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quarta-feira, junho 26, 2024

 

OS POUCO FAMOSOS (Segunda parte)

(Essa postagem é uma continuação daquela do sábado passado).

 

FRANCISCO CARLOS (05/04/1928 – 19/08/2003)


Embora fosse carioca, passou a infância em Recife, retornando para cá aos 11 anos de idade. Graduou-se pela Escola Nacional de Belas Artes. Ainda estudante, apresentou-se no “Programa Casé”, da Rádio Mayrink Veiga. Em 1946 foi contratado como cantor profissional pela Rádio Tamoio e depois transferiu-se para a Rádio Globo.

Um de seus primeiros discos, gravado em 1950, trazia a marcha carnavalesca “Meu brotinho”, de grande sucesso, e o samba “Me deixa em paz”, ambos de Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga.

Em 1953 foi escolhido pelos ouvintes da Rádio Nacional como o melhor cantor do ano, superando Francisco Alves, falecido no ano anterior. Em 1958 foi eleito “Rei do Rádio” e recebeu o apelido de El Broto. Posteriormente foi considerado “O cantor enamorado do Brasil”. Em 1962, no auge da carreira, abandonou a vida artística após uma excursão pela Europa e passou a se dedicar exclusivamente à pintura.

No início dos anos 1980 tentou voltar à vida artística, não logrando sucesso e abandonando de vez essa pretensão.

Morreu após complicações provocadas por um linfoma.

 

ÁUREA MARTINS (13/06/1940)


Nascida Áldima Pereira dos Santos, em Campo Grande, pertencia a uma família de músicos: o pai tocava violão, a avó banjo, a mãe era cantora amadora e dois de seus tios  tocavam clarinete e saxofone. Participou quando criança do coral da igreja de Nossa Senhora do Desterro.

Recebeu o nome de Áurea Martins dado por Paulo Gracindo, quando cantava em programas de auditório da Rádio Nacional na década de 1960. Em 1969 ganhou o primeiro lugar no programa “A Grande Chance”, de Flávio Cavalcanti. Com o dinheiro recebido bancou seu primeiro LP, de nome “O Amor em Paz”, em 1972, com arranjos de Luiz Eça.

Após essa evidência inicial passou a atuar apenas no circuito boêmio do Rio. Em 2008 voltou à cena musical, com o LP “Até sangrar”, ganhando como melhor cantora o Prêmio da Música Brasileira, em 2009, sendo Marisa Monte uma das concorrentes. No mesmo ano foi lançado um curta metragem mostrando uma jornada de trabalho da cantora na noite carioca, tendo esse curta recebido mais de 20 prêmios desde seu lançamento.

Em 2012 lançou seu primeiro DVD.

 

TRIO NAGÔ (1950 – início da década de 1960)


Tudo começou com Mário Alves, um alfaiate cearense que cantava enquanto costurava em sua pequena loja. Pelas manhãs ele recebia dois amigos, Evaldo Gouveia e Epaminondas de Souza, que o acompanhavam na cantoria: Evaldo com voz e Epaminondas ao violão. Tudo não passava de brincadeira.

Ao final do expediente, Mário ia para casa e os outros dois esticavam a cantoria em bares de Fortaleza. Um dia alguém os ouviu cantando e os indicou para audição numa rádio local. De rádio em rádio, acabaram sendo convidados para representar o Ceará no programa César de Alencar, na Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Essa apresentação resultou num contrato com a Rádio Jornal do Brasil, formando-se então o Trio Nagô.

Dois anos depois já tinham feito apresentações em várias casas do Rio e São Paulo e foram contratados pela Rádio Record. Lançaram diversos discos de 78rpm e iniciaram turnês nacionais.

Ganharam programa próprio na TV Record e faziam muito sucesso, com fã-clubes femininos suspirando pelo Evaldo e Epaminondas, os galãs do trio. Fizeram turnês por vários países das Américas e da Europa, com grande sucesso em Paris. Na volta, foram condecorados por autoridades por divulgarem a cultura brasileira. Apesar disso, Mário Alves continuava desenhando e costurando para o trio.

Em fins dos anos 1950 o trio se separou, tentando retornar no início da década de 1960, agora com repertório e harmonia da bossa nova. Mas não tiveram sucesso.

Evaldo Gouveia continuou carreira, agora como compositor, junto com Jair Amorim. De Mário e Epaminondas não se teve mais notícia.

 

ELLEN DE LIMA (24/03/1938)


Baiana, foi para o Rio de Janeiro aos dois anos de idade. Aos oito anos apresentou-se no programa “Papel Carbono”, de Renato Murce, imitando a cantora Heleninha Costa, sendo a vencedora da noite. Mas sua carreira começou mesmo quando se apresentou no programa de calouros de César de Alencar, na Rádio Nacional, e no “Alvorada dos novos”, da Rádio Mayrink Veiga, onde foi contratada em 1954 para apresentar-se no Rio e em São Paulo.

Foi uma das primeiras contratadas da Columbia (depois CBS e atual Sony-BMG), lançando seu primeiro disco, a convite do maestro Renato de Oliveira, com o samba-canção “Até você” e o slow-fox “Melancolia”.

Em 1957 gravou seu primeiro LP, com o bolero “Vício”, de Fernando César, fazendo muito sucesso. Mas foi na década de 1960 que Ellen de Lima se tornou conhecida com a “Canção das Misses”, tema do concurso Miss Brasil.

Nos anos seguintes, embora sem fazer muito sucesso, gravou alguns LP’s, participou de telenovelas e de shows e festivais, inclusive com várias temporadas no Cassino Estoril, de Portugal. Recebeu algumas homenagens, participou do grupo “Cantoras do Rádio”, foi eleita madrinha da Polícia Rodoviária Federal. Até hoje tem vida musical ativa.

Suas últimas apresentações documentadas na Internet foram em 2017, no sábado e na segunda-feira de Carnaval, no Baile da Cinelândia.

 

LUCIENE FRANCO (03/01/1939)


Iniciou a carreira artística em 1957, lançando pela Copacabana seu primeiro disco, assinando apenas “Luciene”, com o bolero “Tarde morena de Espanha”, de Luis Bonfá, e o samba-canção “Ave Maria”, de Vicente Paiva.

Em 1958 foi eleita pela revista Radiolândia como “Cantora revelação do ano na TV”.

Ao longo da década de 1960 gravou várias composições de Luis Bonfá e de Ary Barroso, do qual era a cantora favorita. Fez várias turnês por países das Américas e Europa.

Na TV, atuou nos principais programas: Flávio Cavalcanti, Chacrinha, J. Silvestre, Jair de Taumaturgo, Sílvio Santos, Blota Jr, Aerton Perlingeiro, Airton Rodrigues e Murilo Nery.

Sua última apresentação documentada na Internet foi em 2017, na sexta-feira de Carnaval no Baile da Cinelândia.

 

MARCOS MORAN (1938)


OBS: Não consegui obter a data de nascimento dele.

Nascido Ananias Marques de Oliveira, em Alegre (ES), em 1959 juntou-se com alguns amigos – entre eles Wilson Simonal - para a criação do grupo Dry Boy’s. Obtiveram relativo sucesso, mas se separaram. Moran cantou então na boate Arpège e no Copacabana Palace, sendo visto pela gravadora RCA, onde lançou seu primeiro compacto em 1965.

Na década de 1960 sua voz era comparada à de Simonal, de quem era grande amigo. Ao longo dessa década sofreu influência do rock e do soul music, misturando com samba e músicas carnavalescas.

Obteve sucesso no Carnaval de 1968 com a marcha “Até quarta-feira”. Em 1970 virou intérprete de sambas-enredo, a convite de Carlos Imperial. Cantou para a Portela, Império Serrano e de 1979 a 1984, para a Vila Isabel, tendo deixado a escola após desentendimento com um diretor de harmonia durante desfile na Sapucaí.

Depois disso, foi puxador de samba para as escolas Acadêmicos de Santa Cruz, Unidos de Lucas e terminou sua carreira em 2017, pela Acadêmicos de Pilares.

Como compositor, teve parceria com Roberto Carlos e compôs músicas para Elza Soares, Cauby Peixoto e Altemar Dutra.

 

------------  FIM  DA  POSTAGEM  ------------

 

 

sábado, junho 22, 2024

OS POUCO FAMOSOS (Primeira parte)

São muitos os cantores e cantoras nacionais que fizeram sucesso no passado. Maior ainda é a quantidade dos que nunca fizeram parte do panteão dos famosos. Esta postagem cita alguns deles. Fonte Wikipedia. Alguns dos textos aqui estão muito resumidos em virtude da extensão deles no original. 

Além disso, como costumo fazer, acrescento observações ou comentários meus.

 

WILMA BENTIVEGNA (17/07/1929 – 02/07/2015)


Começou a carreira aos nove anos no programa “Clube do  Papai Noel” e foi a primeira cantora a se apresentar na TV Tupi. Especializou-se em versões de músicas estrangeiras de sucesso na época. “Hino ao Amor” (“Hymne à l’Amour”, sucesso de Edith Piaf), gravada em 1959, tornou-a nacionalmente conhecida. Ganhou alguns prêmios, participou de novelas e do filme “Custa Pouco a Felicidade”, de Geraldo Vietri, em 1952.

Morreu de insuficiência respiratória. Era depressiva e quase não saía de casa.

 

DALVA DE ANDRADE (02/04/1935)


Revelou-se no programa “Pescador de estrelas”, do radialista Arnaldo Amaral. Em 1955 ganhou menção honrosa na categoria “Revelação feminina” do crítico Sylvio Tulio Cardoso. Seu maior sucesso foi “Serenata Suburbana”, de 1960, uma guarânia do compositor pernambucano Capiba.

Afastou-se da carreira artística em meados na década de 1960, em virtude de problemas auditivos.

 

VANJA ORICO (15/11/1931 – 28/01/2015)

Surgiu no cenário artístico cantando “Mulher rendeira” no filme “O Cangaceiro”, de Lima Barreto, 1953, premiado no Festival de Cannes, trazendo a Vanja o reconhecimento internacional e permitindo-lhe apresentações na Europa, África, Caribe e EUA. Gravou discos na França, foi recordista de vendas no Brasil e capa de várias revistas da época.

Participou de vários filmes do Ciclo do Cangaço. Além do citado “O Cangaceiro”, fez papel em “Lampião, o Rei do Cangaço” (1964), “Cangaceiros de Lampião” (1967) e “Jesuíno Brilhante, o cangaceiro” (1972).

Também fez papel em filmes internacionais, como nos italianos “Luci del varietà”, de Fellini, em 1950, e “Yalis, la vergine del roncador”, 1955, e no alemão “Die Windrose”, também de 1955.

A canção que me fez lembrar da Vanja foi “Prenda minha”, tradicional gaúcha, gravada junto com o Trio Nagô, que tocava nas rádios e que eu aprecio muito.

Eu sempre desconfiei do nome Vanja, pois em vários idiomas a letra J tem som de I e então Vanja seria pronunciado como Vânia, diminutivo do nome masculino russo Ivan, o nosso João.

Nos últimos anos Vanja sofria de Mal de Alzheimer, porém morreu de câncer de intestino.

 

JOÃO DIAS (12/10/1927 – 27/11/1996)

Começou a carreira artística em 1948. No ano seguinte foi para a Rádio Bandeirantes. Em 1951 gravou seu primeiro disco pela Odeon. Passou por várias gravadoras, como Copacabana e CBS, porém a maior parte de suas músicas foi lançada pela Odeon. Também trabalhou na TV e rádio Tupi e fez apresentações em várias outras emissoras de televisão. Passou a apresentar um programa na Rádio Nacional aos domingos, em 1953, conquistando grande popularidade. Em 1955 o programa passou para o horário antes ocupado durante vários anos pelo de Francisco Alves, de quem era grande amigo.

Foi o idealizador e responsável pela Lei de Direito Conexo, regulamentada em 1968, que garantiu ao intérprete receber direitos pela execução posterior de suas gravações, o que anteriormente só era garantido aos autores.

Ao todo lançou pela Odeon seis LP’s e um pela Copacabana, além de lançar dois a três discos por ano. Considerado “o herdeiro de Francisco Alves”, também era conhecido como “O Príncipe da Voz”.

No ano em que faleceu dirigia a SOCIMPRO (Sociedade Brasileira de Intérpretes e Produtores Fonográficos).

Ao longo dos 45 anos de carreira gravou cerca de 320 músicas em LP’s, discos de 78rpm e CD’s.

A música de João Dias que me marcou foi o tango “Cantando”.

 

MARIA LÚCIA GODOY (02/09/1924)

Mais conhecida como cantora lírica, é considerada a maior intérprete de Villa Lobos, porém interpretou várias canções populares, de autores como Tom Jobim, Chico Buarque de Holanda, Milton Nascimento, Hekel Tavares e outros.

Especializou-se no canto lírico graças a uma bolsa de estudos na Alemanha, fazendo recitais em vários países. Venceu vários concursos e ficou como solista principal do Madrigal Renascentista, cujo regente era Isaac Karabtchevsky, com quem foi casada.

É considerada uma das maiores cantoras brasileiras de sua geração, aliando exímia técnica vocal a dons de interpretação. Bidu Sayão a considerava sua única sucessora.

Cantou no traslado dos restos mortais de Dom Pedro I para o Brasil, no Mosteiro dos Jerônimos, em Lisboa. Também apresentou-se durante a inauguração de Brasília, convidada pelo presidente Juscelino Kubitschek. No enterro de Glauber Rocha interpretou as “Bachianas Brasileiras número 5”, de Villa Lobos.

Foi condecorada com a Grã-Cruz da Inconfidência e com a Medalha de Honra da UFMG. Recebeu o título de Doutor Honoris Causa da mesma UFMG, em 2016.

Lembrei-me dela através da música “Fiz a cama na varanda”.

 

NÚBIA LAFAYETTE (21/01/1937 – 18/06/2007)

OBS: Confesso ter ficado impressionado com a beleza da Núbia, ao menos durante sua juventude. Não conhecia nenhuma foto dela.

Nascida Idenilde Araújo Alves da Costa, ficou conhecida pelo nome Núbia Lafayette. Originária de Açu, no Rio Grande do Norte, sua família mudou-se para o Rio de Janeiro quando ela estava com três anos de idade. Começou a se apresentar em programas infantis aos oito anos de idade.

No final da década de 1950, com o nome artístico de Nilde Araújo, iniciou sua carreira artística, ao se apresentar no programa “A Voz de Ouro”, da TV Tupi, cantando músicas da época. Trabalhava como vendedora nas Lojas Pernambucanas. Foi crooner da boate Cave do Rio e estreou cantando Dalva de Oliveira.

O nome artístico Núbia Lafayette foi sugestão de Adelino Moreira, em 1960, quando a levou para a gravadora RCA, com apoio de Nelson Gonçalves. Seu primeiro disco foi lançado nesse mesmo ano, com a canção “Devolvi”, de Adelino Moreira, projetando-a como cantora popular e romântica.

Durante toda sua vida participou de apresentações esporádicas e de programas especiais.

Lembrei-me dela através da música Kalu, de Humberto Teixeira e sucesso de Dalva de Oliveira, em 1952.

Morreu de AVC em 2007.

 

------------  FIM  DA  POSTAGEM  ------------

 

 

terça-feira, fevereiro 13, 2024

 

FOLGUEDOS DE RUA

Esta postagem recorda uma série de folguedos de criança que eram praticados na rua. Talvez muitos visitantes da Zona Sul nunca tenham se divertido com eles, por motivos vários. Alguns dos folguedos envolviam duplas, outros exigiam dois grupos rivais e outros mais eram realizados por várias crianças, sem conotação de grupos.

As descrições e quando aplicável as regras que citarei são as que nós adotávamos dentro da nossa patota. Podem variar para outros grupos ou locais.

Não resisti a rememorar o modo como brincávamos. São recordações pessoais, diferentes da impessoalidade que se espera de uma postagem. Sorry.

Vamos aos folguedos.

1) AMARELINHA


Dispensa descrições. Mesmo quem nunca brincou de amarelinha sabe do que se trata, ou assim penso. No nosso caso, desenhávamos a amarelinha com giz e usávamos uma casca de banana para indicar nossa progressão nos quadradinhos. Nossa marcação era diferente da mostrada na foto: os quadradinhos 1, 2 e 3 eram em linha, depois vinham o 4 e 5 atravessados, o 6 novamente em linha e o 7 e 8 atravessados. Portanto, não tínhamos 9 quadradinhos como aparece na foto. E onde está o 10 escrevíamos "CÉU". 

 

2) PELADA


Preciso descrever? A largura das balizas era constituída pelo espaço entre uma árvore e a parede da casa em frente. Não era pouco, pois a calçada da Dona Delfina era e ainda é bastante larga levando em conta que éramos crianças ou pré-adolescentes. Não havia travessão. Por consenso, se a bola passasse alta e fora do alcance do goleiro considerávamos tiro de meta. As balizas eram em calçadas opostas, de modo que para sair de uma e chegar à outra tínhamos de atravessar a rua com a bola. Tradicionalmente uma baliza ficava em frente à minha casa, de número 46, e a outra em frente à bonita casa de número 33, já demolida. De vez em quando a bola caía no quintal da 35, que era um chalé suíço habitado por um almirante da reserva, já bem velhinho. Ele era ranzinza e não gostava de devolver a bola. Então pulávamos o baixo muro e a pegávamos de volta.

Às vezes entrava na rua uma rádio-patrulha vinda do distrito policial situado na rua Conde de Bonfim. Aí quem a visse dava o alarme "Lá vem a RP!" e todos sentávamos no meio-fio, com a maior cara de pau e escondendo a bola.  

Como não havia muitas crianças da mesma faixa de na rua, para jogarmos pelada precisávamos da presença de crianças de outras ruas. O craque da bola era o Marcos Elias, que estudava no Colégio Militar e morava na rua Uruguai. Ele tinha um irmão que chamávamos de Lulu da Palmerana, quando o correto seria Lulu da Pomerânia. Existe um cão dessa raça, mas não sei o motivo do apelido do Lulu. Também bons de bola eram os trigêmeos Luís, Ricardo e Manuel, filhos de um médico e moradores na avenida Maracanã, esquina com a Dona Delfina e que de vez em quando saíam na porrada entre si. E quem tentasse separar acabava apanhando, e dos três ao mesmo tempo.

 

3) CHICOTINHO QUEIMADO

Não achei imagem condizente com essa brincadeira na Internet.

Um objeto qualquer era escolhido como o chicotinho queimado. Uma das crianças o escondia em algum lugar, inclusive dentro do quintal ou na vegetação de alguma casa, enquanto as demais fechavam os olhos. Uma vez escondido, as demais começavam a procurar o chicotinho queimado. Aquela que o escondeu ia dando as dicas do tipo "Está frio", ou "Está esquentando" ou "Está quente", para indicar para cada criança se ela estava perto ou longe do lugar onde o chicotinho estava escondido. Quem o achasse seria o próximo a escondê-lo.

 

4) PIQUE-BANDEIRA


Era jogado em dois grupos, um contra o outro. Na calçada era traçada uma linha reta com giz, da parede de uma casa até o meio-fio, delimitando dois campos. A determinada distância dessa linha, cada grupo colocava no chão a sua bandeira, que poderia ser um chinelo, um galho de árvore ou qualquer outro objeto. Cada grupo ficava no seu campo. O objetivo era roubar a bandeira do outro grupo e trazê-la para seu campo.

Enquanto um jogador estivesse no seu próprio campo, ele não poderia ser molestado. Mas a partir do momento em que entrasse no campo adversário, alguém do outro grupo corria atrás dele para tocar no seu corpo. Isto feito, ele ficava congelado e só poderia se movimentar novamente se alguém do seu próprio grupo o tocasse. Então era uma correria geral, uns defendendo sua bandeira e congelando os adversários atrevidos e outros tentando pegar a bandeira do grupo oponente. Haja suor e queima de calorias!!

 

5) FRISBEE


Na nossa época não havia esse tipo de objeto e o modo como brincávamos era diferente. Eram duas crianças, cada uma se posicionando como goleiro nas balizas citadas no folguedo PELADA, exceto que ambas as balizas eram na mesma calçada. A título de frisbee usávamos tampinhas de cerveja ou uma tampa velha de panela. O objetivo era fazer um gol no adversário.

 

6) PIQUE-ESCONDE

 

Jogado em grupo, sem adversários. Uma criança, a procuradora, se posicionava em determinado lugar, que era a sua base ou pique, e tapava os olhos, e as demais iam se esconder. Nós usávamos como esconderijo os poucos carros estacionados ou entrávamos nos quintais de algumas casas. A procuradora contava até determinado número, a combinar (20 ou 30), enquanto as demais se escondiam. Terminada a contagem, ela saía à cata dos escondidos após dizer bem alto "Lá vou eu!". Se um dos escondidos saísse do seu esconderijo, corresse até o pique, o tocasse, dissesse seu nome e "1, 2, 3" antes que a procuradora tocasse o mesmo pique, estava salvo. Assim que a procuradora via um dos escondidos, dizia seu nome, o local do esconderijo e voltava correndo para o pique, tocando-o e dizendo "Pique 1, 2 3". Quem foi descoberto estava fora dessa rodada, a menos que quando a procuradora disesse seu nome ele corresse e alcançasse o pique antes dela. Se a procuradora conseguisse descobrir todos os escondidos, o último deles passava a ser a nova procuradora. A estratégia era a procuradora nunca se afastar muito do pique, para evitar que alguma criança o alcançasse antes dela. Mas às vezes, para descobrir o esconderijo dos demais, ela era obrigada a se afastar. Mas tinha de ficar de olho vivo. Caso a procuradora não conseguisse descobrir ninguém, depois de certo tempo podia avisar que desistia e então tudo recomeçava.

 

7) BOLA DE GUDE - TRIÂNGULO

 

Traçávamos um triângulo a giz na calçada. Quem ia jogar combinava quantas bolinhas iria "casar", colocando-as dentro do triângulo, e ficava com uma para tecar. Uma linha reta era riscada a giz a determinada distância do triângulo. Cada jogador se posicionava a determinada distância da linha reta e lançava a bola de tecar, visando pará-la o mais próximo possível da linha. Depois que todos lançavam suas bolas, determinava-se a ordem em que elas ficaram próximo à linha e esta era a mesma ordem em que o seu jogador iria fazer seus lançamentos dali em diante. Quando a bola de um jogador atingisse uma dentro do triângulo e esta saísse fora, ele ficava com ela. Enquanto ele estivesse acertando uma bola, continuava jogando. Quando errasse, era a vez do próximo. Caso a bola lançada parasse dentro do triângulo, o jogador estava fora. E se ele tecasse a bola de tecar de outro jogador, este estava fora. O jogo terminava quando não restassem mais bolas dentro do triângulo.

 

8) PIQUE-COLA

 

Uma criança era escolhida como a pegadora. Uma base também era escolhida: podia ser uma árvore, um poste, o  portão de uma casa, etc. As demais crianças se afastavam e a pegadora saía atrás delas. Quem ela tocasse ficava "colada" e só podia ser "descolada" pelo toque de outra. Quem fosse "colada" três vezes passava a ser a nova pegadora.

 

9) BOLA DE GUDE - BÚRICA ou BÚLICA

 

Esse jogo exige chão de terra, então só podíamos brincar disso na casa dos nossos vizinhos do número 44, que tinham um filho e onde havia uma área de plantação. Mas eles eram muito rigorosos quanto a estranhos, de modo que só permitiam a entrada do meu irmão, de mim e de um colega bem mais novo, o Antônio José.

Antes de começar, combinávamos se o jogo seria "à vera" ou "à brinca". No primeiro caso, quem vencesse levava as bolinhas de gude dos outros; no segundo, não.

A regra é um pouco complicada: eram feitos três buracos (as búricas ou búlicas) na terra, com determinado afastamento entre si. Estabelecida uma linha de partida, cada jogador pegava sua bolinha e tentava jogá-la dentro da búrica mais afastada. Se conseguisse, ele seria o primeiro a jogar dali para a frente. Se ninguém conseguisse, a ordem de jogada era pela proximidade da tal búrica. A partir daí, obedecendo a essa ordem de lançamento, cada jogador tentava colocar sua bolinha dentro de cada búrica, seguindo a ordem delas no terreno: a mais afastada, a do meio, a mais próxima, a do meio novamente, a mais afastada, a do meio novamente. Quem fizesse esse roteiro estava na condição de "mata". Em cada lançamento, o jogador podia optar por tentar colocar a bola na próxima búrica ou tecar a do adversário para afastá-lo dela. Neste caso, ou se conseguisse jogar a bola dentro da búrica, ele podia jogar novamente. Caso um adversário estivesse com a bola dentro da búrica, os demais não podiam jogar a sua ali dentro, tendo de fazer hora até ela sair de lá. Quando um jogador atingisse a condição de "mata", sempre que tecasse uma bola adversária ela saía do jogo.

No fim do jogo, o destino de cada bolinha "matada" dependia do que havia sido combinado no início: "à vera" ou "à brinca".

Antes do início de cada rodada, quem primeiro gritasse  "Marraio!" seria o último a lançar sua bola, o que era vantagem pois poderia tecar a dos adversário e afastá-las da búrica inicial e não poderia ter sua bola afastada pelo mesmo motivo.

Quem gritasse "Acompanha!" logo a seguir do "Marraio!" seria o penúltimo a lançar; quem gritasse "Feridor sou rei!" a qualquer momento seria o primeiro a começar o jogo se sua bola inicial atingisse qualquer uma das demais. Como no máximo éramos quatro jogadores, essas expressões bastavam para nós.

 

10) PULAR CARNIÇA

 

Acho que todos conhecem essa brincadeira. Não era muito comum entre nós, mas eventualmente nos divertíamos com ela.

 

 

 

quinta-feira, setembro 07, 2023

 

GOLEIROS DO PASSADO 

(Postagem 1 de 2)

Esta postagem é uma homenagem a alguns goleiros do passado que atuaram em times cariocas. Como não gosto de nenhum esporte, futebol inclusive, nada aqui é opinião minha. Tudo foi obtido da Internet. Entretanto, certas informações são contraditórias, pois uma fonte desmente a outra. Procurei optar sempre que possível pelas informações do site do clube onde o goleiro atuou por mais tempo.

A ordem de apresentação é aleatória, não significando maior ou menor importância de nenhum deles.

 

1) MANGA

Nascido Hailton Corrêa de Arruda, em Recife, a 26 de abril de 1937, é considerado um dos maiores goleiros da história do futebol brasileiro. É o jogador que detém o recorde de participações em jogos da Taça Libertadores da América. Sempre atuou sem luvas. Em sua homenagem, o dia 26 de abril é considerado o Dia do Goleiro.

Começou atuando no Sport de Recife, em 1954, ocasião em que o time venceu o campeonato de juniores sem que Manga sofresse nenhum gol. Sua fase de ouro se deu quando era do plantel do Botafogo do Rio de Janeiro, entre 1959 e 1968.

Em jogos contra o Flamengo, dizia que gastava adiantadamente o prêmio pela vitória, que ele considerava favas contadas. Segundo ele, "o leite das crianças estava garantido".

Jogou 451 vezes pelo Botafogo, sofrendo 397 gols. Defendendo a camisa alvinegra, levantou quatro Campeonatos Cariocas, três Torneios Rio-São Paulo e o Torneio Intercontinental de Paris.

Terminou a carreira pelo Barcelona de Guayaquil, em 1982, aos 45 anos de idade. Atualmente vive no Retiro dos Artistas, com sua esposa Maria Cecília, em meio a problemas de saúde e financeiros.

 

2) ARI

Ari de Oliveira nasceu em Duque de Caxias, em 26 de julho de 1932.

Começou a carreira em 1950, pelo Bonsucesso Futebol Clube, tendo passado para o Flamengo em 1955. Defendeu a camisa do clube em 90 jogos, tendo vencido o Campeonato Carioca daquele ano.

OBS: A foto abaixo consta como sendo ele o goleiro, mas tenho minhas dúvidas.

Em 1958 foi emprestado ao América, que o contratou no ano seguinte e onde viveu o auge de sua carreira, tendo conquistado o Campeonato Carioca de 1960.

Atuou até 1966, quando decidiu se aposentar dos gramados.

Trabalhou até 1977 como funcionário público do INSS, quando faleceu de AVC em dezembro daquele ano.

 

3) BARBOSA

Moacyr Barbosa veio ao mundo em Campinas, a 27 de março de 1921. Embora seja considerado um dos melhores goleiros de sua época, é mais lembrado em virtude da derrota da Seleção Brasileira para o Uruguai, na Copa do Mundo de 1950, na qual foi acusado de falha no segundo gol do time celeste.

Começou como ponta-direita num time de várzea, o Almirante Tamandaré. Um dia o goleiro faltou e Barbosa foi escalado para a posição, contra a sua vontade. Teve boa atuação e acabou tomando gosto pelas traves e de lá nunca mais saiu. Em seguida entrou para o time do Laboratório Paulista de Biologia. Em 1942 passou para o Club Athletico Ypiranga, profissionalizando-se. Em 27 de janeiro de 1945 assinou contrato com o Vasco da Gama, onde atuou até 1955. Na época, o Vasco estava montando o excelente time chamado de Expresso da Vitória (1945 - 1953).

O titular da posição era Gabriel Rodrigues, ficando Barbosa na reserva. Porém Rodrigues ganhou um prêmio de 200 mil cruzeiros na loteria (uma fortuna na época) e abandonou o futebol, abrindo caminho para Barbosa se tornar o titular da posição.

Vestindo a camisa cruz-maltina, venceu seis Campeonatos Cariocas e o Campeonato Sul-Americano de Clubes Campeões, precursor da Libertadores da América.

Pelo Vasco da Gama participou de 431 jogos, com 282 vitórias, 74 empates e 75 derrotas.

Saindo do Vasco em 1955, Barbosa passou pelo Santa Cruz de Recife, depois para o Bonsucesso, retornou ao Vasco e encerrou a carreira pelo Campo Grande, em 8 de julho de 1962.

A Wikipedia registra sua participação em 861 jogos, em vários times, além de 20 pela Seleção Brasileira.

Carregou durante toda a vida o estigma da derrota perante o Uruguai. O cronista Armando Nogueira o considerou a criatura mais injustiçada do futebol brasileiro.

Morreu por complicações de um AVC em 7 de abril de 2000, na cidade de Praia Grande (SP).

 

4) VELUDO

Caetano da Silva Nascimento nasceu no Rio de Janeiro em 7 de agosto de 1930, no bairro da Saúde. Por ter a pele aveludada, ganhou o apelido de Veludo.

Antes de iniciar a carreira de goleiro, trabalhou como estivador. Aos domingos, jogava pelo Harmonia, um time amador da Saúde. Logo pela manhã, era chamado aos gritos de "Caetano.... Caetano...." por uma figura engomadinha, conhecido na área como Armandinho Castanheira e que posteriormente se tornou conhecidíssimo como o juiz de futebol Armando Marques.

Em 1948 entrou para o Fluminense, quando ganhou o título de juvenil daquele ano. Em 1949 passou para o time de aspirantes. Em 1950, quando Castilho foi convocado para a Seleção Brasileira, Veludo ganhou a chance de jogar pelo time de titulares.

Era uma sombra para Castilho, e várias vezes tomou seu lugar em jogos e a torcida gritava seu nome nas arquibancadas. Em virtude do contraste da pele entre Castilho e Veludo, os tricolores diziam que o time possuía a dupla "Café com Leite". Veludo mostrou grande talento e se tornou campeão carioca em 1951. 

Em 1954, reserva de Castilho, foi convocado para a Copa do Mundo, jogando pela Seleção Brasileira nove partidas, sofrendo três gols.

Sua derrocada aconteceu em 18 de dezembro de 1955, quando diante do Flamengo o Fluminense perdeu por 6 x 1. Veludo foi acusado de "vender o jogo", foi multado em 60% dos vencimentos e caiu em desgraça. Alguns o acusaram de ter jogado bêbado.

Sem clima no time, saiu e andou por vários outros clubes, mas tornou-se alcoólatra, tendo encerrado a carreira nos primeiros meses de 1963, pelo Esporte Clube Renascença (MG).

Tornou-se mendigo e após seguidas crises de fígado e pâncreas, além de diabetes, morreu em 26 de outubro de 1970, aos 40 anos, na mais completa miséria e pesando apenas 48 quilos.

 

5) CHAMORRO

Eusebio Chamorro nasceu em Rosário, na Argentina, em 22 de novembro de 1922. Começou a carreira pelo Club Atlético Newell's Old Boys em 1945, passando em 1951 para o Boca Juniors. Nessa época travou boas relações com Fleitas Solich, técnico do Flamengo. Em 1952 atuou pelo Independiente Santa Fé, da Colômbia. Ele e vários jogadores argentinos foram punidos por terem atuado pelo Independiente. Encostado em virtude da punição, sua condição chegou aos ouvidos de Fleitas Solich, que se empenhou em trazê-lo para o Flamengo. Em agosto de 1953, por 250 mil cruzeiros, Chamorro foi contratado para ocupar a posição de suplente de Sinforiano Garcia, o goleiro titular do clube.

Atuou no rubronegro até 1956, participando pela primeira vez em 10/09/1953 contra o XV de Novembro de Jaú e a última em 14/10/1956 contra o Bonsucesso.

Pelo rubronegro, ganhou 11 campeonatos ou torneios, que deixo de relacionar por serem muitos.

Saindo do Flamengo, voltou ao Newell's Old Boys.

Não consta que haja falecido.

Aqui vai minha única contribuição pessoal a esta postagem: a menos que a memória esteja me pregando uma grande peça, lembro de um jogo em que o Chamorro se chocou com um outro jogador e caiu ao chão com a cabeça ensanguentada. A visão daquela cabeça vermelha de sangue ficou marcada na minha memória. Estarei enganado?

 

6) ERNÂNI

Ernâni Ribeiro Guimarães nasceu no Rio de Janeiro em 24 de outubro de 1928.

Revelou-se no Olaria em 1947, passando para o Vasco em 1948, como reserva de Barbosa. Foi campeão sul-americano de clubes em 1948 e carioca em 1949, 1950 e 1953. Voltou ao Olaria e em 1957 foi para o Bangu, onde atuou apenas durante esse ano, tendo entrado em desavença com o presidente Fausto de Almeida. Foi então para o Botafogo, tendo sido campeão carioca em 1961 e 1962 e ganhou o Torneio Rio - São Paulo de 1961, encerrando a carreira em 1963.

Pelo Bangu participou de 37 jogos, com 19 vitórias, 9 empates e 9 derrotas. Sofreu 40 gols.

Morreu em 14 de janeiro de 1985, aos 56 anos de idade.

 

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RESUMO E ESTATÍSTICAS

Certos valores das estatísticas abaixo variam, de acordo com a fonte consultada. Escolhi as que julguei mais confiáveis. Posso ter errado. Há muitas lacunas porque não consegui dados de mesmo teor nas fontes que pesquisei.



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