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domingo, julho 31, 2022

 

TIPOS ESPECIAIS DE BONDES

 

INTRODUÇÃO

Os visitantes do SDR que chegaram a ver bondes em circulação naturalmente os consideravam como voltados ao transporte diuturno de passageiros. Mas isso não é verdade. Ao longo das décadas existiram vários tipos de bonde com diferentes propósitos. Alguns foram desativados ao longo do tempo, seja porque o Estado assumiu as funções que eles executavam, seja por decisão da própria Light/Jardim Botânico.

Na postagem de hoje, vamos mostrar esses tipos pouco conhecidos (e até mesmo desconhecidos) de bondes. Vários deles nenhum de nós jamais viu circulando, pois foram extintos antes que nascêssemos.

 

1) SERVIÇO POSTAL

Como seu próprio nome indica, eram auxiliares dos Correios, transportando volumes e correspondência entre pontos determinados da cidade. Na foto abaixo, vemos um desses bondes parado em frente ao antigo prédio da estação da Central do Brasil.


2) IRRIGADOR

Eram bondes destinados a espargir água nas ruas, a título de limpeza. A foto abaixo mostra um deles em serviço, no dia 21/04/1910, em local não identificado.


Esses bondes também podiam ser usados como pipas d'água. Na foto abaixo, tirada em 05/11/1939, um deles fornece água a moradores de um subúrbio.


 

3) BONDE PARA SOLENIDADES

Tipo bastante antigo. A foto abaixo é de 07/06/1912. Desconheço se podia ser alugado ou se era usado para transportar autoridades.


Luxuoso interior do bonde de solenidades.


 

4) AMBULÂNCIA

Auto-explicativa. A foto abaixo é muito conhecida e foi tirada em 1922, na Praia do Flamengo. De pé, o presidente Epitácio Pessoa, o prefeito Carlos Sampaio e o Diretor da Higiene e Assistência Municipal, Adalberto Ferreira. Desconheço o uso exato desse tipo de bonde, mas certamente não se destinava a pegar doentes em casa. Talvez trafegasse entre hospitais.


Observem que tanto esse bonde acima como o de solenidades possuem o número de ordem 731. Provavelmente o de solenidades foi transformado no de ambulância.

Curiosidade: eu me lembro de que na minha infância, quando vinha chegando uma ambulância, a gente usava a frase "Lá vem a assistência". A palavra "ambulância" não era usada, pelo menos no meio onde eu vivia.

 

5) TRANSPORTE DE LIXO

Ao longo do tempo houve mais de um tipo de bonde com essa finalidade. Desconheço como o lixo era colocado neles. Aparentemente o conteúdo era descarregado no aterro do Caju.

A foto abaixo mostra um desses bondes descarregando sua carga, no dia 18/12/1945.


Já na foto abaixo, da década de 1950, vemos outro tipo, circulando pelas ruas.


 

6) BASCULANTE

Destinava-se a carregar pedra, areia ou outro material que pudesse ser basculado. Era usado principalmente pela própria Light/JB, durante trabalhos de conservação da via. Mas podia ser alugado por empresas. A foto abaixo é de 1940.


 

7) BAGAGEIRO

Era um tipo muito comum de bonde, destinado ao transporte de mercadoria, principalmente produtos vendidos em mercados, armazéns ou quitandas. Tinham linha, itinerário e horários pré-determinados, como se fossem bondes de passageiros. Possuíam letreiro com o nome da linha, mas não tinham capelinha.

Havia bagageiros pequenos e grandes. As fotos abaixo os mostram.



A linda foto abaixo mostra vários bagageiros estacionados no antigo Mercado Municipal da Praça XV. Observe que há três pares de trilhos em paralelo. Por aí dá para presumir a intensidade de tráfego desses bondes na área do mercado.


O 758 está fazendo a linha São Luiz Durão, o 757 está na linha Piedade e ao fundo o 778 se destina à Gávea. Os dois primeiros são do tipo grande e o último é pequeno. Um outro do tipo grande aparece parcialmente no lado direito da foto.

 

8) TAIOBA

Dos tipos aqui mostrados, abri uma exceção para os taiobas, que podiam transportar passageiros e pequenos volumes. Não eram abertos como os bondes normais de passageiros e sua capacidade de lotação era menor, de forma a deixar no meio do carro um espaço para os volumes transportados. O preço da passagem era a metade do normal, por serem considerados bondes de segunda classe. Dizem que eram de cor marrom, e não verde como todos os demais bondes.

Os taiobas possuíam linha, itinerário e horário pré-determinados, tal como os bagageiros, e tal como eles também não possuíam capelinha. Foram descontinuados em 1955. Não me lembro de os ter visto circulando.

Havia variações de modelo de taioba, como veremos abaixo.

A foto a seguir, tirada no Carnaval de 1932, mostra um taioba da linha Cascadura.


Abaixo um taioba da linha Vila Isabel x Engenho Novo, em foto de 22/10/1951.


Abaixo um taioba da linha Piedade, trafegando na rua Adolfo Bergamini.


 

9) BONDE DE CEROULA

Tipo de bonde que começou a circular em 06/08/1900 e que servia aos frequentadores do Teatro Municipal. Por ser considerado de luxo, seus bancos eram cobertos com panos de brim branco e o assoalho era coberto com tapetes. O brim era amarrado nos lados dos bancos por cadarços semelhantes aos que prendiam nas pernas as ceroulas então usadas pelos homens, daí o apelido. Este tipo de bonde trafegou até a época da Segunda Grande Guerra.


 

 -------------------  FIM  DAS  FOTOS  ----------------

CONCLUSÃO

A  diversidade de tipos de bondes aqui mostrada prova que eles eram pau para toda obra. Infelizmente aqueles de nós que chegamos a vê-los já o fizemos nos seus estertores, quando tanto a Light/JB quanto o governo já não se interessavam por eles. Os motivos para isso foram vários e estão fora do escopo desta postagem.


Crédito das fotos: as fotos mostradas na postagem foram obtidas no Museu da Imagem e do Som, no Arquivo Nacional, no Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, no livro "História do Transporte Urbano no Brasil", de Waldemar Corrêa Stiel, ou na internet.


sábado, abril 30, 2022

 

CONJUNTOS BRASILEIROS ANTIGOS

Conjuntos musicais sempre abundaram no mundo todo: duplas, trios, quartetos, etc. A seguir temos uma lista de alguns de conjuntos brasileiros antigos. Obviamente é uma pequena amostra do que existiu no cenário musical nacional. Procurei listar conjuntos nem muito antigos (por causa da idade média dos visitantes) nem muito novos (para me manter dentro do limite de tempo do SDR).

Para evitar longo texto, não citei a história completa dos conjuntos nem suas músicas mais conhecidas.


1) TRIO IRAKITAN

Trio Irakitan é um conjunto vocal e instrumental criado em 1950 por Valdomiro Sobrinho, o "Valdó", Paulo Gilvan Duarte Bezerril (conhecido no meio artístico como Paulo Gilvan) e por João Manoel de Araújo Costa Netto, o Joãozinho. O primeiro nome dado ao trio foi Trio Muirakitan, escolhido por Luís da Câmara Cascudo, que significa pedra verde em tupi-guarani. Como na época já havia um trio com o mesmo nome no Amazonas, Câmara Cascudo rebatizou o grupo como Trio Irakitan, que, segundo Paulo Gilvan, significa mel verde, ou, numa linguagem poética, doce esperança.



 

2) TRIO NAGÔ

O Trio Nagô foi formado em 1950 por Evaldo Gouveia, com Mário Alves (seu alfaiate) e Epaminondas de Souza (colega de boemia). Após representar o estado do Ceará no programa Cesar de Alencar, na Rádio Nacional, o grupo foi contratado pela Rádio Jornal do Brasil e posteriormente pelas boates Vogue (RJ) e Oásis (SP). Dois anos depois, iniciaram um programa semanal na Rádio Record (SP) que duraria pelos cinco anos seguintes.



 

3) OS CARIOCAS

Os Cariocas é um conjunto vocal, criado por Ismael Neto em 1942, cujo repertório é a música popular brasileira (MPB), figurando entre os mais antigos do Brasil. Os componentes do conjunto eram Ismael Neto,Severino Filho, Emanuel Furtado, o Badeco, Waldir Viviani e Jorge Quartarone, o Quartera. No período inicial, o grupo apresentava influências do jazz, sobretudo do swing.

Originalmente cantavam em festinhas da vizinhança no bairro da Tijuca, quando participaram do programa de calouros Papel Carbono, de Renato Murce, pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro, vindo a obter o segundo lugar. Em novas tentativas no programa, obtiveram a primeira colocação por duas vezes seguidas.



4) MPB-4

MPB4 é um grupo vocal e instrumental brasileiro, criado em Niterói em 1965. A primeira formação contou com Miltinho (Milton Lima dos Santos Filho), Magro (Antônio José Waghabi Filho), Aquiles (Aquiles Rique Reis) e Ruy Faria (Ruy Alexandre Faria). Em 2004, Ruy Faria saiu do quarteto, por de divergências comerciais com Miltinho, sendo substituído por Dalmo Medeiros, ex-integrante do grupo Céu da Boca. Em 2012 Magro morreu, sendo substituído por Paulo Malaguti, ex-integrante também do Céu da Boca e na época fazendo parte do grupo Arranco de Varsóvia.



5) QUARTETO EM CY

Quarteto em Cy é um grupo vocal formado em 1964 pelas irmãs Cybele, Cylene, Cynara e Cyva Ribeiro de Sá Leite. É considerado o maior quarteto vocal feminino do Brasil, além de ser o mais antigo. Nascidas em IbirataiaBahia, elas se mudaram para a capital carioca para trabalhar com música, contando com o apoio de Vinícius de Moraes (que as chamava carinhosamente de "baianinhas"). A estreia oficial do Quarteto aconteceu no dia 30 de junho de 1964, no Bottles Bar — Beco das Garrafas. No violão estava Rosinha de Valença, na guitarra Carlos Castilho, e o Copa Trio, com Dom Um Romão na bateria, Dom Salvador no piano e Manuel Gusmão no contrabaixo.

No final da década de 1960, o grupo alcançou êxito internacional sob o título The Girls From Bahia, tendo passado por mudanças em sua composição original. Neste período atuaram no quarteto as cantoras Semíramis, Regina e Sonya. Após um breve hiato o grupo voltou às atividades em 1972 com as cantoras: Cyva, Cynara, Dorinha e Sonya. 


 

6) DEMÔNIOS DA GAROA

Um dos principais pilares do samba paulistano, o Demônios da Garoa foi fundado no bairro da Mooca, em 1943, por Toninho, Arnaldo Rosa, Francisco Paulo Galo, Cláudio Rosa e Arthur Bernardo, com o nome Grupo do Luar. No começo da carreira, os cinco ficaram conhecidos na região por cantar serenatas para moças do bairro. 

No mesmo ano de 1943, cantando pela primeira vez no rádio, venceu um concurso de calouros, chamado A Hora da Bomba, da Rádio Bandeirantes. O prêmio principal era um contrato para duas apresentações semanais na rádio.

O grupo mudou de nome por iniciativa do locutor Vicente Leporace, entusiasta do grupo. Este promoveu um concurso entre os ouvintes para que fosse escolhido o nome do grupo. Dentre as sugestões, foi escolhido o nome "Demônios da Garoa" por um ouvinte da radio não identificado até hoje.

Em 1949 conheceram o compositor Adoniran Barbosa. Nasceu a parceria que rendeu os principais sucessos do grupo e seu reconhecimento nacional. O bom humor tornou-se a marca registrada do grupo. Em 1965, com mudanças na formação original, gravou "Trem das Onze", canção emblemática, juntamente com "Iracema", "Saudosa Maloca", "O Samba do Arnesto", "As Mariposas", "Tiro ao Álvaro", "Ói Nóis Aqui Trá Veiz", "Vila Esperança" e "Vai no Bexiga pra Ver".

O grupo vendeu mais de dez milhões de cópias distribuídos em 69 compactos simples, 6 compactos duplos, 34 LPs e 13 CDs ao longo de sua carreira.

Em 1994, os Demônios da Garoa entraram para o Guinness Book - Livro dos Recordes Brasileiro, como o "Conjunto Vocal Mais Antigo do Brasil em Atividade", além de receberem o disco de ouro pelo álbum 50 Anos



 

7) QUINTETO VIOLADO

Quinteto Violado é um conjunto instrumental-vocal brasileiro formado em 1970, na cidade de Recife, que se caracteriza pela interpretação de músicas nordestinas e a realização de pesquisas sobre o folclore brasileiro.

Foi inicialmente formado por Toinho (Antônio Alves), canto e baixo acústico; Marcelo (Marcelo de Vasconcelos Cavalcante Melo), canto, viola e violão; Fernando Filizola; Luciano (Luciano Lira Pimentel), percussão, e Sando (Alexandre Johnson dos Anjos), flautista.

Apresentou-se pela primeira vez, ainda sem a denominação que o tornou famoso, em janeiro de 1970, na Faculdade de Filosofia da Universidade Federal de Pernambuco. Em outubro de 1971, quando se apresentou no Teatro da Nova Jerusalém (Fazenda Nova PE), seus integrantes foram chamados de "os violados", nascendo dai o Quinteto Violado. 

 A estreia internacional do grupo aconteceu um ano depois, no Mercado Internacional de Disco e Edição Musical - Midem, realizado na cidade de CannesFrança. A participação neste evento resultou no lançamento do primeiro disco do grupo e do LP "A Feira no Japão". Nesta mesma viagem o Quinteto foi até Paris, onde se apresentou no Olympia, ao lado de Jorge BenjorToquinho e Vinícius de Moraes.[2]

Em 1974, receberam o Troféu Noel Rosa, como Melhor Conjunto Instrumental do Brasil, pela Associação de Críticos de Arte de São Paulo.




 

 

quinta-feira, abril 07, 2022

 

TELECATCH

INTRODUÇÃO

Catch-as-catch-can é uma modalidade de luta-livre em que teoricamente todos os tipos de golpe são permitidos. O texto abaixo foi confeccionado a partir de informações da Internet e recordações minhas. A memória pode ter me pregado peças e posso ter cometido erros no texto. Mesmo na Internet as informações de alguns sites estão em conflito com as de outros. Tive de optar por uma delas.

I) OS PIONEIROS

Em 1956 a TV Rio passou a exibir o programa "TV Rio Ring", dedicado a lutas de boxe. Foi um sucesso estrondoso: Luiz Mendes era o narrador, Leo Batista o apresentador dos lutadores e Téti Alfonso o comentarista.

Outras emissoras entraram na onda: a TV Record, com "As Feras do Ringue", em 1959; a Tupi, com "Gigantes do Ringue"; a TV Bandeirantes, com "Campeões do 13".

Mas quem fez sucesso mesmo foi o "Telecatch Vulcan", levado ao ar pela antiga TV Excelsior, canal 2 no Rio de Janeiro, entre os anos de 1965 e 1966. Em virtude de mudança de patrocinador, o programa passou para a TV Globo, com o nome "Telecatch Montilla", tendo sido exibido entre 1967 e 1969. A história referente a essas duas versões do programa apresenta contradições na Internet.

Na versão da Globo a direção era do Renato Pacote e Téti Alfonso. A narração era do Jayme Ferreira e do Tércio de Lima.

Abaixo uma foto de propaganda do programa.


Em 1969 a censura proibiu a exibição do programa antes das 23 horas, por ser considerado violento. A audiência foi à lona e o programa logo depois saiu do ar. Na década de 1970 a TV Record relançou-o, com o nome "Reis do Ringue". Nos anos seguintes várias emissoras de muitos Estados tiveram seus próprios programas de telecatch.   

Houve até álbum de figurinhas com os lutadores e demais envolvidos com os programas.


O fim chegou na década de 2000. Os motivos para tal não estão claros. Alguns dizem que foi perda de interesse do público; outros falam que foi pressão do mundo pugilístico, que condenava as encenações porque o público não era avisado sobre elas e isso desmoralizava as lutas reais. No México e nos EUA ainda há esses programas, porém lá todos são avisados se tratar de encenação.

Esta postagem se refere apenas às versões do programa na Excelsior e na Globo.

 

II) OS PAPEIS DOS LUTADORES

Dentre os lutadores, alguns faziam o papel de "vilão" e outros o de "mocinho". Até mesmo os juízes participavam da encenação, alguns deles "roubando" descaradamente para os "vilões" e deixando de ver os golpes baixos aplicados nos "mocinhos". Dois desses juízes "ladrões" eram o Crispim e o Celso. A plateia ficava revoltada com eles.

 

III) AS LUTAS

As lutas não eram combates verdadeiros, e sim uma combinação de encenação teatral, circo e golpes em boa parte fictícios, com sangue feito de suco de groselha, etc. Apesar disso, vários lutadores  sofreram contusões ao longo dos anos.

As lutas normalmente eram confronto de um vilão com um mocinho. Durante boa parte da luta o vilão espancava sem dó o mocinho, inclusive usando golpes baixos, para desespero da plateia e sob vista grossa do juiz. Mas no último round o mocinho se recuperava totalmente e acabava vencendo a luta. O Bem sempre vencia o Mal. Pura encenação, bem entendido.

Os combates possuíam plateia, composta inclusive por muitas mulheres que torciam com entusiasmo. Aliás, a empolgação da plateia era uma das atrações do programa. Alguns acreditavam que a luta era real; outros percebiam que era apenas encenação.

 

IV) O PODER DA ENCENAÇÃO

Dois casos hilários que mostram como a encenação era tão bem feita que muitas pessoas acreditavam se tratar de realidade.

Num deles, ocorrido numa apresentação do telecatch em Goiânia, entraram no ring Ted Boy Marino (o mocinho) e Barba Ruiva (o vilão). O juiz era o Crispim. No decorrer da luta, Barba Ruiva aplicava sucessivos golpes baixos no Ted Boy Marino, sob a vista grossa do juiz. Um senhor da plateia, inconformado com a "roubalheira", invadiu o ring e deu umas boas bolachas no juiz, sob aplausos da plateia. Os seguranças tiveram de afastar o agressor.

Num outro caso, a atriz Lourdes Mayer, da Excelsior, indignada com a surra que o mocinho estava levando, invadiu o ring e deu umas guarda-chuvadas no vilão. Se ela, que tinha acesso aos bastidores da Excelsior, achava que tudo era real, imaginem o público.

 

V) OS GOLPES BAIXOS E OS VÁLIDOS

Dentre os golpes baixos destacavam-se mordidas, dedo nos olhos, puxões de cabelo, limão espremido no olho (golpe chamado de "caipirinha humana"), soco inglês, enforcamento com as cordas do ring ou com toalha, etc, normalmente feitos pelo vilão olhando zombeteiramente para a plateia, que o vaiava e xingava.

Abaixo vemos um enforcamento com as cordas do ring.


Os golpes válidos mais famosos eram a tesoura voadora (o lutador pulava no pescoço do outro e o prendia com as duas pernas, obrigando-o a cair no chão), o tacle (o lutador pulava com os dois pés juntos no peito do outro, derrubando-o) e o "double Nelson" (um lutador se postava atrás do outro, passava os braços por baixo dos braços dele e segurava o seu pescoço por trás, imobilizando o adversário).

Abaixo vemos uma tesoura voadora, um tacle e um "double Nelson".







 

VI) RELAÇÃO PARCIAL DE LUTADORES

A relação completa de lutadores dos vários programas de telecatch é muitíssimo extensa. Vários se tornaram bastante conhecidos. Como não existiu interregno (ou foi muito pequeno) entre as versões Excelsior e Globo, não me lembro se todos os lutadores da primeira passaram para a segunda.

Abaixo segue uma lista de alguns lutadores. Não consegui fotos de todos e de alguns sequer consegui informações mais detalhadas. Minha memória pode ter me pregado peças e eu posso ter errado o nome ou a descrição de alguns.  

1) "Nocaute" Jack ==> denominado de "o lutador técnico", era um mulato sarado, que conforme seu apelido usava golpes precisos e permitidos, vencendo sempre os adversários. Ao que me lembro, só lutou na Excelsior. Na fase Globo houve um lutador com esse mesmo apelido, porém era tão diferente desse que descrevi acima que não sei se estou enganado ou se eram realmente dois lutadores diferentes usando o mesmo apelido.

Abaixo o "Nocaute" Jack da versão Globo.



2) Renato ==> era um mocinho galã. Fazia uma entrada triunfal, usando short branco e vindo envolto em uma capa também branca, que ele tirava teatralmente ao entrar no ring e atirava para a plateia, levando a mulherada ao delírio. Acho que só lutou na Excelsior. Não encontrei foto dele.

3) Valdemar "Sujeira" ==> era um vilão gorducho. Acho que só lutou na Excelsior. Fazendo jus a seu apelido, adorava aplicar golpes baixos no mocinho. Consegui uma foto com o nome dele, porém tenho minhas dúvidas a respeito, porque no site onde a encontrei, apesar de citá-lo como lutador de catch, diz que ele encerrou a carreira em 1961 e morreu assassinado em 12/01/1965, datas anteriores ao programa da Excelsior. No tal site seu nome é dado como Valdemar Cavalcanti Guimarães.


4) Ted Boy Marino ==> sem dúvida o mais famoso de todos os lutadores de catch. Nasceu na Itália, com nome Mario Marino, em 18/10/1939. Foi para Buenos Aires aos 14 anos, no porão de um navio, com os pais e cinco irmãos. Trabalhou como sapateiro mas nas horas livres praticava halterofilismo e luta livre. Em 1962 já participava de programas de telecatch nas TV's de Buenos Aires e Montevidéu. Veio para o Brasil em 1965 e logo foi contratado pela Excelsior. Ao fim das lutas jogava a sua toalha para a plateia, que se engalfinhava para pegá-la. Em virtude de seu estrondoso sucesso, participou de vários programas na Globo e até de um filme, com o Renato Aragão. Morreu em 27/09/2012, por parada cardíaca durante uma cirurgia de emergência.


5) Verdugo ==> um dos mais famosos lutadores. Usava uma roupa toda preta, com o rosto coberto com desenho de uma caveira. Nunca mostrou o rosto para a plateia. Dizem que foi representado por mais de um lutador, porém o mais citado é Wilson Rosaline, um mineiro de São Lourenço, nascido em 1920. Tendo abandonado as lutas, anos depois se mudou para Luziânia (GO), onde costumava se vestir de Papai Noel nos fins de ano. Foi assassinado em dezembro de 2000 por um colega de trabalho de sua filha, com o qual Wilson foi tomar satisfações por tê-la agredido. Maiores detalhes podem ser obtidos na Internet.


6) Aquiles, o Matador ==> um dos mais temidos vilões. Nascido Vespaciano Feliz de Oliveira, começou no box em 1960 e depois passou para a luta livre. Ganhou o apelido de "o Matador" depois que um adversário morreu após perder uma luta para ele. Não consegui descobrir se foi resultado dos golpes ou não. Entrava no ring e zombava dos adversários, fazendo pouco caso de suas forças e habilidades. Abandonou as lutas em final dos anos 1980 e mudou-se para o interior de São Paulo, onde virou cantor gospel.



7) Fantomas ==> usava uma vestimenta parecida com a do Verdugo. Tinha como característica jamais dobrar as pernas e mantinha sempre os braços esticados. E mesmo sob golpes dos adversários, jamais caía no chão. Por lutar mascarado e nunca mostrar o rosto, Fantomas foi representado por vários lutadores ao longo do tempo. Seu criador e primeiro a encarná-lo foi José Carlos Pereira, nascido em 15/07/1940 e que abandonou as lutas em 1975. Outros intérpretes foram George Petrovitch e Propício Gazzana da Silva.


8) Mongol ==> famoso vilão, sua aparência justificava o apelido. Era garagista na rua da Carioca. Não consegui maiores informações sobre ele, exceto que já morreu.


9) Tigre Paraguaio ==> só consegui informações de que havia aberto uma academia perto de Foz do Iguaçu. Morreu há alguns anos.



10) Rasputin Barba Vermelha ==> houve mais de um lutador com o apelido Rasputin, porém só um com o acréscimo "Barba Vermelha". E ele era do tempo Excelsior x Globo. Os outros foram posteriores. Não consegui informações sobre ele. Apesar do apelido Rasputin, ele não se parecia nem um pouco com o verdadeiro Rasputin russo. Abaixo foto de ambos, para efeito de comparação.



VII) RECORDAÇÃO

A título de recordação, segue um rápido vídeo de uma luta entre Ted Boy Marino e El Gringo. Caso você não consiga vê-la no seu celular, vá até o fim da página do SDR e mude para a versão Web do blog.


 

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