universo brasileiro. Acredite quem quiser. A vencedora tanto do Miss Brasil quanto desse Miss Universo paralelo foi a gaúcha Yolanda Pereira.


Em 1932 não houve concurso de Miss Brasil por aqui. Então um grupo de jornalistas brasileiros radicados na França elegeu, em um restaurante, a Miss Brasil daquele ano. As candidatas eram jovens brasileiras residentes ou de passagem por Paris. Venceu o concurso a carioca Yeda Telles de Menezes.


Em 1939, por causa da guerra, não houve concurso Miss Universo, porém aqui foi levado a cabo o Miss Brasil, vencido pela carioca Vânia Pinto, considerada a primeiro modelo profissional brasileira.


Em 1949 ocorreu o último concurso dessa fase jurássica do Miss Brasil. Realizado no Hotel Quitandinha, a vencedora foi a goiana Jussara Marques. Em sua homenagem o distrito de Água Limpa, no estado de Goiás, foi renomeado para Jussara em 1950 e elevado a município em 1958. Uma versão controversa atribui também como homenagem à miss a denominação do município de Jussara, no Paraná, fato ocorrido em 1952.


 

3) FASE OFICIAL DO CONCURSO

Em 1954 e dali em diante, o concurso Miss Brasil passou a ser realizado anualmente. Os primeiros tinham lugar na boate do Palácio Quitandinha, em Petrópolis. A eleita do ano tinha a tarefa de representar o Brasil no concurso Miss Universo, criado dois anos antes nos EUA.

O patrocínio era dos maiôs Catalina, fabricados em Petrópolis sob licença da Catalina Swimwear, fundadora e patrocinadora dos concursos Miss Universo e Miss EUA desde sua criação.

A partir de 1955, os Diários Associados entraram na promoção e transmissão do concurso, que passou a ser o segundo evento mais assistido no país, perdendo apenas para os jogos da seleção brasileira de futebol. Com o passar dos anos, ele passou a ser considerado o mais bem organizado concurso dessa modalidade, no mundo.

No início da década de 1970 começou a derrocada do interesse do público nesse tipo de certame. Embora ele exista até hoje, ninguém mais lhe dá importância.

As linhas abaixo tratam das mais conhecidas misses dessa fase oficial do concurso.

1954 ==> venceu a baiana Maria Martha Hacker Rocha. Ficou em segundo lugar no Miss Universo, vencido pela americana Miriam Stevenson. Para consolar os brasileiros, o jornalista João Martins, de O Cruzeiro, em anuência com os demais jornalistas que cobriram o certame nos EUA, e com concordância da própria Martha Rocha, divulgou que ela havia perdido o concurso por apenas duas polegadas, embora ela posteriormente tivesse dito que nos EUA ninguém lhe havia tirado as medidas. Martha Rocha é até hoje a mais conhecida e cultuada Miss Brasil.


1957 ==> venceu a amazonense Terezinha Gonçalves Morango Pittigliani, nascida lá nos cafundós do Amazonas, próximo à fronteira tríplice Brasil x Colômbia x Peru. Tal como Martha Rocha, ficou em segundo lugar no Miss Universo, vencido pela peruana Gladys Zender.


1958 ==> venceu a carioca Adalgisa Colombo Teruzkin. Também ficou em segundo lugar no Miss Universo, vencido pela colombiana Luz Marina Zuluaga.


1963 ==> venceu a gaúcha Ieda Maria Vargas. Foi a primeira brasileira a obter o título de Miss Universo, aos 18 anos de idade.


1968 ==> venceu a baiana Martha Maria Cordeiro Vasconcellos, lutando o tempo todo contra os pais, que não aceitavam sua inscrição nesse tipo de concurso e que nem sequer a acompanharam aos EUA, onde ela se tornou a segunda e última brasileira a vencer o Miss Universo. Não era bem vista pelas suas damas de companhia, que a consideravam muito mimada. Em 2000 migrou de vez para os EUA, onde supervisiona uma ONG de combate à violência doméstica e a abusos sexuais no estado de Massachusetts, principalmente entre as brasileiras e portuguesas ali residentes, tendo recebido três prêmios por seu trabalho. Já trabalhou com recuperação de drogados, presidiários e terapia de portadores de HIV.


1969 ==> venceu a catarinense Vera Fischer, filha de uma brasileira neta de alemães e de um comerciante alemão, que Vera diz ter sido nazista convicto e que era agressivo com ela e a obrigava a ler Mein Kampf. Vera só falava alemão até os cinco anos de idade. Aprendeu português apenas quando entrou na escola. Venceu o Miss Brasil porém não podia participar do Miss Universo porque tinha apenas 17 anos. Então resolveu falsificar seus documentos e garantiu a participação no concurso internacional. Só recentemente fez o ajuste. Sua carreira artística dispensa comentários.



=======  FIM    DA    POSTAGEM  =======

 

 

 

 

 

 

segunda-feira, abril 24, 2023

 

POT-POURRI DE MARIAS

Esta postagem lista uma série de pessoas e personagens conhecidas por terem a palavra "Maria" no seu nome, real ou não. Nenhum critério de escolha foi adotado. A lista foi surgindo conforme eu ia me lembrando de quem a poderia compor. As informações obtidas foram muito condensadas, para não alongar demais a postagem, eis que todas as Marias possuem extensíssimo currículo.

 

1) ÂNGELA MARIA


Nascida Abelim Maria da Cunha (13/05/1929 - 29/09/2018), celebrizou-se na chamada Era do Rádio. Seu pai era pastor evangélico, e Ângela desde criança cantava no coral de uma igreja Batista próxima de casa. Por volta de 1948 apresentou-se várias vezes no programa de calouros Pescando Estrelas, onde sempre tirava nota máxima. Depois foi cantar no Dancing Avenida e na Rádio Mayrink Veiga. Em 1951 gravou seu primeiro disco e sua carreira deslanchou. Em 1954 gravou seu primeiro álbum de estúdio, A Rainha Canta. Foto abaixo.


Um dos seus primeiros sucessos foi a canção Babalu, de autoria da compositora e cantora cubana Margarita Lecuona, composta no início dos anos 1940. A letra é em espanhol. "Babalu-ayê", palavra repetida várias vezes na letra, corresponde ao orixá Obaluaê.

Ângela teve uma vida sofrida, mas aos cinquenta anos encontrou o amor na pessoa de Daniel d'Ângelo, de dezoito anos, e com ele viveu até o fim de seus dias, em 2018.

 

2) MARIA BONITA

 

Maria Gomes de Oliveira (17/01/1910 - 28/07/1938) foi uma cangaceira, companheira de Virgulino Ferreira da Silva, o famoso Lampião.

Aos 15 anos casou-se com seu primo Zé de Neném, por arranjo familiar. O marido era alcoólatra e adúltero contumaz e agredia constantemente Maria, quando ela reclamava de suas infidelidades. Por vingança, passou a também trair o marido, até que em 1929 conheceu e se apaixonou por Virgulino, quando então seu casamento ruiu de vez, embora legalmente ainda fosse esposa de Neném.

No mesmo ano, resolveu fugir de vez com Virgulino, entrando para o bando de cangaceiros por ele chefiado, onde era conhecida como Maria da Déa (apelido de sua mãe) ou Maria do Capitão.


 Há muito romantismo e ficção na história dos cangaceiros, pintados como Robin Hoods tropicais. Na verdade, eram extremamente cruéis, matando, estuprando e roubando a população dos vilarejos que invadiam. Abaixo, foto do bando de Lampião.


Maria usava joias roubadas por Lampião e o mesmo perfume francês que ele. Portava um revólver Colt .38" e um binóculo alemão, com o qual espionava previamente as cidades a serem atacadas pelo bando. Também portava um punhal de 32cm, feito de prata, marfim e ônix.

Em 1931 teve uma filha de Lampião, de nome Expedita Gomes de Oliveira Ferreira, entregue a um casal de vaqueiros amigos para ser criada. Foto atual de Expedita.


Na manhã do dia 28/07/1938, enquanto se preparava para o desjejum, o bando foi emboscado pela polícia armada oficial, conhecida como volante. Maria foi morta a tiros e degolada por José Panta de Godoy, o mesmo que nela havia atirado. Lampião também teve o mesmo fim, degolado.

O apelido de Maria Bonita somente surgiu após sua morte. A origem do mesmo é controversa.

 

3) MARIA ESTHER BUENO


Maria Esther Andion Bueno (11/10/1939 - 08/06/2018) começou sua carreira esportiva aos seis anos de idade, no Clube de Regatas Tietê, do qual era vizinha. Seu pai queria que ela estudasse balé. Inicialmente disputou com sucessos algumas provas de natação, na modalidade 50 metros livre, mas sua paixão era o tênis.

Aos 11 anos disputou seu primeiro campeonato de tênis; aos quatorze, venceu o Campeonato Brasileiro Infantil e dois meses depois o Brasileiro de Adultos. Em 1955, aos dezesseis anos, conquistou em dupla a medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos do México.

Entre 1956 e 1959 venceu cerca de 35 torneios, simples ou em dupla, em vários países.

Em 4 de julho de 1959 ganhou o primeiro título de simples num torneio do Grand Slam, em Wimbledon, pondo fim a 21 anos de supremacia norte-americana naquele gramado. Como preêmio, ganhou um voucher de 15 libras, para trocar por munhequeira e meia, pois o torneio era amador. No mesmo ano venceu o atualmente denominado US Open, sendo considerada a melhor tenista do mundo pela Federação Internacional.


Em 1964, ao vencer a partida final do US Open em apenas 19 minutos, entrou para o Guinness Book of Records.

Acostumada a treinar com homens, Maria Esther adquiriu uma técnica diferente de jogar o tênis feminino. A forma como "deslizava" na quadra lhe rendeu o apelido de Bailarina do Tênis. Abaixo, foto dela em ação.


Suas vitórias foram tantas que não é possível enumerar aqui. Também teve vários problemas de saúde: hepatite em 1961, contusão no joelho em 1965 e finalmente epicondilite, também conhecida como cotovelo de tenista, por jogar durante mais de 10 horas seguidas em partidas de duplas e duplas mistas em Wimbledon, em 1967. Sua carreira brilhante teve uma interrupção em 1968.

Na década de 1970 voltou a jogar, após uma longa série de cirurgias, porém já sem o brilho de antes.

Em 1977 encerrou de vez a carreira.

No ano seguinte teve seu nome incluído no exclusivíssimo International Tennis Hall of Fame, sendo a primeira sul-americana a merecer essa honra. No mesmo ano teve sua estátua em cera inaugurada no famoso museu de Madame Tussauds. Foi eleita a melhor tenista latino-americana do Século XX por jornalistas do mundo todo.

 

4) MARIA THEREZA FONTELLA GOULART


Nasceu em 23/08/1936, em São Borja, filha de imigrantes italianos. Era vizinha da casa de João Goulart (Jango), tendo-o conhecido aos 14 anos de idade, mas não se interessou por ele à primeira vista, eis que não imaginava poder ter algum relacionamento com alguém tão importante. Somente após haver terminado seus estudos começou a se relacionar afetivamente com Jango, então Ministro do Trabalho.

Casaram-se em 26/04/1955, quando Jango concorria a vice-presidente do país. Em 1956 tornou-se a mais jovem segunda-dama do Brasil, aos 19 anos de idade, ao ser Jango eleito como vice de Juscelino Kubitschek e posteriormente de Jânio Quadros.

Quando Jango se tornou presidente, ela ficou sendo a mais jovem primeira-dama do país, aos 25 anos de idade. Foi considerada pela revista People como uma das dez mais belas primeiras-damas do mundo, e pela revista Time uma das nove Belezas Reinantes mundiais, ao lado de Jacqueline Kennedy, Grace Kelly e Farah Diba.

Participou ao lado do marido do famoso comício de 13/03/1964, um dos motivos deflagradores do golpe militar que se seguiu semanas depois.


Após a deposição de Jango, a família exilou-se no Uruguai e posteriormente na Argentina, onde Jango morreu em 06/12/1976. Em 15/11/2008 ela e Jango receberam anistia e ela passou a ter direito a um salário mensal correspondente ao de um advogado sênior, pois Jango era bacharel em direito. Também recebeu valor retroativo referente a esse salário e uma indenização por ter sido impedida de voltar ao Brasil por quinze anos.

 

5) MARIA BETHÂNIA


Maria Bethânia Viana Teles Veloso (18/06/1946), embora tenha várias habilidades artísticas, é mais conhecida como cantora. Irmã do cantor e compositor Caetano Veloso, teve seu nome escolhido por ele, baseado na valsa Maria Betânia, do compositor Capiba, grande sucesso na época na voz de Francisco Alves.

Na juventude participou de várias peças teatrais junto com Caetano Veloso. Seu sonho era ser atriz. Em 1963 mudou-se para o Rio de Janeiro e foi convidada pelo irmão para cantar algumas faixas da trilha musical da peça Boca de Ouro, de Nélson Rodrigues, sendo este seu primeiro trabalho profissional com a música.

Em 13 de fevereiro de 1965 iniciou sua carreira musical ao substituir Nara Leão no espetáculo Opinião. No mesmo ano gravou seu primeiro álbum, de nome Maria Bethânia. Algumas das músicas eram: Carcará, Mora na Filosofia, Feitio de Oração. Foto abaixo.


Sua discografia é muito extensa, com 34 álbuns gravados em estúdio, 22 ao vivo e dezenas de participações em trilhas sonoras de filmes e novelas, além de colaborações com outros artistas. Durante sua carreira vendeu mais de 26 milhões de álbuns, sendo uma recordista no Brasil.

Na maior parte das vezes apresenta-se com cabelos soltos, vestidos longos e descalça. Já foi fruto de imitação por diversos comediantes, entre os quais Tom Cavalcante.

Não costuma dar entrevistas, exceto quando do lançamento de um álbum. Diz que sua vida particular não interessa, pois o que ela tem a mostrar o faz no palco.

 

6) CAROLINA MARIA DE JESUS


Carolina Maria de Jesus (14/03/1914 - 13/02/1977) nasceu numa comunidade rural de Sacramento, interior de Minas Gerais, filha de pais analfabetos. Este texto é extremamente resumido, eis que a vida de Carolina foi um nunca acabar de sofrimentos, mudanças de moradia e altos e baixos financeiros.

Estudou apenas até o segundo ano primário, o suficiente para aprender a ler e escrever, tendo desenvolvido o gosto pela leitura.

Em 1937 sua mãe morreu e ela se mudou para São Paulo, onde construiu sua própria casa com papelão, lata, madeira e o que mais pudesse encontrar. À noite saía para catar papel e vender o resultado da coleta, para conseguir dinheiro.

Em 1947 mudou-se para a favela do Canindé e se empregou na casa do famoso médico cardiologista Euryclides de Jesus Zerbini, aproveitando para ler os livros de sua biblioteca nos dias de folga. Ao ter seu primeiro filho, em 1949, perdeu o emprego e voltou a ser catadora.

Passou a registrar, nos cadernos que encontrava jogados fora, o cotidiano da comunidade onde morava. Eram mais de vinte cadernos. O conteúdo de um deles originou o livro Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada. Foto abaixo.


Publicado em 1960, a tiragem inicial de 10 mil exemplares se esgotou em uma semana. Desde sua publicação, o livro foi editado em quatorze idiomas e vendeu mais de um milhão de exemplares.

A publicação do livro gerou a raiva e inveja dos vizinhos, que a acusaram de expor suas vidas sem autorização. Chegaram a jogar nela e nos seus três filhos o conteúdo de penicos.

Em 1961 foi lançado o disco Quarto de Despejo: Carolina Maria de Jesus cantando suas composições, com músicas de sua autoria. Foto abaixo.


Em 1962 e 1963 o livro foi publicado nos EUA por três editoras diferentes, sendo que só de uma delas vendeu 300 mil exemplares, o que daria direito a que ela recebesse mais de 150 mil dólares. Não existe registro de que ela tenha recebido uma parte substancial disso, embora  periodicamente lhe fossem pagos alguns caraminguás a título de direitos autorais.

Após a publicação do livro, Carolina e os filhos mudaram-se primeiro para Santana, bairro de classe média em São Paulo, e depois para Parelheiros, onde residências ricas eram vizinhas de casebres. Parou então de receber os direitos autorais e ela e os filhos voltaram a catar garrafas e papéis. No terreno de sua casa ela cultivava algumas verduras e vendia esses produtos a uma comerciante local. Em Parelheiros sua vida era melhor do que no Canindé, porém muito abaixo do mínimo decente.

Ao longo da vida, além de coletar material pelas ruas e escrever livros, fez faxina, lavou roupas para fora e deu aulas de alfabetização.

Morreu de complicações de asma, doença que portava desde o nascimento.


7) MARIA LENK



Maria Emma Hulga Lenk Zigler  (15/01/1915 - 16/04/2007) começou a nadar aos 10 anos de idade, após uma pneumonia dupla, pois seus pais acharam que a natação seria boa para ela. Por incrível que pareça, praticava nas águas do Rio Tietê, na época ainda sem poluição.

Entre 1932 e 1935 venceu quatro vezes a tradicional Travessia de São Paulo a Nado. Aos dezessete anos já era nadadora de nível internacional, tendo sido a primeira mulher sul-americana a competir nos Jogos Olímpicos de 1932, em Los Angeles. Ela e outros 68 atletas custearam a viagem vendendo o café que haviam levado a bordo. Competiu com um uniforme emprestado, devolvido ao final das provas.  

Jamais ganhou medalhas em Olimpíadas, porém é considerada pioneira da natação moderna, ao introduzir o nado borboleta numa competição de nado de peito,  realizada em 1936, em Berlim, nos Jogos Olímpicos de Verão.

Quebrou dois recordes mundiais em 1939, nos 200 e 400m nado de peito, nos jogos preparativos para as Olimpíadas de Tóquio de 1940, que não foram realizadas em virtude da eclosão da II Guerra Mundial.

Em 1942 ajudou a fundar a Escola Nacional de Educação Física da então Universidade do Brasil, atual UFRJ.

Até hoje ainda detém vários recordes mundiais de masters, tendo entrado para o International Swimming Hall of Fame da Federação Internacional de Natação em 1988, quando foi incluída nos Top Ten por ser um dos 10 melhores nadadores master do mundo.

Em 2000, no campeonato mundial da categoria 85-90 anos de idade, voltou de Munique com cinco medalhas de ouro, sendo a vencedora nas categorias 100 metros peito, 200 metros livre, 200 metros costa, 200 metros medley e 400 metros livre.

Em 2007 a Prefeitura do Rio de Janeiro batizou de Maria Lenk o Parque Aquático preparado para os Jogos Pan-Americanos daquele ano.

Em 20 de julho de 2002 foi considerada a Patrona da Natação Brasileira.

Até o fim da vida nadava 1500 metros diariamente.

 

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