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domingo, outubro 06, 2024

 

CONHECE ESSAS FERRAMENTAS?  (2)

A postagem de hoje é uma continuação daquela de ontem.

 1)      ENXÓ

Deve ser uma ferramenta muito pouco conhecida pelos visitantes. Serve para desbastar madeira. O nome provém do latin asciola, significando pequena enxada de carpinteiro. Também me desfiz de uma recentemente. Era parecida com a da foto.

 

2)      MÁQUINA DE FURAR

Até poucas semanas eu tinha guardado uma dessas da foto, porém me desfiz dela. Não sei se foi uma boa medida. Há muitos anos possuo duas máquinas elétricas, sendo uma com opção de martelete. A outra não tem essa opção, porém sua rotação é controlável de zero até o máximo, dependendo de quanto se aperta o gatilho dela. Esta última comprei na Sears, em fins da década de 1970 ou início da de 1980.

 

3)      TRENA DE LONA

Essa mostrada até poderia ser foto da que tenho em casa. Exatamente igual. Comprimento de 20 metros. Como topógrafo eu usava uma trena de aço, de 50 metros de comprimento. Hoje em dia as trenas são de metal flexível, porém só de 2 metros de comprimento. Há também as de raio laser.

 

4)      PLAINAS

Meu padrasto tinha esses dois tipos, sendo que a plaina da parte superior da foto não era exatamente igual à dele, mas parecida. Quanto à da parte inferior, da famosa marca Stanley, era precisamente igual à da foto. Meu padrasto trabalhava numa firma chamada Mercantil Mineira Importadora, na rua do Lavradio 144, que importava ferramentas. Assim ele conseguiu essa Stanley, que ainda conservo na caixa original. Da outra me desfiz.

 

5)      SARGENTO

É uma ferramenta destinada a prender com firmeza uma peça de madeira, metal, plástico, etc, para que se trabalhe nela, seja limando, serrando ou outra atividade qualquer. Normalmente o sargento exige uma bancada ou mesa como lugar onde ele pode ser fixado. Há vários tipos de sargento, tanto no formato quanto no tamanho

 

6)       FORMÃO e GOIVA

Formão dispensa explicações. A goiva é um formão cuja lâmina é em forma de meia-lua ou de V. É usada para fazer entalhes em madeira. Tanto os formões quanto as goivas se apresentam em diversas larguras de lâmina, formato de cabo, etc.

 

7)       ARCOS DE SERRA

Há muitos tipos diferentes desses arcos. Dependendo do tipo, podem ser usados para cortar madeira, metal, plástico, etc. Na foto, o da parte superior é exatamente igual a um dos que tenho, herdado do meu tio. O da parte inferior, em forma de U, era meu terror na escola primária e no Colégio Pedro II, onde era usado para fazermos trabalhos manuais em madeira compensada. Eu detestava esses trabalhos. A serra usada por esse tipo de arco é muito fina e empena com facilidade.

 

 8)       NÍVEL DE BOLHA D’ÁGUA

Acho que dispensa explicações. Há alguns tipos diferentes. O do topo da foto é bem antigo. Herdei um assim do meu padrasto. O segundo é um Stanley que comprei numa loja na Central do Brasil, por volta de 1984. Deixei de herança para minha ex. O terceiro é um Guepar que comprei há pouco tempo.

Hoje em dia se usam aparelhos a laser para indicar nível. Eventualmente pode ser usado nível feito com mangueira transparente de jardim, cheia d’água, se possível com anilina para dar contraste. Também é um tipo de nível bem preciso. Usei muito isso durante as obras do meu sítio, ajudado por minha ex.

Nível de mangueira é excelente para distâncias maiores, só sendo superado pelo de laser. Porém este último pode se tornar inviável dependendo da distância e da claridade do local, que pode impossibilitar a visão do feixe de laser. O nível de mangueira exige duas pessoas, uma em cada extremidade dela. Não há limite de distância para seu uso, porém é preciso evitar a formação de bolhas na água, pois isso provocará erro na medida.

 

9)       TARRAXAS

Usadas para abrir rosca em tubos de PVC ou de ferro, dependendo do tipo de tarraxa. Na foto, a da parte superior é para PVC e a da inferior é para ferro. Eu tinha dois jogos de tarraxas para PVC, da Tigre, para diâmetros diferentes. O jogo para diâmetros maiores o ladrão roubou do meu sítio. Não levou o menor. Acho que ao me separar deixei o menor para minha ex.

Meu tio possuía um jogo para tubos de ferro. Era muito pesado. Os braços eram roscáveis no corpo da tarraxa e tinham um comprimento de cerca de 50cm cada. Chegamos a usá-lo para abrir rosca em tubos de ferro para água quente na minha antiga casa no Engenho Novo. Anos depois me desfiz dele.

Hoje em dia os tubos de água são soldáveis, dispensando rosca. Há ainda umas tarraxas extremamente vagabundas à venda, individuais, ou seja, não fazem parte de um jogo. Você compra especificamente para um diâmetro de tubo. Mas é preciso fazer muita força para abrir a rosca, pois o braço delas não é em forma de T e é muito curto.

Abaixo um exemplo dessa porcaria.


 

10)   MARRETA

Dispensa explicações. Há marretas de vários tamanhos de cabo e peso. Muito usada por pedreiros para quebrar paredes, juntamente com talhadeiras. As marretas de grande porte são usadas para quebrar pedra em obras civis ou em pedreiras.


11)       LIMA e GROSA

Limas e grosas são ferramentas bem parecidas e são usadas para desbastar materiais: as grosas se destinam a desbaste em madeira e as limas em metais ou plásticos. Todas se apresentam em várias formas de seção transversal: chata em ambos os lados, chata de um lado e meia cana do outro, totalmente redondas, triangulares, quadradas.

A foto abaixo mostra um conjunto de grosas com três tipos diferentes de seções transversais: meia cana, redonda e chata.

A principal diferença entre lima e grosa é o tipo de superfície de desbaste: nas limas as ranhuras são de espaçamento pequeno e nas grosas são mais espaçadas. Por sua vez, mesmo nas limas há dois tipos de espaçamento: quando bem pequeno ela é chamada de murça; quando maior, de bastarda. As murças dão um acabamento mais fino, as bastardas mais grosseiro

A foto abaixo mostra uma grosa na parte superior e uma lima na inferior.

 

---  FIM  DA  POSTAGEM  ----







 

CONHECE ESSAS FERRAMENTAS?  (1)

A postagem deste fim de semana é elitista, no sentido de que nem todos os visitantes possuem ou possuíram certas ferramentas que serão mostradas. E quem sempre morou em apartamento ou não tem intimidade com ferramentas provavelmente desconhece muitas delas.

Algumas ainda são usadas numa versão mais moderna; outras são específicas de certas profissões, embora possam ter uso caseiro.

Quase todas as ferramentas aqui mostradas eu tenho ou tinha em casa (desfiz-me de algumas recentemente). Algumas eu comprei, outras foram herança do meu tio ou do meu padrasto.

Em virtude da quantidade delas, amanhã haverá uma continuação.

 

1)      MACHADINHA

Ainda tenho uma, porém há muito tempo não a uso. Quando eu trabalhei como topógrafo, machadinha era indispensável para fazer estacas e fincá-las no chão.

 

2)      TRADO

Pouca gente conhece essa ferramenta. Pode ser usada para furar madeira ou cavar buracos, porém o tipo de trado é diferente dependendo de sua finalidade. Na foto, o da esquerda é para madeira e o da direita é cavadeira.

 

3)      ARCO DE PUA

Essa garanto que nenhum de vocês conhece. É um tipo manual de furadeira de madeira. A origem do nome “pua” é o latim “puga”, que significa “haste com ponta aguçada”.

Também tenho uma aqui em casa, herdada do meu padrasto. A diferença em relação à da foto é que na minha a parte de madeira é vermelha e a metálica é cromada.

 

4)      PRUMOS

Existem dois tipos: o de pedreiro (o da esquerda da foto) e o de centro (o da direita). A utilização é completamente diferente. O de pedreiro é mais usado e fácil de ser visto em construção e reformas de residências. O de centro era básico no meu trabalho de topógrafo e na instalação de redes de tubulações de águas pluviais e esgotos.

Tenho os dois tipos em casa.

Hoje em dia o que era feito com tanto esmero e precisão, usando nível e prumo de centro, é feito de maneira porca usando escavadeiras. Dá nojo e vontade de vomitar quando comparo isso com a maneira como era feito antigamente.

 

5)      VERRUMA

A verruma é um trado de pequenas dimensões, destinada a perfurar madeira. Normalmente não chega a 20cm de comprimento.

 

6)       TORQUÊS

É um tipo diferente de alicate, usado para cortar fios, arames e, antigamente, para desbastar a borda de azulejos. Os armadores (profissional que arma ferragem para concretagem de vigas, lajes, etc) usam muito a torquês para torcer os arames queimados que prendem os ferros uns aos outros. Eles torcem o arame e quando os ferros estão bem presos eles o cortam com a torquês.

As torqueses variam muito em função do comprimento das hastes: quanto maiores, tanto menos força será necessária para usá-las.

Tenho uma exatamente igual à da foto, exceto que a minha é de cor afro-descendente.

 

7)       CHAVE DE GRIFO

Intensivamente usada por bombeiros hidráulicos para apertar canos, porcas de válvulas de lavatório, etc. Existem de vários portes e comprimento de cabo e consequentemente com capacidade de abertura de vários diâmetros. Eu tinha duas, de comprimentos diferentes: a maior deixei com minha ex e a outra me roubaram, não sei quando.

 

8)      ALICATES ESPECIAIS

Na falta de uma chave de grifo, em certos casos ela pode ser substituída por um dos dois tipos de alicate da foto: o da esquerda é um alicate de pressão e o da direita é conhecido como bico de papagaio. A chave de grifo exerce muito mais força do que esses alicates, que eventualmente podem deslizar sobre a peça ao serem utilizados, o que nunca ocorre com a chave de grifo. Por outro lado, normalmente as chaves de grifo são maiores do que esses alicates e portanto não cabem em certos locais de difícil acesso.

 

9)      PÉ-DE-CABRA

Ferramenta até hoje muito usada pelos arrombadores. Tenho uma em casa e por precaução ela é guardada num local escondido e dentro da residência, e não em área externa.

 

10)   SERROTES

Há vários tipos de serrote. Veremos alguns. Já tive todos os tipos que serão mostrados, porém hoje não restou nenhum.

A foto seguinte mostra na parte superior um serrote tradicional e na inferior o tipo usado para podar árvores. 

Já a foto abaixo mostra na parte superior um serrote de costas, usado para cortes mais precisos que um serrote comum. Os dentes cortam em ambos os sentidos e o corte é mais fino e preciso. Ele é usado para recortar juntas, detalhes e pequenas peças com precisão. Não se destina a cortar madeira de fora a fora, embora eventualmente possa ser usado para isso.

Na parte inferior da foto vemos um serrote agulha, usado quando se deseja cortar um pedaço de madeira sem ser de fora a fora. Pode-se fazer um furo no ponto inicial desejado, inserir a ponta do serrote e cortar só dali em diante. Observe que o exemplar da foto tem a possibilidade de mudar o formato da lâmina denteada.


11)       REBITADEIRA

Como o nome diz, serve para colocar rebites em peças de metal. Tenho uma exatamente igual à da foto. Há alguns meses eu a usei para reforçar uma cadeira reclinável de praia que estava com a armação empenada. Defeito de projeto do fabricante. Dei-lhes uma esculhambação em regra. Propuseram-me trocar a cadeira, mas recusei dizendo que a nova certamente iria empenar também e eu não estava a fim de fazer mais um conserto.


---  AMANHÃ  TEM  MAIS  ---



quinta-feira, outubro 03, 2024

 

NA MINHA CASA TINHA. E NA SUA? (3)

Como neste fim de semana as atenções estarão voltadas para outro assunto, resolvi fazer esta postagem simples, ainda sobre utensílios e objetos antigos. Aceitei as lembranças de vários de vocês e acrescentei algumas reminiscências minhas.


SANDUICHEIRA

Só me lembro de ter isso já depois de casado. Tive dois modelos diferentes.


PRATO DECORATIVO

Também eram comuns esses pratos, que ficavam presos em suportes. Lá em casa havia um, de metal cinza (não sei se chumbo ou estanho) que era do tipo de pendurar na parede. Mostrava o interior de uma casa da Idade Média. Muito bonito. Não sei que fim levou. 


LAMPARINA


Havia mais de um tipo, sendo que algumas possuíam um cabo para transporte.

 

FOGAREIRO

O lá de casa era exatamente igual ao da foto. Inclusive quanto à ferrugem.

 

ESPIRITADEIRA

Não me perguntem a origem desse nome. Tínhamos uma ou duas lá em casa, mas chamávamos de fogareiro de mão.

 

LAMPIÃO

Também havia vários tipos, os mais antigos a querosene e os mais novos a carbureto. Só tínhamos o modelo a querosene.

 

ESPANADOR

Apetrecho especializado em jogar a poeira de um lado para outro. Tínhamos um, diferente do modelo da foto. Era maior e as penas também eram diferentes.

 

ABANADOR

Isso eu tive até sair de casa, em 1998. Usávamos para abanar a churrasqueira pequena. Não sei que fim minha ex deu a ele.

 

BOMBA DE FLIT

O modelo da foto é bem antigo e original. Depois surgiram modelos em plástico colorido.

 

ESPIRAL e MATA-MOSCAS

Eis a famosa Espiral Sentinela, indispensável na época dos pernilongos. Cheiro muito forte, veneno para os alérgicos. Na embalagem elas vinham encaixadas uma nas outras. Tinham de ser desencaixadas com cuidado, para não quebrarem.

O mata-moscas manual ainda hoje é vendido, embora haja os modelos a pilha.

 

RELÓGIOS DE PAREDE

Havia muitas dezenas de modelos diferentes. As fotos exibem apenas uma amostra deles. Alguns tinham carrilhão para toque a cada 15 minutos ou a cada hora.

 

RELÓGIOS DE MESA

O modelo à esquerda era muito comum nas casas. O da direita é um despertador da famosa marca Westclox. Lá em casa havia um exatamente igual à foto. Era usado pela minha avó para acordar às 04:30h, levantar-se, fazer café, comer um pão francês com manteiga, arrumar-se e ir para o trabalho na Lavanderia Alva, na rua Soares Cabral. Para isso ia até a esquina da rua, pegava o bonde 66 – Tijuca, saltava na rua da Carioca, andava a pé até o Tabuleiro da Baiana e lá pegava o 2 – Laranjeiras ou o 3 – Águas Férreas.

Trabalhou na lavanderia até os 67 anos de idade, quando teve um AVC que não deixou sequelas mas a afastou do trabalho.

 

RELÓGIO CUCO

Havia uma quantidade imensa de modelos diferentes. Em 1998 me hospedei num pequeno hotel em Nova Friburgo cujo dono era suíço e fabricava esse tipo de relógio.

Quando me mudei para a casa onde moro atualmente, o inquilino anterior havia deixado um falso relógio cuco (era movido a pilha). Minha mãe e minha tia ficaram com ele, mas minha tia reclamava do cuco cantando de madrugada. Quando ambas morreram, uma em 2014 e outra em 2018, o apartamento foi devolvido ao proprietário e não sei que fim o relógio teve.  

 

BATEDEIRAS

Havia ambas lá em casa, exatamente iguais às da foto.

 

RETRATO OVAL

Muito comum nas casas antigas. Lá em casa havia um da minha avó, porém ficava em cima de um camiseiro e não na parede.

 

RETRATO DE CRIANÇA

Era comum retratistas ambulantes que batiam nas casas e se ofereciam para tirar fotos dos moradores, normalmente das crianças. Uma vez minha mãe aceitou a oferta e meu irmão e eu fomos fotografados. Eis-me acima, segurando um exemplar da Revista do Rádio, fingindo compenetração na leitura.

 

QUADROS RELIGIOSOS

Também muito comuns. A foto abaixo mostra um do Sagrado Coração de Jesus, incrivelmente parecido com o que havia lá em casa e que citei ainda outro dia, ao contar sobre o período de loucura do meu tio. Até a moldura parece a mesma.

Quadros com a Santa Ceia também eram comuns. Havia um lá em casa.

  

PENICO

Ao que me lembro, havia dois lá em casa: um menor e um maior. Muitos anos depois, por motivos que ninguém imagina e só contarei após cortarem meu pescoço, comprei um de alumínio. Não lembro que fim lhe dei. Acho que quando me casei ele ficou na casa da minha mãe.

 

TELEFONES DE MESA

A foto mostra um modelo comum e um a magneto (alguns chamam de “a manivela”). Minha tia possuía um desses comuns. O número era 38-6969.

Quanto ao de magneto, no período em que íamos a família toda a Angra dos Reis (1959-1970), ficávamos hospedados num hotel muito chinfrim, de nome Hotel do Comércio, situado na rua homônima. Uma espelunca. O telefone era a magneto, número “Angra dos Reis 17”.

 

TELEFONES DE PAREDE

Nosso primeiro telefone era do tipo de parede, o modelo preto da foto. O número era 58-8514. Ficava dependurado perto da porta de entrada da sala de jantar. Quando minha mãe ligava para o “Angra dos Reis 17” para reservar quartos, a ligação era péssima. A espera da telefonista era de 3 horas. Quando completava, minha mãe berrava a plenos pulmões para conseguir ser ouvida lá no hotel.

Já o telefone de madeira da foto era muito parecido com o existente na casa de uma tia-avó, que morava na rua Viscondessa de Pirassununga, 33A no bairro do Estácio.


-------   FIM  DA  POSTAGEM  ------



quinta-feira, setembro 26, 2024

 

BÔNUS

Espero que vocês não se aborreçam com o conteúdo daqui para diante. Ele é excepcional, no sentido de que não se refere ao Rio de Janeiro. Mas foi a oportunidade que achei para documentar um pouco o muito que volta e meia escrevo sobre meu período em Belém do Pará, pela CINCO, na maior obra de saneamento da Amazônia na época: construção da rede principal de esgoto da cidade, desde o centro até a elevatória no bairro de Perpétuo Socorro (Telégrafo no Google Maps) e dela para dentro da baía de Guajará.

Nos meus comentários pretéritos volta e meia cito o nome de algumas pessoas daquela obra e aqui pretendo apresentá-las a vocês. E por que não acrescentar algumas pitadas engraçadas ou interessantes sobre eles?

As fotos abaixo mostram de camiseta branca o competentíssimo encarregado-geral da obra, Manoel Quinino, cearense de Nova Russas, morador aqui no bairro de Quintino. O gorduchinho é o fiscal da firma Byington, de nome Reinaldo. Eu sou o orelhudo quase careca. Com a maior cara de pau eu usava a calça, o cinto, a camiseta e o boné do Exército (na foto estou sem a camiseta e o boné), onde no ano anterior eu servira ao CPOR. Corria risco, mas não estava nem aí para isso. Coisas da juventude.  

Ao fundo o prédio da elevatória de esgotos, ainda em construção. O local é o canteiro de Perpétuo Socorro.


Quinino era mulherengo e dizia que seu sonho era transar com uma japonesa para deixá-la com os olhos arregalados, e com uma vesga para endireitar os olhos dela.

A foto abaixo é no canteiro do Igarapé das Armas, já mais perto do centro da cidade. O gorducho de óculos é o diretor administrativo da CINCO, Antônio Carlos Colagrossi, primo do dono, e que era chamado de Nando, não sei por que. Nesse dia, antes de tirar a foto comigo, ele se queixou do meu CC. Eu não usava desodorante na época.

A foto abaixo também é no Igarapé das Armas, cujas águas dá para ver atrás do nosso grupo. Permitam-me apresentar rapidamente as pessoas, da direita para a esquerda.


De camiseta branca, sentado, Adilson, antes enfermeiro da ICOMI (Indústria e Comércio de Minérios S.A), do Amapá, que ali explorava manganês. Na CINCO ele era apontador (encarregado de registrar as horas trabalhadas por cada peão).

Ao lado dele, também sentado, Rafael, que trabalhou durante bom tempo em barcos de contrabando nos rios da Amazônia. Ele contava hilárias histórias desse período, quando brincavam de gato e rato com as fragatas da Marinha que fiscalizavam o tráfego na região. Também era apontador na CINCO.

Eu, de pé, sem camisa e com chapéu.

O de camisa xadrez era o Gabriel, mas não lembro seu cargo.

De camiseta branca, de pé, o Bezerra, topógrafo, que me substituiu quando retornei ao Rio.

Ao lado dele, sem camisa, um dos meus ajudantes. Chamávamo-lo apenas de “peão”, sem sentido pejorativo. Era caladão e boa gente.

O de pé, camisa clara, também não lembro seu nome.

De camisa laranja era outro meu ajudante. Não lembro o nome dele. Era muito novo, mulherengo que só ele, embora casado. Quando passava uma garota, ele mexia e ela não dava bola, ele gritava: “Ô mulhé!!”. Era um gozador.

Ao fundo, do outro lado do igarapé, barracos paupérrimos de madeira. A região do Igarapé das Armas foi totalmente urbanizada e hoje não consigo mais localizar onde ele existia.

Finalmente, a foto abaixo mostra meu tio Adhemar, familiarmente conhecido como tio Inhô, em algum lugar durante as obras da BR-116 no trecho Rio – Teresópolis, na qual ele trabalhou ainda pela CAVO (Companhia Auxiliar de Viação e Obras), da qual a CINCO foi uma dissidência. Já citei esse meu tio várias vezes aqui no SDR. Quando da fundação da CINCO, ele foi convidado para trabalhar lá. Tempos depois, arranjou para mim a vaga de topógrafo, em substituição a um estudante de Engenharia Civil que estava prestes a se formar e era na época o topógrafo da CINCO. Ele também trabalhou em Belém.


Bem, era o que eu queria relatar, tanto a obra quanto esse complemento. Agradeço a quem tenha lido todo o material. E ao Luiz por permitir esse bônus fora das regras.

 

----------  FIM  DA  POSTAGEM  ----------

 

 

 

 

REVISITANDO O SDR

O "Saudades do Rio" fechou as portas para novas postagens no final de outubro, mas surgiu uma nova ideia dos comentaristas: O obje...