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sábado, agosto 12, 2023

 

COMPUTADORES ANTIGOS (MAINFRAMES)

Esta postagem trata de um assunto desconhecido da imensa maioria dos visitantes e é a primeira de um conjunto relativo a computadores antigos. O alvo são os mainframes, computadores de grande capacidade de processamento usados em empresas e instituições de pesquisa. O texto é um resumo do resumo do que se pode dizer a respeito dos mainframes, e deixa de lado vários modelos que um dia existiram, focando mais nos que se tornaram sucesso de mercado ou que foram os precursores da espécie..

 

1) MAINFRAMES DE PRIMEIRA GERAÇÃO

Esses computadores usavam válvulas, o que gerava alta temperatura e consumo excessivo de energia elétrica, além de outros problemas. A programação era feita diretamente neles ou através da leitura de fitas de papel, parecidas com as usadas em teletipos. Vejamos alguns dos tipos de mainframe dessa geração.

 

1.1) COLOSSUS


O Colossus é considerado o primeiro computador eletrônico programável, embora isso fosse feito através de plugues e chaves, e não por programas armazenados. O protótipo do Colossus, denominado de Mark I, foi construído em 1943 pela Inglaterra e entrou em operação no início de 1944, como parte do esforço de decriptar as mensagens enviadas pela Wehrmacht durante a II Guerra Mundial. Esse assunto por si só merece muitas horas de leitura. Recomendo.

O Mark II entrou em operação em junho de 1944, na época do desembarque aliado na Normandia. Até o fim da guerra já havia dez Colossi em operação e um décimo primeiro em construção.

A foto mostra apenas parte do Colossus. Ele era formado por duas seções de 5,50 metros de comprimento por 2,30 metros de altura. Usava 2.400 válvulas. Por conta delas, o Colossus raramente era desligado: a quantidade de calor gerada no momento de ativação da máquina poderia fritar todos os circuitos e estourar as válvulas do aparelho, algo que seria muito custoso. Por isso o computador passava meses inteiros ligado – e quando tinha que ser reiniciado o processo era feito o mais lentamente possível.

Ele era considerado tão secreto que todos eles foram desmontados em peças pequenas na década de 1960, para não permitir inferir seu funcionamento. Todas as informações de projeto foram queimadas, incluindo as plantas e desenhos. Só na década de 1970 se soube da existência dos Colossi.

 

1.2) ENIAC


O ENIAC (Electronic Numerical Integrator and Computer) entrou em operação em 14 de fevereiro de 1946, na Universidade da Pensilvânia. Tinha 40 gabinetes, com 100 mil componentes e 17 mil válvulas. Pesava 27 toneladas, tinha 24,40 metros de comprimento e ocupava 170 metros quadrados. A temperatura ambiente, apesar dos inúmeros ventiladores, chegava às vezes a 67 graus centígrados.

Sua programação era feita por fios e interruptores. Como tinha sido projetado para resolver cálculos de artilharia, quando uma nova exigência surgia sua reprogramação era muito lenta, tarefa executada por um grupo de mulheres, como se vê na foto abaixo. Por sinal, elas e mais cinco homens participaram do projeto do ENIAC.



 1.3) UNIVAC

O UNIVAC (Universal Automatic Computer) entrou em operação em 1951. Foi o primeiro computador produzido em grande escala. Era programado por 6.000 chaves e conectando-se cabos a um painel. Usava 5.200 válvulas, 18.000 diodos de germânio, consumia 125kW e pesava 13 toneladas. Juntamente com os periféricos, ocupava 35 metros quadrados. Quando era ligado, as luzes da vizinhança momentaneamente diminuíam de brilho. Os projetistas do UNIVAC foram os mesmos do ENIAC.

Abaixo, foto de uma instalação com o primeiro modelo do UNIVAC. O computador é aquele grande armário ao fundo.



A console do operador é mostrada na foto abaixo.

O UNIVAC custava na época entre US$ 1,250,000 e US$ 1,500,000. No Brasil, ele foi um dos primeiros computadores adquiridos, no caso pelo IBGE em 1961, ao preço de US$ 2,976,351 incluindo alguns periféricos e acessórios, com a finalidade de ser usado no censo demográfico.

 

1.4) ElectroData 205 e 220


O ElectroData 205 foi lançado em meados dos anos 1950. Era um computador de custo relativamente baixo, porém usava válvulas e era de processamento lento. Mesmo assim, fez muito sucesso. Foi sucedido pelo ElectroData 220, o último computador fabricado e lançado no mercado usando ainda válvulas, numa época em que outros fabricantes já usavam transistores. Em virtude disso, não teve muita aceitação. A ElectroData foi então comprada pela Burroughs.

A foto abaixo mostra um 205 comprado pela PUC-RIO e entrado em operação em 13 de junho de 1960. Ocupava uma sala inteira, pesava 1 tonelada e usava 3500 válvulas. Consumia 70 kVA. A PUC teve de construir um sistema de ar condicionado exclusivamente para ele. Tinha 16 kB de memória. Um operador está sentado diante da console do computador, que está fechado e parece ser aquele armário ao fundo.


Abaixo uma animação da console do computador.


 

2) MAINFRAMES DE SEGUNDA GERAÇÃO

Estes já usavam transistores em seus circuitos, o que implicava em menor tamanho, menos consumo de energia elétrica e menos aumento de temperatura ao operarem. Já aceitavam programas em algumas linguagens ainda rudimentares. Esses programas eram codificados em folhas de papel apropriadas, perfurados em cartões em máquinas destinadas a isso e lidos por leitoras de cartão, que alimentavam o programa para execução pela CPU.

Com a popularização do uso de computadores por empresas, já não fazia sentido comprar apenas a CPU. Por isso, eram fabricados vários periféricos que faziam parte então de um sistema integrado e modular, que cada empresa podia compor à vontade, sendo a CPU o elemento principal.

 

2.1) IBM 1401


Foi apresentado ao mercado em 5 de outubro de 1959. Tinha 4 kB de memória padrão (extensíveis para mais 16 kB) e era totalmente transistorizado.

Era parte de um sistema completo, sendo o mais simples formado pelo processador, uma leitora/perfuradora de cartões de 80 posições IBM 1402 e uma impressora, a famosa IBM 1403. Também podiam ser acopladas unidades de fita magnética. O conjunto todo podia ocupar uma sala de consideráveis dimensões e era destinado a empresas de pequeno porte. Abaixo, foto de um desses conjuntos.


À esquerda vemos a leitora/perfuradora de cartões; ao centro, onde está a mão da senhorita, a CPU 1401 e acoplada a ela um gabinete de extensão de memória para 16 kB; em primeiro plano, a impressora e ao fundo uma unidade de fita magnética. Havia também uma console para o operador, não mostrada na foto.


2.2) BURROUGHS famílias 100/200/300/500

A Burroughs na época era a segunda maior fabricante de computadores no mundo, sendo a IBM a primeira. Ela lançou uma série de mainframes cujos códigos eram das famílias acima citadas. Não encontrei a respeito deles informações que interessassem a esta postagem.

Na foto abaixo, um B500, de cerca de 1963.


 

3) MAINFRAMES DE TERCEIRA GERAÇÃO

Essa geração já usava circuito integrado e entrou em operação na década de 1960. Os circuitos integrados possibilitaram uma grande diminuição do tamanho e peso dos computadores e uma substancial melhoria na sua velocidade de processamento. Mas ainda se destinavam a empresas, em virtude da necessidade de resfriamento, do consumo de energia elétrica e do ainda razoável peso deles.

3.1) BURROUGHS

A Burroughs foi uma das primeiras empresas a fabricar computadores com circuito integrado. Ela estabeleceu três diferentes linhas de mainframes: a Small Systems, a Medium Systems e a Large Systems.

3.1.1) BURROUGHS SMALL SYSTEMS

Essa linha foi introduzida em meados dos anos 1970 e consistiu nos mainframes da família B1000, composta pelos B1700, B1800 e B1900. Foi descontinuada em 1987.

3.1.2) BURROUGHS MEDIUM SYSTEMS

Essa linha foi iniciada pelo B2500, lançado em 1966, ao qual sucedeu o B3500, que entrou em operação em 1968. O B2500 tinha 60kB de memória e pesava 270 kg; o B3500 tinha 500kB de memória e pesava 320 kg. Abaixo se vê uma instalação de B3500.


A foto mostra em primeiro plano à esquerda uma unidade horizontal de fita magnética e ao lado direito da foto duas impressoras. Ao fundo à esquerda, a console da CPU (o móvel fino com uma base à frente), ladeado pelas duas CPU's. O equipamento grande ao fundo é um conjunto de discos. Ao fundo, na extrema direita, vista parcial de uma perfuradora de fita de papel. Muito escondida, entre ela e a impressora de trás, uma unidade de perfuração de cartões.

A família B2500/B3500 foi sucedida pelos B2700/B3700/B4700 em 1972, B2800/B3800/B4800 em 1976 e pelos B2900/B3900/B4900 em 1980.

3.1.3) BURROUGHS LARGE SYSTEMS

Essa linha foi iniciada pelo B5000, lançado em 1961, seguido pelo B5500, em 1964, ambos ainda usando transistores. Em 1969 foi lançado o B6500, já agora usando circuitos integrados, ao qual se seguiram o B6700 em 1971 e outros mais até 1985.

Em 1986 a Burroughs comprou a Sperry e formou a Unisys, acrônimo de UNited Information SYStem.

 

3.2) IBM /360,  /370 e /390

Talvez o computador de maior sucesso da história. Lançado em 07 de abril de 1964, tinha na sua primeira versão uma memória de 32kB. Com o /360 a IBM conquistou 70% do mercado mundial de computadores. O termo 360 foi usado para indicar que o computador podia ser usado por todos os tipos de consumidores, grandes ou pequenos, corporativos ou acadêmicos. O /360 revolucionou a indústria e a concepção dos computadores dali em diante. Seria longo detalhar o porquê disso.

A família /360 teve várias versões, como o IBM /360 modelo 91, o 125, o 145, o 148 e o 158. Abaixo, foto do /360 modelo 91.


Uma característica do /360 era sua escalabilidade, ou seja, a empresa podia comprar uma versão menor e depois migrar sucessivamente para versões maiores, sem necessidade de refazer algo já existente anteriormente. Também se caracterizava pela modularidade: a empresa podia comprar determinada quantidade ou espécie de periféricos e depois acrescentar outros. 

Em 30 de junho de 1970 a IBM lançou o /370, uma versão aprimorada do /360 e que também constituiu uma família. E em 1990 lançou a família /390. 

Abaixo, foto do /370.



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Sendo este um Fundo do Baú, paramos por aqui o texto, eis que não devemos ultrapassar certa época em direção aos dias de hoje.

 

sábado, julho 15, 2023

 

COLISÕES COM BONDES

Cumprindo o combinado com o Luiz no dia 10 deste mês, a postagem de hoje mostra alguns graves acidentes ocorridos com bondes. Na verdade, a maioria dos casos envolvendo aqueles veículos se referiam a quedas de pessoas que tentavam pegar ou saltar do bonde em movimento. Muitos ficaram mutilados ou morreram nessa tentativa. Mas a postagem de hoje trata de outros casos. Os reboques pequenos eram os mais suscetíveis a se envolverem em acidentes, pela facilidade de descarrilarem em virtude de seu relativamente pequeno peso e por terem apenas dois truques, bastando um deles descarrilar para o acidente acontecer.

Vamos aos acidentes.

 

1) BATACLÃ 2058



Data: 10/08/1954

Local: Entroncamento das ruas Visconde de Santa Isabel e Alexandre Calaza, em Vila Isabel

Vítimas: seis com escoriações e três com fraturas de membros.

Dinâmica: O bonde 2058, fazendo a linha  68 - Uruguai x Engenho Novo, saiu às 4:20h da estação do Boulevard 28 de Setembro em direção ao ponto inicial da linha, no início da rua Barão do Bom Retiro. Ao passar pelo referido entroncamento, o motorneiro não percebeu que a agulha não estava favorável para ele e o bonde descarrilou, destruindo a fachada e uma parte do interior do armazém São Paulo, na esquina da Alexandre Calaza.

 

2) REBOQUE 1248



Data: 24/12/1958

Local: Esquina das ruas Barão do Bom Retiro e Visconde de Santa Isabel.

Vítimas: oito com escoriações.

Dinâmica: O reboque 1248 era puxado pelo bonde 1756, da linha 72 - Méier x Saens Peña. Ao abrir o sinal, o bonde se movimentou e o reboque descarrilou, batendo no bonde 1806, da mesma linha.

 

3) BATACLÃZINHO 343



Data: 21/11/1963

Local: Avenida Presidente Vargas esquina com rua Comandante Maurity.

Vítimas: seis do bonde e duas do caminhão, todos com escoriações.

Dinâmica: O bonde 343, da linha 56 - Alegria, vinha rodando em direção à Leopoldina, quando se deparou com o caminhão da fábrica de massas Marilu, que vinha na contramão. O motorneiro começou a acenar para o motorista do caminhão, mas ao ver que ele não mudava de direção parou o bonde e saltou, assim como alguns passageiros. O caminhão se chocou violentamente com o bonde, derrubando-lhe parcialmente a capota.

 

4) REBOQUE 1291



Data: 03/07/1953

Local: Avenida Presidente Vargas, próximo à Ponte dos Marinheiros.

Vítimas: doze com escoriações.

Dinâmica: O reboque 1291 era puxado pelo bonde 1899, da linha 56 - Alegria. Ao passar pela Ponte dos Marinheiros, o reboque saltou dos trilhos, rodou descontrolado por cerca de 20 metros e se chocou com o bonde 1788, da linha 69 - Aldeia Campista.

 

5) REBOQUE 1369



Data: desconhecida

Local: alguma rua na Zona Sul.

Vítimas: desconhecido.

Dinâmica: Essa foto foi obtida na Internet, sem qualquer indicação. Apesar de ter pesquisado bastante, nunca consegui obter informações sobre esse acidente.


6) BONDE 1887


Apesar de a foto não ser das mais impressionantes, o acidente foi bastante inusitado, como descrito a seguir.

Data: 10/05/1959

Local: Esquina das ruas Uruguai e Conde de Bonfim.

Vítimas: vinte e oito, algumas em estado grave, entre passageiros, transeuntes, motoristas e o próprio motorneiro, que teve as duas pernas fraturadas.

Dinâmica: Há mais de uma versão para o acidente. Uma delas diz que o bonde 1887, da linha 67 - Alto da Boa Vista, vinha descendo lotado a avenida Edison Passos, cerca das 8 horas da manhã quando, já chegando na Usina, o motorneiro percebeu que estava sem freios. Um caminhão com material de obras estava estacionado na rua, parcialmente sobre os trilhos, e foi colhido pelo bonde e jogado para o lado. O bonde prosseguiu no seu trajeto usual pela rua Conde de Bonfim, que apresenta um declive constante até o cruzamento com a rua Uruguai, motivo pelo qual a velocidade do bonde não diminuía. O motorneiro tentou pará-lo acionando a roda do freio de estacionamento, sem sucesso. Em desabalada carreira, o bonde continuou descendo pela rua Conde de Bonfim. Desesperado, o motorneiro acionava continuamente a sineta para alertar quem estivesse à frente do bonde. Heroicamente, ele não abandonou os controles em nenhum momento, correndo sério risco de vida. Ao aproximar-se do cruzamento com a rua Uruguai, o sinal estava fechado e havia uma fila de veículos parados. Em consequência disso, o bonde chocou-se sucessivamente com uma caminhonete (capotando-a), com um táxi, com um carro particular e finalmente com um lotação da linha Usina x Leblon que estava parado no sinal da rua Uruguai, quando então cessou sua corrida.

OBSERVAÇÃO ADICIONAL: Esse bonde 1887 era aziago. Em 29/01/1954 o Diário da Noite noticiou que ao sair das Barcas, fazendo a linha 75 - Lins de Vasconcellos, o motorneiro imprimiu velocidade ao bonde e ao fazer uma curva o reboque 1206, tracionado por ele, tombou de lado, matando um passageiro e ferindo 34, vários com gravidade.

Em 1965 ele foi vendido a museus norte-americanos e até hoje não foi recuperado, tendo sido canibalizado ao longo das décadas. Não tem mais como colocá-lo em tráfego.


 7) REBOQUE 1363



Data: 05/03/1959

Local: Largo do Catumbi, em frente à igreja de Nossa Senhora de Salete.

Vítimas: quatro, com escoriações. Foram socorridas por uma ambulância da Casa de Saúde Santa Rita de Cássia, que passava no local, e levados ao Hospital Souza Aguiar.

Dinâmica: O reboque 1363 era puxado pelo bonde 1921, da linha 45 - Itapiru x Barcas, quando de repente descarrilou e se chocou com o bonde 1871, da mesma linha, que vinha em sentido contrário.

 

8) BONDE 1829

(não consegui mais localizar a foto, que pertencia ao acervo do jornal Ultima Hora)

Esse foi o acidente mais horripilante de que tive conhecimento, embora somente resultasse em uma vítima.

Data: desconhecida

Local: Esquina das ruas Barão do Bom Retiro e General Belegard.

Vítimas: o motorista de um caminhão de feira, morto no acidente.

Dinâmica: No fim da madrugada do dia fatal, o bonde 1829, linha 68 - Uruguay x Engenho Novo, ao entrar na rua General Belegard vindo da Barão de Bom Retiro, topou com um caminhão de feira vindo em sentido contrário. No choque que se seguiu, o bonde destruiu a cabine do caminhão e esmagou o motorista. O Arquivo Público do Estado de São Paulo, que detém o acervo de fotos do jornal Última Hora, tinha essa foto disponível na Internet, mostrando a cabeça esmagada do motorista, quase imperceptível no meio dos destroços da cabine do caminhão. Embora muito chocante, gostaria de postar essa foto aqui, porém ela não se encontra mais disponível para acesso, talvez por ser horripilante.

----------  F I M  -----------

terça-feira, junho 13, 2023

 

TEMPLOS DE AMOR (DE AMOR?!)

A postagem de hoje dispensa textos longos. Os visitantes deste site que são daquele gênero em extinção chamado de "masculino" devem se lembrar nitidamente de muitas fotos que verão, embora remetam à época em que seu amigo bráulio ainda funcionava e respondia pelo nome de Valente Pinto. Depois virou Décio Pinto e hoje é Serafim do Pinto. Bons tempos aqueles, que não voltam mais.

Chamar motéis de "templos de amor" é ironia, porque o que menos se fazia ali dentro era amar, no sentido estrito da palavra. Mas enfim...

Chega de palavrório. Vamos desenterrar lembranças dos mais remotos recônditos da memória.

(colocar aqui as fotos dos moteis, em qualquer ordem)















 ------------  FIM  DA  POSTAGEM  -------------


terça-feira, maio 16, 2023

 

ELAS

(Segunda parte)

Essa é a segunda parte da postagem envolvendo mulheres que tiveram destaque no mundo televisivo de antanho. Refira-se à primeira parte para maiores informações.

 

1) NEIDE APARECIDA

Neide Aparecida da Silva exerceu várias atividades, mas ficou conhecida como garota-propaganda desde que estreou na TV Tupi, em 1951, aos 14 anos de idade. Durante anos ficou sendo a garota-propaganda das lojas Tonelux, e terminava sua locução sempre estalando os dedos enquanto falava pausadamente TO-NE-LUX. Anos depois, foi garota-propaganda das Perucas Lady, e terminava sua fala com "Perucas Lady, tá?". Na minha memória, foi apresentadora do Teatrinho Trol, mas a Internet não registra isso. Não sei se falha da rede ou se minha memória está me enganando.


 

2) CÉLIA BIAR

Célia Rafaela Martins Biar iniciou na vida artística em 1947 e dois anos depois participou de várias comédias sofisticadas, pelo Teatro Brasileiro de Comédia. Estreou na TV na década de 1960, apresentando vários programas: Sempre Mulher, Oh! Que Delícia de Show, Quem é Quem? e Sessão das Dez, um programa de filmes da TV Globo, no qual Célia sempre aparecia com uma longa piteira na mão e acariciando no colo um gato angorá, o Zé Roberto. Participou de várias novelas.

Célia adorava fumar e acabou morrendo de câncer no pulmão.


 

3) MÁRCIA DE WINDSOR

Márcia Couto Barreto iniciou a carreira como vedete no show de reabertura do Hotel Copacabana Palace, em 1958, ao lado de Elizeth Cardoso e Consuelo Leandro. O "Windsor" do seu nome artístico foi sugestão do Stanislaw Ponte Preta, que disse lembrar ela a Duquesa de Windsor.

Ficou nacionalmente conhecida como jurada nos programas de Flávio Cavalcanti e Sílvio Santos, mas trabalhou também em 15 novelas.

Era uma belíssima mulher.


 

4) TIA GLADYS

Gladys Mesquita Ribeiro era decoradora e programadora visual, mas decidiu ir para a TV, onde acabou fazendo o programa Gladys e Seus Bichinhos, na TV Tupi do Rio de Janeiro, em 1955. No programa ela contava uma história e concomitantemente ia desenhando bichinhos num quadro, dando uma aula de desenho artístico. Criou assim vários personagens: a formiguinha Gida, a gatinha Clarinha, a peixinha Marci, a abelhinha Domi, a cachorrinha Lelete e o sapo Godô, o mais conhecido de todos. Tia Gladys, como era chamada, era um ídolo para a garotada de então. Mesmo após o fim do programa, escreveu 38 livros e gravou 20 discos de histórias.


 

5) HEBE CAMARGO

Hebe Maria Monteiro de Carvalho Ravagnani é considerada a Rainha da Televisão Brasileira. Iniciou sua carreira de cantora na década de 1940, na Rádio Tupi. Foi convidada por Assis Chateaubriand para participar da primeira transmissão ao vivo da TV brasileira a cargo da TV Tupi. Em 1964 afastou-se para ter filho, retornando em abril de 1966 com o programa Hebe, que ficou no ar por mais de 40 anos, passando por várias emissoras.

Seu currículo é extensíssimo. Impossivel até mesmo resumi-lo aqui.


 

6) ÍRIS LETTIERI

Íris Lettieri Costa começou a carreira no fim dos anos 1950, como locutora de telejornais, na TV Tupi do Rio e posteriormente na TV Manchete. Na década de 1970 os anúncios em vários aeroportos no Brasil passaram a ser feitos por ela, com sua voz aveludada e sensual. Segundo ela, esse tom e timbre foram criados adrede, para transmitir tranquilidade aos passageiros que tinham medo de voar.


 

7) CONSUELO LEANDRO

Maria Consuelo da Costa Ortiz Nogueira tinha como sonho ser atriz. Seu avô era frontalmente contra e a expulsou de casa. De pirraça, ela adotou artisticamente o sobrenome Leandro, que era o nome do avô. A princípio, tornou-se atriz do teatro de revista, profissão mal vista na época. Depois partiu para o rádio e sua voz ficou conhecida num papel do famosíssimo programa Balança mas não cai, da Rádio Nacional. Fez filmes, mas tornou-se conhecida como humorista, tendo trabalhado em vários programas, como Noites Cariocas, Praça da Alegria, A Praça é Nossa, Escolinha do Golias e Veja o Gordo.

A pintinha escura acima dos lábios era sua marca registrada.


 

8) ZÉLIA HOFFMAN

Zélia Hoffman iniciou a vida artística na TV, tendo trabalhado na Tupi, Excelsior e Globo. Fazendo par com Chico Anysio, tornou-se conhecida como Maria Tereza, mulher do Coronel Limoeiro. No quadro, este dizia: "Maria Tereza! Essa mulher me ama!".

Era relações públicas no famoso restaurante La Fiorentina, no Leme, onde sua presença sedutora e atraente garantia a freguesia da classe artística. Foi uma das Certinhas do Lalau. Era muito bem relacionada na alta sociedade carioca.

Desfilava fantasias de luxo nos bailes de Carnaval do Teatro Municipal, ao lado de Clóvis Bornay, Wilza Carla, Evando de Castro Lima, Mauro Rosas e Marlene Paiva. Em 1958 venceu o concurso, com a fantasia A Bela Otero.


 

 =====  FIM  DA  POSTAGEM  =====

 

 

 

 

ELAS

(Primeira parte)

Essa é a primeira parte de uma postagem envolvendo mulheres que tiveram destaque no mundo televisivo de antanho. Muitas possuem extenso currículo, e até fico constrangido em não poder citá-los aqui, para não fugir do objetivo da postagem. Concentrei-me na atividade ou papel em que a retratada mais chamou a atenção do público. A postagem não inclui cantoras nem atrizes famosas, embora algumas das retratadas tenham trabalhado em teatro ou em novelas na TV.

Talvez algumas delas sejam ilustres desconhecidas para os adolescentes e pré-idosos que lerem esta postagem.   rsrsrs

 

1) ILKA SOARES

Ilka Hack Soares foi considerada uma das mais belas mulheres nas décadas de 1950 e 60. Trabalhou em alguns filmes e na TV apresentou programas jornalísticos e de variedades. Foi assistente do famoso J. Silvestre no programa O Céu é o Limite. Se não me engano, era assistente de um mágico, que se intitulava Professor Bei, papel em que ela falava o bordão "Pensar, Professor, pensar!", para que ele se concentrasse e desse a resposta esperada pelo público.


 

2) NORMA BLUM

Norma de Lacerda Blum iniciou carreira aos 12 anos na TV Tupi e em 1954 passou a integrar o quadro fixo de atores da emissora. Para a garotada da época, era conhecida pela sua participação no Teatrinho Trol, de Fábio Sabag. Participou como atriz nas TV's Tupi, Excelsior, Rio, Continental e Globo.


 

3) ZILKA SALABERRY

Nasceu Zilka Nazareth de Carvalho, numa família de artistas. Formada em Economia, ingressou no mundo teatral por influência do marido, Mario Salaberry. Estreou em 1956 na TV Tupi, onde trabalhou no Teatrinho Trol, já citado acima, cabendo-lhe sempre o papel de bruxa. Anos depois, foi a Dona Benta no Sítio do Pica-Pau Amarelo, papel mais marcante de sua carreira.


 

4) DERCY GONÇALVES

Dolores Gonçalves Costa originou-se dos espetáculos circenses e tornou-se uma das maiores estrelas do teatro de revista nos anos 1930 e da produção cinematográfica a partir dos anos 1940. Seu currículo é tão extenso e bonito que seria até ofensivo tentar reduzi-lo aqui. Por isso, não o farei.

Dercy foi reconhecida pelo Guinness Book of Records como a atriz com maior tempo de carreira na história mundial, num total de 86 anos.


 

5) NAIR BELLO

Nair Bello Sousa Francisco se notabilizou como humorista, mas iniciou a carreira como atriz de radionovelas. Trabalhou em teatro e fez alguns filmes. Foi garota-propaganda e participou de novelas e minisséries. Estreou no humorismo em 1961, na TV Record, com o quadro Epitáfio e Santinha, passando depois para a TV Rio.


 

6) MARINA MIRANDA

Marina Miranda era uma dos oito filhos dos seus pais, mas foi criada por outra pessoa. Em 1955 cantou músicas líricas no programa Papel Carbono, citado na postagem do dia 13 deste mês. Era fã de óperas e um jornaleiro italiano amigo a ajudava na pronúncia das palavras. Ganhou uma bolsa na Escola Nacional de Música, mas teve de abandonar os estudos para trabalhar.

Iniciou a carreira humorística em 1956, na TV Rio, notabilizando-se no programa Noites Cariocas. Em 1968 passou para a TV Globo, atuando no programa Balança Mas Não Cai, onde fez dupla com Tião Macalé e deu origem ao bordão Oh! Crioula difícil!.  Era conhecida como A Grande Otelo de saias. Fez papéis cômicos como Dona Mandala e Dona Charanga (em programas do Chico Anysio). Foi agraciada com o Troféu Raça Negra 2010 pela sua contribuição à cultura do país. 


 

7) KATE LYRA

Katherine Lee Riddell Caughey começou como modelo nos EUA, aos 17 anos, tendo se casado aos 19 com Carlos Lyra e vindo para o Brasil, onde continuou sua carreira. Aqui participou de vários filmes, alguns deles do gênero pornochanchada. Nos anos 1970 teve papeis em programas humorísticos, como Planeta dos Homens e Praça da Alegria, onde fazia as vezes de americana ingênua, sempre enganada por brasileiros, quando então dizia o bordão Brasileiro é tão bonzinho!.

No mundo cinematográfico, teve algum destaque como diretora e roteirista. Possui uma carreira acadêmica como pesquisadora de alguns ritmos musicais, especialmente Hip-Hop, Rap e Funk.



=====  FIM  DA  POSTAGEM  =====


terça-feira, maio 09, 2023

 

PROGRAMAS DE AUDITÓRIO

Na época áurea do rádio, houve vários programas de auditório que atraíam multidões, fossem meros espectadores ou fãs dos artistas que se iriam apresentar. Vários desses programas migraram posteriormente para a TV. Vamos listar alguns. Não vou citar os mais óbvios de todos, os programas do Chacrinha, de farto conhecimento público.

 

1) PROGRAMA CÉSAR DE ALENCAR

Era um dos mais famosos. Hermelindo César de Alencar Mattos começou a carreira em 1939, na emissora carioca Rádio Clube do Brasil. Mudou-se para a Rádio Nacional em 1945, atuando em narrações e comerciais e pequenas participações em novelas. Mas a fama veio quando em 1948 Paulo Gracindo saiu da rádio e César de Alencar passou a ter seu próprio programa, aos sábados.

A música de entrada do programa fez história: "Essa canção nasceu pra quem quiser cantar / Canta você, cantamos nós até cansar. / É só bater, e decorar / Pra recordar vou repetir o seu refrão / Prepara a mão / Bate outra vez / Este programa pertence a vocês".

O auditório lotava durante a apresentação do programa. Vide abaixo.



A foto abaixo mostra Cauby Peixoto cantando no programa.



Com o regime militar, César de Alencar foi injustamente acusado por adversários artísticos de dedurar dezenas de funcionários da Rádio Nacional. A partir daí sua carreira declinou.

 

2) PROGRAMA PAPEL CARBONO

Conduzido por Renato Floriano Murce, era um programa de calouros que revelou muitos cantores, como: Os Cariocas, Dóris Monteiro, Ângela Maria, Ivon Curi, Agnaldo Rayol, Roberto Carlos, Luiz Vieira, etc. Renato chamava os calouros de ilustres desconhecidos, tratava-os com muito respeito e procurava encaminhá-los na carreira artística.

Renato teve uma vida artística muito movimentada, passando por diversas emissoras de rádio. O programa foi inspirado num filme antigo assistido por Murce, que o adaptou para o rádio. Começou na Rádio Clube e depois migrou para a Rádio Nacional.



 

3) UM INSTANTE, MAESTRO

Lançado por Flávio Cavalcanti em 1952 na Rádio Nacional do RJ, foi levado para a TV Tupi em 1957. Com a ida de Flávio para a TV Rio em 1959, o programa saiu do ar, voltando em 1965 pela TV Excelsior e logo a seguir, em 1967, retornando para a TV Tupi.

Flávio selecionava lançamentos musicais da semana e dava sua opinião sobre eles. Os que não passavam pelo seu crivo tinham o disco quebrado ao vivo.



Posteriormente foi criado um grupo de jurados para julgar as músicas.


Com o tempo, o programa evoluiu para A Grande Chance (programa de calouros) e posteriormente para Programa Flávio Cavalcanti.

 

4) O CÉU É O LIMITE

Estreou em 1955 na TV Tupi de São Paulo, em seguida sendo repetido no Rio de Janeiro, onde o apresentador era João Silvestre, mais conhecido como J. Silvestre. Era um programa de perguntas. O candidato escolhia um tema e as perguntas se sucediam, cada vez mais difíceis. A cada pergunta, o candidato podia desistir ou continuar. A cada resposta correta, J. Silvestre imortalizou a frase "Resposta absolutamente certa".  



Patrocinado pela VARIG, J. Silvestre tinha como assistente a bela Ilka Soares.

A candidata mais famosa foi Leni Orcida Varela, na época com 23 anos e que respondia sobre Guerra Junqueiro visando angariar dinheiro para o casamento. Ela ficou com o apelido de Noivinha da Pavuna e conseguiu um bom prêmio, sendo sua união selada diante das câmeras, em 1969, com J. Silveste como padrinho.



 

5) CALOUROS EM DESFILE

Inicialmente transmitido pelo Ary Barroso. O calouro era submetido a uma série de perguntas que já o deixavam nervoso. Aí ele começava sua performance, que não necessariamente era música, podendo ser imitações, por exemplo. Se a performance não fosse boa, um imenso gongo era acionado. Os trajes do tocador do gongo variaram ao longo do tempo, mas costumavam ser de orientais ou africanos. Ele era apelidado de Macalé. Algumas vezes o candidato saía chorando do palco.





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