Contador de visualizações

Contador de visualizações: até hoje contador de visualizações

quarta-feira, setembro 06, 2023

 

GOLEIROS DO PASSADO 

(Postagem 2 de 2)

Esta postagem é uma continuação daquela de ontem.

 

1) POMPÉIA


José Valentim da Silva nasceu em Itajubá (MG), em 27 de setembro de 1934.

Iniciou a carreira como centroavante num clube da segunda divisão de Itajubá, formado por funcionários da fábrIca de material bélico com sede naquela cidade. Mais tarde, ainda como centroavante, passou para o São Paulo, da mesma cidade. Um dia o goleiro do clube não pode jogar e José o substituiu com brilhantismo, chamando a atenção de todos. Tempos depois, numa partida contra o Bonsucesso do Rio de Janeiro, o juiz da partida, olheiro do clube carioca, se entusiasmou com ele e convidou-o para vir jogar no Bonsucesso, onde assinou contrato em primeiro de abril de 1953, por 3 mil cruzeiros.

No ano seguinte transferiu-se para o América, onde permaneceu por onze anos.

O apelido Pompéia veio da infância, quando gostava de desenhar os personagens Popeye e Olívia Palito. Os seus colegas, com dificuldade de pronunciar Popeye, chamavam-no de Pompéia. O apelido pegou.

Ele trabalhou num circo, onde aprendeu as técnicas de impulsão que o tornaram famoso posteriormente.

Fazia defesas espetaculares e espetaculosas. As más línguas o consideravam presepeiro. Fazia a alegria da torcida quando atuava.

Waldir Amaral apelidou-o de Constellation, um modelo de avião que fazia sucesso na época. Outros apelidos vieram: Ponte Aérea (novidade na época), Caravelle (um modelo de avião, por sinal muito bonito) e Fortaleza Voadora.  

Abaixo, algumas das fantásticas defesas de Pompéia.



Saindo do América, jogou pelo São Cristóvão, o Galícia (de Salvador), o Clube do Porto e o Desportivo Português. Em 1969, num jogo entre esse clube e o Real Madrid, defendeu uma bola difícil, que no rebote foi chutada pelo famoso Di Stefano. A bola pegou na sua cabeça e em consequência perdeu uma vista e teve a outra prejudicada, forçando-o a abandonar o futebol.

Deprimido, sentindo-se só e perdido, voltou-se para a bebida e morreu em 18 de maio de 1996, num quarto de manicômio.

 

2) CASTILHO

Carlos José Castilho nasceu no Rio de Janeiro, em 27 de novembro de 1927.

Antes de entrar para o futebol, foi carvoeiro, padeiro e leiteiro. Foi um dos melhores goleiros do futebol brasileiro e considerado o melhor goleiro tricolor de todos os tempos. Era grande defensor de pênaltis (em 1952, pegou seis deles). Daltônico, dizia ser favorecido por ver como vermelhas as bolas amarelas, mas era prejudicado quando as bolas eram brancas, na época usadas em jogos noturnos.

Conta-se que em 1950 um leiteiro ganhou duas vezes na loteria (uma a de São João e outra a de Natal), e em virtude disso "leiteiro" passou a ser sinônimo de sortudo. Como Castilho tinha muita sorte ao defender bolas incríveis, as pessoas passaram a dizer que ele não era leiteiro, e sim o dono da leiteria. Daí o apelido de Leiteria que lhe deram.

Jogou pelo Fluminense de 1946 a 1965, num total de 698 partidas, tendo sofrido 777 gols e disputado 255 partidas sem sofrer nenhum gol.

Em 1957, tendo contundido o dedo mínimo esquerdo pela quinta vez, o médico do clube disse que ele deveria se afastar durante dois meses dos jogos, para tratamento. Castilho optou então por amputar o dedo e duas semanas depois estava novamente em ação.


Participou de quatro Copas do Mundo: 1950, 1954 e campeão em 1958 e 1962.

Em 2006 o Fluminense inaugurou um busto ao famoso goleiro na entrada da sede social do clube.

Depois de abandonar o gramado foi técnico de vários clubes.

Suicidou-se em 2 de fevereiro de 1987, aos 59 anos, jogando-se de uma janela após visitar a ex-esposa. O motivo do suicídio nunca foi esclarecido.

 

3) GARCIA

Sinforiano Garcia era paraguaio, tendo nascido em Puerto Pinasco, em 22 de agosto de 1924.

Iniciou a carreira como amador em 1939, no Club Olímpia de Assunção. Passou para o Atlético Corrales em 1944 e em seguida para o Cerro Porteño. Em 1949, após dois jogos da seleção paraguaia contra a brasileira, chamou a atenção de dirigentes do Flamengo e naquele mesmo ano foi contratado no rubronegro.

A estreia de Garcia no Flamengo ocorreu num amistoso contra o Arsenal, da Inglaterra, no estádio de São Januário, em 30 de maio de 1949. O Flamengo venceu por 3 x 1.

Em virtude de fratura de clavícula, Garcia não pode disputar o campeonato de 1950. Conquistou o tricampeonato carioca em 1953, 1954 e 1955.

Foi o segundo goleiro estrangeiro no Flamengo, sendo precedido por José Tunel Caballero, em 1937, que disputou apenas 18 partidas.

Defendeu o arco rubronegro por 276 vezes, entre 1949 e 1958. Foi o segundo estrangeiro com maior participação em jogo, perdendo apenas para Modesto Bria, com 369 atuações.


Encerrou a carreira como goleiro do Flamengo em 1958, tendo depois atuado no Canto do Rio e como treinador no Cerro Porteño e no Coritiba Foot-Ball Club.

Faleceu em 29 de maio de 1992.

 

4) UBIRAJARA

Ubirajara Gonçalves Motta nasceu em 4 de setembro de 1936, no Rio de Janeiro.

Começou como ponta-direita no Esporte Clube Simas. Já como goleiro, foi para o Deodoro Futebol Clube, na Vila Militar. Fazia grande sucesso na época.

Por insistência de um amigo, fez um teste no Bangu, em 1951, aos 15 anos de idade, tendo sido sagrado campeão naquele mesmo ano na categoria Infanto Juvenil. Já na categoria Juvenil, sagrou-se campeão carioca nos anos de 1952 e 1953.

Em 1955 passou para a categoria de Aspirantes e no ano seguinte foi para o quadro principal. Em 1957 virou reserva do goleiro Ernâni. No ano seguinte este brigou com a diretoria do clube e Ubirajara tomou seu lugar dali em diante. 

No Bangu atuou em 539 jogos, vencendo 287, empatando 135 e perdendo 117. Sofreu 541 gols.

Atuou no Bangu até 1968, quando se transferiu para o Botafogo, onde ficou até 1971.

De 1972 a 1977 jogou pelo Flamengo, tendo vestido a camisa rubronegra apenas 40 vezes. Ali encerrou sua carreira.

Tornou-se empresário e presidiu a Fundação de Garantia do Atleta Profissional (FUGAP). Morreu em 24 de outubro de 2021, aos 85 anos de idade, de causas naturais.

 

5) CARLOS ALBERTO

Carlos Alberto Martins Cavalheiro nasceu no bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro, em 25 de janeiro de 1932.

Entrou para o Vasco da Gama na categoria de juvenil em 1948 e atuou no time até 1957. Foi campeão carioca em 1952 e 1956, conquistou a Copa Rio de Janeiro em 1953, o Troféu de Paris em 1957 (na época considerado um Mundial de Clubes)  e o Troféu Teresa Herrera também em 1957. Foi o primeiro goleiro brasileiro a participar de uma olimpíada, em Helsinque, no ano de 1952. Também participou da olimpíada de 1960, em Roma, além dos Jogos Pan-Americanos de 1959, quando recebeu medalha de prata.


Por ser militar da ativa da Aeronáutica, não podia ter contrato profissional nos clubes, jogando sempre como amador.

Logo no início de sua carreira no Vasco aconteceu um episódio curioso: no Tornerio Rio - São Paulo, Barbosa era o goleiro em campo. No intervalo da partida o Vasco o substituiu pelo reserva Ernâni. Porém este se contundiu aos 20 minutos de peleja. Carlos Alberto estava assistindo ao jogo na arquibancada. Os altofalantes do Maracanã o convocaram, a pedido dos dirigentes vascaínos. Carlos Alberto desceu, vestiu a camisa e defendeu o gol até o fim do jogo. Teve bela atuação e garantiu o placar de 2 x 2, já existente quando de sua entrada em campo.

Em 1958, transferido para São Paulo pela Aeronáutica, migrou para a Portuguesa de Desportos, onde jogou de 1958 até 1960.

Foi um dos quatro goleiros convocados por Vicente Feola nos preparativos para a Copa do Mundo de 1958.

Morreu em 29 de junho de 2012, aos 80 anos de idade, no posto de Brigadeiro da Aeronáutica.

 

6) ADALBERTO

Adalberto Leite Martins nasceu em São Paulo em 23 de abril de 1931.

Começou a jogar como goleiro no Esporte Clube Cocotá, da Ilha do Governador, em 1946. Em 1948 entrou para o time de juvenis do Fluminense. Em 1952 tornou-se reserva imediato de Castilho e Veludo. Disputou 62 jogos pelo tricolor, sendo 51 como titular, nas várias categorias. O primeiro jogo foi em 18 de abril de 1950 e o último em 27 de março de 1955.

A foto abaixo é do time de aspirantes do Fluminense, ano de 1953.

Em julho de 1955 foi para o Jabaquara, de Santos. Destacou-se no Torneio Rio - São Paulo de 1957, disputado no primeiro semestre, e em 10 de maio daquele ano passou para o Botafogo, jogando a primeira partida em 14 de julho, quando o alvinegro conquistou o primeiro campeonato pós-Maracanã.

Pela equipe principal do alvinegro disputou 81 partidas. Seu último jogo pelo Botafogo foi em 3 de outubro de 1962. 

Ao perceber que seria difícil continuar a carreira tendo como postulantes Manga, Ernâni e Ari Jório, resolveu se tornar funcionário do clube e virou Auxiliar Técnico do treinador Paraguaio.

Exerceu algumas outras funções ligadas ao desporto, já fora do Botafogo.

Morreu em 6 de abril de 2019, aos 87 anos de idade.


*************************************

RESUMO E ESTATÍSTICAS


Certos valores das estatísticas abaixo variam, de acordo com a fonte consultada. Escolhi as que julguei mais confiáveis. Posso ter errado. Há muitas lacunas porque não consegui dados de mesmo teor nas fontes que pesquisei.



-------  FIM  DA  POSTAGEM  --------

 

 

 

 

 

 

sábado, agosto 19, 2023

 

MICROCOMPUTADORES ANTIGOS

Provavelmente todos vocês já usaram microcomputadores. Mas poucos talvez tenham visto ou utilizado os modelos mais antigos. O texto abaixo é extremamente reduzido, para não ocupar muitas linhas nos seus celulares, desestimulando a leitura. Apenas o primeiro computador de cada fabricante consta da postagem. Sorry.

 

1) O PRÉ-REQUISITO

Os micros surgiram a partir do momento em que o circuito integrado e o microprocessador foram inventados, permitindo fabricar CPU´s (Central Processing Unit) bastantes compactas, substituindo as válvulas e os transistores dos primeiros computadores.

O primeiro microprocessador foi o Intel 8080, posteriormente sucedido pelo 8800.

 

2) ALTAIR - O PRIMEIRO MICRO

O primeiro micro foi o ALTAIR, produzido em 1975 pela MITS (Micro Instrumentation Telemetry Systems). Ele era vendido na forma de kit através da revista Popular Electronics e sua aceitação surpreendeu os projetistas. O nome foi escolhido pela filha de um dos projetistas, com base no nome da estrela à qual se dirigia a nave da série Jornada nas Estrelas. A história desse micro é muito interessante, cheia de altos e baixos e engraçada, e pode ser lida em https://pt.wikipedia.org/wiki/Altair_8800.

Abaixo, foto do ALTAIR 8800.



3) TRS-80 - O SEGUNDO MICRO

Em 1977 foi lançado o TRS-80 Modelo I, abreviação dos nomes da fabricante Tandy Corporation e de sua distribuidora Radio Shack, e que usava o microprocessador Z80. O micro possuía um teclado e um monitor e custava na época US$ 600. Em 1979 ele tinha a maior seleção de softwares do mercado.


4) COMMODORE PET

PET é a abreviação de Personal Electronic Transactor e foi o primeiro modelo lançado pela empresa Commodore, em 1977. Não fez sucesso entre o público, sendo mais usado com fins educacionais no Canadá, EUA e Reino Unido, mas foi a base para futuros modelos de sucesso da Commodore, como o VIC-20 e o 64.

Abaixo, o Commodore PET. Notem que ele tem um compartimento para fita cassette.

 

5) APPLE II

Foi lançado em 10 de junho de 1977. Tinha compartimentos para duas fitas cassette de áudio e saída NTSC para um monitor ou para televisão através de um modulador RF. O preço variava de US$ 1,298 para a versão com 16kB de memória a US$ 2,638 para a versão com 48kB de memória.



6) ATARI 400

Lançado em 1979, destinava-se a crianças. Possuía um compartimento para cartucho, uma saída para TV, um gravador de cassette e um drive de disquete externo.

 7) IBM PC

Lançado em 12 de agosto de 1981. Internamente na IBM tinha o código IBM 5150, mas popularizou-se com o nome IBM PC, de Personal Computer. Ele iniciou a temporada de usar componentes fabricados por outras empresas, modelo adotado até hoje por todos os fabricantes de micros. O preço inicial era US$ 1,565.

Tinha placa de vídeo CGA para que se usasse TV como monitor. A memória máxima era 256kB. Usava como dispositivo de armazenamento fitas cassette.

Foi um fracasso para uso doméstico. Porém, usando um clone da planilha eletrônica VisiCalc, sob o nome Lotus 1-2-3, fez enorme sucesso entre os gerentes de empresas que tinham de lidar com cálculos. Muitos compraram o micro com dinheiro do próprio bolso.


8) MACINTOSH

Lançado em 24 de janeiro de 1984, era muito caro: US$ 2,495. Tinha 128kB de memória. A interface era totalmente gráfica, o que não permitia o uso dos programas então disponíveis no mercado, que funcionavam por linha de comando. Eles tiveram de ser adaptados, motivo da pouca disponibilidade de programas para o Macintosh no início.

O nome deriva de McIntosh, um tipo de maçã apreciado por Jef Raskin, que iniciou o projeto do citado computador e criou sua interface gráfica.

 9) COMPAQ DESKPRO 386

Lançado em 9 de setembro de 1986. Foi o primeiro a usar o microprocessador Intel 80386. Custava incríveis US$ 6,499.




----------------------------------------------

Encerramos por aqui a lista de computadores de mesa. Agora vamos apresentar os primeiros modelos de laptops.

 

1) IBM 5100

Lançado em setembro de 1975. Tinha um teclado, um monitor de 5 polegadas e uma unidade de fita cassette. Era do tamanho de uma valise pequena, pesando em torno de 25 kg e podia ser transportado numa caixa com rodízios, daí o apelido "portátil".

Embora o IBM 5100 pareça grande para os padrões de hoje, em 1975 era uma incrível realização técnica colocar um computador completo, com uma grande quantidade de memória ROM e RAM, monitor e uma unidade de fita numa embalagem tão pequena

 

2) OSBORNE 1

Lançado em 10 de abril de 1981, foi o primeiro computador portátil a fazer sucesso. Custava US$ 1,795. Pesava 12 kg e tinha uma tela de 5 polegadas. Foi o primeiro computador a ser vendido com softwares: editor de textos WordStar, planilha SuperCalc e linguagens CBASIC e MBASIC.

Abaixo uma foto mostrando o computador aberto e fechado sendo transportado.


3) EPSON HX-20

Lançado em 1982, visava vendedores e pesquisadores, não sendo adequado para o uso corporativo. Tinha uma tela LCD, um compartimento para gravador cassette, uma pequena impressora e podia usar um gravador de microcassette embutido na lateral do computador. Era alimentado a bateria e pesava menos de 2 kg.

4) GRID COMPASS

Lançado em 1982, chegou a ser usado no ônibus espacial Discovery, em 1985. Não consegui obter maiores informações sobre o computador.


 5) GAVILAN SC

Lançado em 1983, é considerado o primeiro computador portátil comercializado como laptop. Tinha uma tela, um compartimento para disco flexível e uma impressora podia ser acoplada na traseira. Nas fotos abaixo, ele aberto e fechado.



-----------  FIM  DA  POSTAGEM  -----------

 

 

 

 

 

sábado, agosto 12, 2023

 

COMPUTADORES ANTIGOS (MAINFRAMES)

Esta postagem trata de um assunto desconhecido da imensa maioria dos visitantes e é a primeira de um conjunto relativo a computadores antigos. O alvo são os mainframes, computadores de grande capacidade de processamento usados em empresas e instituições de pesquisa. O texto é um resumo do resumo do que se pode dizer a respeito dos mainframes, e deixa de lado vários modelos que um dia existiram, focando mais nos que se tornaram sucesso de mercado ou que foram os precursores da espécie..

 

1) MAINFRAMES DE PRIMEIRA GERAÇÃO

Esses computadores usavam válvulas, o que gerava alta temperatura e consumo excessivo de energia elétrica, além de outros problemas. A programação era feita diretamente neles ou através da leitura de fitas de papel, parecidas com as usadas em teletipos. Vejamos alguns dos tipos de mainframe dessa geração.

 

1.1) COLOSSUS


O Colossus é considerado o primeiro computador eletrônico programável, embora isso fosse feito através de plugues e chaves, e não por programas armazenados. O protótipo do Colossus, denominado de Mark I, foi construído em 1943 pela Inglaterra e entrou em operação no início de 1944, como parte do esforço de decriptar as mensagens enviadas pela Wehrmacht durante a II Guerra Mundial. Esse assunto por si só merece muitas horas de leitura. Recomendo.

O Mark II entrou em operação em junho de 1944, na época do desembarque aliado na Normandia. Até o fim da guerra já havia dez Colossi em operação e um décimo primeiro em construção.

A foto mostra apenas parte do Colossus. Ele era formado por duas seções de 5,50 metros de comprimento por 2,30 metros de altura. Usava 2.400 válvulas. Por conta delas, o Colossus raramente era desligado: a quantidade de calor gerada no momento de ativação da máquina poderia fritar todos os circuitos e estourar as válvulas do aparelho, algo que seria muito custoso. Por isso o computador passava meses inteiros ligado – e quando tinha que ser reiniciado o processo era feito o mais lentamente possível.

Ele era considerado tão secreto que todos eles foram desmontados em peças pequenas na década de 1960, para não permitir inferir seu funcionamento. Todas as informações de projeto foram queimadas, incluindo as plantas e desenhos. Só na década de 1970 se soube da existência dos Colossi.

 

1.2) ENIAC


O ENIAC (Electronic Numerical Integrator and Computer) entrou em operação em 14 de fevereiro de 1946, na Universidade da Pensilvânia. Tinha 40 gabinetes, com 100 mil componentes e 17 mil válvulas. Pesava 27 toneladas, tinha 24,40 metros de comprimento e ocupava 170 metros quadrados. A temperatura ambiente, apesar dos inúmeros ventiladores, chegava às vezes a 67 graus centígrados.

Sua programação era feita por fios e interruptores. Como tinha sido projetado para resolver cálculos de artilharia, quando uma nova exigência surgia sua reprogramação era muito lenta, tarefa executada por um grupo de mulheres, como se vê na foto abaixo. Por sinal, elas e mais cinco homens participaram do projeto do ENIAC.



 1.3) UNIVAC

O UNIVAC (Universal Automatic Computer) entrou em operação em 1951. Foi o primeiro computador produzido em grande escala. Era programado por 6.000 chaves e conectando-se cabos a um painel. Usava 5.200 válvulas, 18.000 diodos de germânio, consumia 125kW e pesava 13 toneladas. Juntamente com os periféricos, ocupava 35 metros quadrados. Quando era ligado, as luzes da vizinhança momentaneamente diminuíam de brilho. Os projetistas do UNIVAC foram os mesmos do ENIAC.

Abaixo, foto de uma instalação com o primeiro modelo do UNIVAC. O computador é aquele grande armário ao fundo.



A console do operador é mostrada na foto abaixo.

O UNIVAC custava na época entre US$ 1,250,000 e US$ 1,500,000. No Brasil, ele foi um dos primeiros computadores adquiridos, no caso pelo IBGE em 1961, ao preço de US$ 2,976,351 incluindo alguns periféricos e acessórios, com a finalidade de ser usado no censo demográfico.

 

1.4) ElectroData 205 e 220


O ElectroData 205 foi lançado em meados dos anos 1950. Era um computador de custo relativamente baixo, porém usava válvulas e era de processamento lento. Mesmo assim, fez muito sucesso. Foi sucedido pelo ElectroData 220, o último computador fabricado e lançado no mercado usando ainda válvulas, numa época em que outros fabricantes já usavam transistores. Em virtude disso, não teve muita aceitação. A ElectroData foi então comprada pela Burroughs.

A foto abaixo mostra um 205 comprado pela PUC-RIO e entrado em operação em 13 de junho de 1960. Ocupava uma sala inteira, pesava 1 tonelada e usava 3500 válvulas. Consumia 70 kVA. A PUC teve de construir um sistema de ar condicionado exclusivamente para ele. Tinha 16 kB de memória. Um operador está sentado diante da console do computador, que está fechado e parece ser aquele armário ao fundo.


Abaixo uma animação da console do computador.


 

2) MAINFRAMES DE SEGUNDA GERAÇÃO

Estes já usavam transistores em seus circuitos, o que implicava em menor tamanho, menos consumo de energia elétrica e menos aumento de temperatura ao operarem. Já aceitavam programas em algumas linguagens ainda rudimentares. Esses programas eram codificados em folhas de papel apropriadas, perfurados em cartões em máquinas destinadas a isso e lidos por leitoras de cartão, que alimentavam o programa para execução pela CPU.

Com a popularização do uso de computadores por empresas, já não fazia sentido comprar apenas a CPU. Por isso, eram fabricados vários periféricos que faziam parte então de um sistema integrado e modular, que cada empresa podia compor à vontade, sendo a CPU o elemento principal.

 

2.1) IBM 1401


Foi apresentado ao mercado em 5 de outubro de 1959. Tinha 4 kB de memória padrão (extensíveis para mais 16 kB) e era totalmente transistorizado.

Era parte de um sistema completo, sendo o mais simples formado pelo processador, uma leitora/perfuradora de cartões de 80 posições IBM 1402 e uma impressora, a famosa IBM 1403. Também podiam ser acopladas unidades de fita magnética. O conjunto todo podia ocupar uma sala de consideráveis dimensões e era destinado a empresas de pequeno porte. Abaixo, foto de um desses conjuntos.


À esquerda vemos a leitora/perfuradora de cartões; ao centro, onde está a mão da senhorita, a CPU 1401 e acoplada a ela um gabinete de extensão de memória para 16 kB; em primeiro plano, a impressora e ao fundo uma unidade de fita magnética. Havia também uma console para o operador, não mostrada na foto.


2.2) BURROUGHS famílias 100/200/300/500

A Burroughs na época era a segunda maior fabricante de computadores no mundo, sendo a IBM a primeira. Ela lançou uma série de mainframes cujos códigos eram das famílias acima citadas. Não encontrei a respeito deles informações que interessassem a esta postagem.

Na foto abaixo, um B500, de cerca de 1963.


 

3) MAINFRAMES DE TERCEIRA GERAÇÃO

Essa geração já usava circuito integrado e entrou em operação na década de 1960. Os circuitos integrados possibilitaram uma grande diminuição do tamanho e peso dos computadores e uma substancial melhoria na sua velocidade de processamento. Mas ainda se destinavam a empresas, em virtude da necessidade de resfriamento, do consumo de energia elétrica e do ainda razoável peso deles.

3.1) BURROUGHS

A Burroughs foi uma das primeiras empresas a fabricar computadores com circuito integrado. Ela estabeleceu três diferentes linhas de mainframes: a Small Systems, a Medium Systems e a Large Systems.

3.1.1) BURROUGHS SMALL SYSTEMS

Essa linha foi introduzida em meados dos anos 1970 e consistiu nos mainframes da família B1000, composta pelos B1700, B1800 e B1900. Foi descontinuada em 1987.

3.1.2) BURROUGHS MEDIUM SYSTEMS

Essa linha foi iniciada pelo B2500, lançado em 1966, ao qual sucedeu o B3500, que entrou em operação em 1968. O B2500 tinha 60kB de memória e pesava 270 kg; o B3500 tinha 500kB de memória e pesava 320 kg. Abaixo se vê uma instalação de B3500.


A foto mostra em primeiro plano à esquerda uma unidade horizontal de fita magnética e ao lado direito da foto duas impressoras. Ao fundo à esquerda, a console da CPU (o móvel fino com uma base à frente), ladeado pelas duas CPU's. O equipamento grande ao fundo é um conjunto de discos. Ao fundo, na extrema direita, vista parcial de uma perfuradora de fita de papel. Muito escondida, entre ela e a impressora de trás, uma unidade de perfuração de cartões.

A família B2500/B3500 foi sucedida pelos B2700/B3700/B4700 em 1972, B2800/B3800/B4800 em 1976 e pelos B2900/B3900/B4900 em 1980.

3.1.3) BURROUGHS LARGE SYSTEMS

Essa linha foi iniciada pelo B5000, lançado em 1961, seguido pelo B5500, em 1964, ambos ainda usando transistores. Em 1969 foi lançado o B6500, já agora usando circuitos integrados, ao qual se seguiram o B6700 em 1971 e outros mais até 1985.

Em 1986 a Burroughs comprou a Sperry e formou a Unisys, acrônimo de UNited Information SYStem.

 

3.2) IBM /360,  /370 e /390

Talvez o computador de maior sucesso da história. Lançado em 07 de abril de 1964, tinha na sua primeira versão uma memória de 32kB. Com o /360 a IBM conquistou 70% do mercado mundial de computadores. O termo 360 foi usado para indicar que o computador podia ser usado por todos os tipos de consumidores, grandes ou pequenos, corporativos ou acadêmicos. O /360 revolucionou a indústria e a concepção dos computadores dali em diante. Seria longo detalhar o porquê disso.

A família /360 teve várias versões, como o IBM /360 modelo 91, o 125, o 145, o 148 e o 158. Abaixo, foto do /360 modelo 91.


Uma característica do /360 era sua escalabilidade, ou seja, a empresa podia comprar uma versão menor e depois migrar sucessivamente para versões maiores, sem necessidade de refazer algo já existente anteriormente. Também se caracterizava pela modularidade: a empresa podia comprar determinada quantidade ou espécie de periféricos e depois acrescentar outros. 

Em 30 de junho de 1970 a IBM lançou o /370, uma versão aprimorada do /360 e que também constituiu uma família. E em 1990 lançou a família /390. 

Abaixo, foto do /370.



****************************

Sendo este um Fundo do Baú, paramos por aqui o texto, eis que não devemos ultrapassar certa época em direção aos dias de hoje.

 

sábado, julho 15, 2023

 

COLISÕES COM BONDES

Cumprindo o combinado com o Luiz no dia 10 deste mês, a postagem de hoje mostra alguns graves acidentes ocorridos com bondes. Na verdade, a maioria dos casos envolvendo aqueles veículos se referiam a quedas de pessoas que tentavam pegar ou saltar do bonde em movimento. Muitos ficaram mutilados ou morreram nessa tentativa. Mas a postagem de hoje trata de outros casos. Os reboques pequenos eram os mais suscetíveis a se envolverem em acidentes, pela facilidade de descarrilarem em virtude de seu relativamente pequeno peso e por terem apenas dois truques, bastando um deles descarrilar para o acidente acontecer.

Vamos aos acidentes.

 

1) BATACLÃ 2058



Data: 10/08/1954

Local: Entroncamento das ruas Visconde de Santa Isabel e Alexandre Calaza, em Vila Isabel

Vítimas: seis com escoriações e três com fraturas de membros.

Dinâmica: O bonde 2058, fazendo a linha  68 - Uruguai x Engenho Novo, saiu às 4:20h da estação do Boulevard 28 de Setembro em direção ao ponto inicial da linha, no início da rua Barão do Bom Retiro. Ao passar pelo referido entroncamento, o motorneiro não percebeu que a agulha não estava favorável para ele e o bonde descarrilou, destruindo a fachada e uma parte do interior do armazém São Paulo, na esquina da Alexandre Calaza.

 

2) REBOQUE 1248



Data: 24/12/1958

Local: Esquina das ruas Barão do Bom Retiro e Visconde de Santa Isabel.

Vítimas: oito com escoriações.

Dinâmica: O reboque 1248 era puxado pelo bonde 1756, da linha 72 - Méier x Saens Peña. Ao abrir o sinal, o bonde se movimentou e o reboque descarrilou, batendo no bonde 1806, da mesma linha.

 

3) BATACLÃZINHO 343



Data: 21/11/1963

Local: Avenida Presidente Vargas esquina com rua Comandante Maurity.

Vítimas: seis do bonde e duas do caminhão, todos com escoriações.

Dinâmica: O bonde 343, da linha 56 - Alegria, vinha rodando em direção à Leopoldina, quando se deparou com o caminhão da fábrica de massas Marilu, que vinha na contramão. O motorneiro começou a acenar para o motorista do caminhão, mas ao ver que ele não mudava de direção parou o bonde e saltou, assim como alguns passageiros. O caminhão se chocou violentamente com o bonde, derrubando-lhe parcialmente a capota.

 

4) REBOQUE 1291



Data: 03/07/1953

Local: Avenida Presidente Vargas, próximo à Ponte dos Marinheiros.

Vítimas: doze com escoriações.

Dinâmica: O reboque 1291 era puxado pelo bonde 1899, da linha 56 - Alegria. Ao passar pela Ponte dos Marinheiros, o reboque saltou dos trilhos, rodou descontrolado por cerca de 20 metros e se chocou com o bonde 1788, da linha 69 - Aldeia Campista.

 

5) REBOQUE 1369



Data: desconhecida

Local: alguma rua na Zona Sul.

Vítimas: desconhecido.

Dinâmica: Essa foto foi obtida na Internet, sem qualquer indicação. Apesar de ter pesquisado bastante, nunca consegui obter informações sobre esse acidente.


6) BONDE 1887


Apesar de a foto não ser das mais impressionantes, o acidente foi bastante inusitado, como descrito a seguir.

Data: 10/05/1959

Local: Esquina das ruas Uruguai e Conde de Bonfim.

Vítimas: vinte e oito, algumas em estado grave, entre passageiros, transeuntes, motoristas e o próprio motorneiro, que teve as duas pernas fraturadas.

Dinâmica: Há mais de uma versão para o acidente. Uma delas diz que o bonde 1887, da linha 67 - Alto da Boa Vista, vinha descendo lotado a avenida Edison Passos, cerca das 8 horas da manhã quando, já chegando na Usina, o motorneiro percebeu que estava sem freios. Um caminhão com material de obras estava estacionado na rua, parcialmente sobre os trilhos, e foi colhido pelo bonde e jogado para o lado. O bonde prosseguiu no seu trajeto usual pela rua Conde de Bonfim, que apresenta um declive constante até o cruzamento com a rua Uruguai, motivo pelo qual a velocidade do bonde não diminuía. O motorneiro tentou pará-lo acionando a roda do freio de estacionamento, sem sucesso. Em desabalada carreira, o bonde continuou descendo pela rua Conde de Bonfim. Desesperado, o motorneiro acionava continuamente a sineta para alertar quem estivesse à frente do bonde. Heroicamente, ele não abandonou os controles em nenhum momento, correndo sério risco de vida. Ao aproximar-se do cruzamento com a rua Uruguai, o sinal estava fechado e havia uma fila de veículos parados. Em consequência disso, o bonde chocou-se sucessivamente com uma caminhonete (capotando-a), com um táxi, com um carro particular e finalmente com um lotação da linha Usina x Leblon que estava parado no sinal da rua Uruguai, quando então cessou sua corrida.

OBSERVAÇÃO ADICIONAL: Esse bonde 1887 era aziago. Em 29/01/1954 o Diário da Noite noticiou que ao sair das Barcas, fazendo a linha 75 - Lins de Vasconcellos, o motorneiro imprimiu velocidade ao bonde e ao fazer uma curva o reboque 1206, tracionado por ele, tombou de lado, matando um passageiro e ferindo 34, vários com gravidade.

Em 1965 ele foi vendido a museus norte-americanos e até hoje não foi recuperado, tendo sido canibalizado ao longo das décadas. Não tem mais como colocá-lo em tráfego.


 7) REBOQUE 1363



Data: 05/03/1959

Local: Largo do Catumbi, em frente à igreja de Nossa Senhora de Salete.

Vítimas: quatro, com escoriações. Foram socorridas por uma ambulância da Casa de Saúde Santa Rita de Cássia, que passava no local, e levados ao Hospital Souza Aguiar.

Dinâmica: O reboque 1363 era puxado pelo bonde 1921, da linha 45 - Itapiru x Barcas, quando de repente descarrilou e se chocou com o bonde 1871, da mesma linha, que vinha em sentido contrário.

 

8) BONDE 1829

(não consegui mais localizar a foto, que pertencia ao acervo do jornal Ultima Hora)

Esse foi o acidente mais horripilante de que tive conhecimento, embora somente resultasse em uma vítima.

Data: desconhecida

Local: Esquina das ruas Barão do Bom Retiro e General Belegard.

Vítimas: o motorista de um caminhão de feira, morto no acidente.

Dinâmica: No fim da madrugada do dia fatal, o bonde 1829, linha 68 - Uruguay x Engenho Novo, ao entrar na rua General Belegard vindo da Barão de Bom Retiro, topou com um caminhão de feira vindo em sentido contrário. No choque que se seguiu, o bonde destruiu a cabine do caminhão e esmagou o motorista. O Arquivo Público do Estado de São Paulo, que detém o acervo de fotos do jornal Última Hora, tinha essa foto disponível na Internet, mostrando a cabeça esmagada do motorista, quase imperceptível no meio dos destroços da cabine do caminhão. Embora muito chocante, gostaria de postar essa foto aqui, porém ela não se encontra mais disponível para acesso, talvez por ser horripilante.

----------  F I M  -----------

REVISITANDO O SDR

O "Saudades do Rio" fechou as portas para novas postagens no final de outubro, mas surgiu uma nova ideia dos comentaristas: O obje...